São 32 arenas espalhadas pelo Rio de Janeiro, mais cinco estádios de futebol pelo país e um total de seis milhões de ingressos para as competições dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Já imaginou abastecer todos esses locais com água, refrigerante, mate, sucos, néctares, isotônicos entre outros produtos para que ninguém fique com sede? Da torcida aos atletas, dos voluntários à imprensa?  

Para essa megaoperação, a Coca-Cola Brasil convocou funcionários de todo o sistema no país. São 900 pessoas atuando diretamente nas operações de abastecimento desses locais, 750 só no Rio de Janeiro.

Cada área de competição tem um estoque de três dias, armazenado em contêineres refrigerados. Ao todo, são 158 unidades, cada uma com capacidade média para 18 pallets (empilhamentos que comportam muitas bebidas). Para se ter ideia, um pallet de água contém 150 caixas com 1.800 garrafas. Estamos falando de um montante de aproximadamente 17 milhões de itens de bebidas circulando nas instalações esportivas durante os Jogos.

Bastidores da fábrica às geladeiras

Os produtos são previamente inspecionados e ficam armazenados em um depósito da Andina, fabricante do Sistema Coca-Cola Brasil no Rio de Janeiro, com acesso restrito, câmeras de segurança e lacres nos caminhões. “O caminhão sai lacrado da fábrica, em Jacarepaguá, e é inspecionado antes de entrar nas áreas olímpicas”, explica Rodrigo Nogueira, gerente de operações, responsável pela região da Barra da Tijuca e Deodoro.

“Nosso desafio é garantir que todos os itens do portfólio estejam disponíveis e gelados 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma Alfredo Hirsch, diretor de operações para Jogos Olímpicos da Coca-Cola Brasil. Para garantir o padrão e entregar uma Coca-Cola gelada a quatro graus, são utilizadas 3,5 mil geladeiras e 5 mil caixas térmicas. Todas as geladeiras são HFC Free, um modelo que emite um tipo de gás, o HFC (Hidro Flúor Carbono), inofensivo à camada de ozônio. “Usamos um termômetro a laser para medir a temperatura. Fazemos um acompanhamento diário para manter todos os produtos a quatro graus”, acrescenta Nogueira.

Funcionários abastecem geladeiras

Colaboradores abastecem geladeiras

Juliana Dangelo

Todos os produtos da marca passam na fabricação por uma série de controles, análises e monitoramentos. E, seguindo o plano de segurança para grandes eventos, alguns processos adicionais foram incluídos para o período de Jogos Olímpicos.

A gerente de qualidade da Coca-Cola Brasil, Juliana Canellas, explica que o controle normal da produção já é bastante criterioso, desde a aprovação dos fornecedores de insumos até o padrão de qualidade durante a produção e distribuição: “O que incluímos agora são controles adicionais, além do que já é feito na fábrica como, por exemplo, laudos microbiológicos externos de todos os lotes externos produzidos para a Rio 2016. Essa dupla checagem engloba também cuidados visuais na hora de abastecer as geladeiras, como garantir o rótulo perfeito e a embalagem intacta. Para isso todos os ativadores, supervisores e gerentes das arenas foram capacitados e orientados para rapidamente detectar e comunicar quaisquer sinais de que algo não está conforme o planejado".  

Esse trabalho é feito em todos os pontos de venda: Vila dos Atletas, centros de treinamento e locais de jogos, inclusive nas cidades sedes do futebol. “Nossa missão é realizar a prevenção e a proposta é garantir que os riscos relacionados aos grandes eventos sejam mitigados, incluindo um mapeamento dos pontos vulneráveis das fábricas e estoques à possíveis ameaças externas”, acrescenta Juliana.

O projeto da Coca-Cola Brasil para as operações durante os Jogos começou a ser elaborado há muito tempo. Para recrutar esse grupo de funcionários, foi promovida uma campanha interna em 2015 nos fabricantes e engarrafadores da marca. Os interessados em trabalhar nos Jogos Olímpicos contavam, em um vídeo de 30 segundos, por que queriam trabalhar nessas semanas de ouro. Foram várias etapas de seleção e treinamentos. “Tínhamos a opção de contratar 900 pessoas por uma agência de empregos, mas acreditamos que não teriam a paixão, o cuidado e o respeito que um funcionário do nosso Sistema tem. Nada melhor que um de nós para  representar a Coca-Cola Brasil nas arenas. Quando voltarem às suas cidades, estarão motivados e com muitas histórias para contar”, diz Hirsch.

De Crato, no Ceará, Adalto Nogueira, de 30 anos, promotor de vendas do fabricante Solar, decidiu se inscrever. “Sei que vamos trabalhar muito, mas vou adquirir conhecimentos importantes. Vou desenvolver minha função ainda melhor, com uma nova visão”.

Hirsch cita intercâmbios que foram feitos com outros países: “Não temos só brasileiros no time. Muitos perceberam os Jogos como oportunidade. Temos um grupo de japoneses que vieram treinar para Tóquio 2020, coreanos aprendendo para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 e muitos latino-americanos também. Fabricantes de outros países viram como uma chance de conhecer outra parte do Sistema e treinar para grandes eventos”.

Irenio Villalba veio de Buenos Aires e está contando sua experiência em um blog hospedado no site de comunicação interna da Coca-Cola Argentina. “Estou compartilhando um pouco do meu dia a dia para colegas argentinos. Assim eles acompanham um pouco deste evento e do trabalho grandioso que estamos fazendo aqui. Tudo é novo para mim”, diz Villalba, que, em seu país, trabalha diretamente na produção do concentrado de Coca-Cola e aqui está como ativador nas instalações da Marina da Glória.

Apesar de ser um trabalho que exige muita força física e tradicionalmente feito por homens, o número de mulheres inscritas surpreendeu. Analista de trade marketing, Nathalie Cardoso, de 28 anos, de João Pessoa, foi uma delas: “Não fiquei assustada. Independentemente da função, o que vale é o esforço para estar em um evento como este, e carregar caixas agora é o mínimo que a gente faz para estar aqui. É algo único”. Nathalie lembra que não teve dúvida na hora de candidatar-se. “Contei no vídeo que minha vontade era usar a experiência de dentro do escritório e o marketing de ativação de mercado para ativar os Jogos com força total. Trazer o que a gente sabe fazer no mercado, nos pontos de venda, para a Rio 2016.”