O ápice da viagem olímpica de Flávio Camelier parecia já ter passado, no verão londrino de 2012. Os maiores astros e estrelas dos Jogos Olímpicos haviam mostrado suas performances duas semanas antes e ele, vice-presidente da Coca-Cola Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016, voltara à capital inglesa para o que tinha certo jeito de pós-apoteose: os Jogos Paralímpicos. Como se diz hoje em dia, #sóquenão.

Logo no início da competição, o executivo brasileiro conversava com Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, que repentinamente pediu para interromper a reunião. “Quero ver uma competição de natação que começa daqui a pouco”, desculpou-se. Camelier, então, decidiu ir junto.

Sábia decisão. O nadador brasileiro que participava da prova venceu, e Parsons desatou a chorar. “Vi essa história começar oito anos atrás”, explicou o dirigente. “Isso aqui é muito mais importante do que o resultado da prova”. A intensidade daquele momento atingiu Camelier em cheio. “Chorei junto”, conta o executivo, 43 anos de idade e 17 de empresa, que mergulhou por inteiro no movimento paralímpico.

Tudo a ver. A Coca-Cola está nesta história desde Barcelona 1992, quando transformou-se em patrocinadora oficial, como faz com os Jogos Olímpicos desde Amsterdã 1928. O movimento paralímpico surgiu no pós-guerra, para reabilitar militares feridos no conflito, e teve seus primeiros Jogos em Roma, em 1960. “Nossa parceria será igualmente longa”, prevê Camelier. “É outra maneira de tocar o coração das pessoas, destacando os valores nos quais a Coca-Cola Brasil acredita intensamente”.

Agora, nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, serão celebrados os atletas, dentro de conceitos preciosos: coragem, superação, igualdade e diversidade. “Queremos prestar homenagens merecidas a essas pessoas incríveis”, resume o executivo. Duas delas, Fernando Fernandes (da canoagem) e Verônica Hipólito (do atletismo), são embaixadores da empresa, e têm retratos espalhados pela sede, na Praia de Botafogo, antecipando o que acontecerá em diversos pontos da cidade, com a troca do mobiliário urbano da marca, feito especialmente para o evento.

E precisa tudo isso para vender mais bebida? Sem chance, explica Camelier, mostrando que os objetivos carregam muito mais responsabilidade social e corporativa. “Queremos firmar associações e parcerias, dentro de nossa crença em diversidade e no apoio a grandes histórias e grandes personagens. Porque, na verdade, é a coisa certa a fazer”, resume o vice-presidente, com serenidade, enxergando ganhos perenes. “No longo prazo, a marca sairá fortalecida pela defesa dos nossos valores”.

Flávio Camelier

Flávio Camelier, vice-presidente da Coca-Cola Brasil para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos mostra a coleção de pins

Marcelo Piu

A aposta, aliás, inclui as cerca de mil pessoas que trabalham na sede. Cada um deles ganhou quatro ingressos para os Jogos Paralímpicos, mesmo número de tíquetes que receberam para assistir aos Jogos Olímpicos, encerrados dia 21 de agosto. Além disso, haverá uma ida conjunta, de cada área, a um evento paralímpico, numa ação que inclui as demais empresas do Sistema Coca-Cola Brasil. A operação de abastecimento de bebidas nos locais de competição e na Vila dos Atletas acontecerá em patamar semelhante ao dos Jogos Olímpicos, quando 750 pessoas trabalharam nas instalações cariocas.

Os fabricantes espalhados pelo Brasil, aliás, também participam da ciranda de aprendizado contra o preconceito e a importância de valorizar a igualdade e a diversidade. “O primeiro passo da transformação se dá com a mudança de consciência”, ensina Camelier.

Como nos Jogos Olímpicos, a Coca-Cola Brasil lançará uma linha de pins colecionáveis exclusiva para os Jogos Paralímpicos. A cada dia sairá um modelo novo, na ação “Pin of the Day”. A área para troca de pins entre colecionadores e fãs de esporte do mundo inteiro também será mantida no Espaço #IssoÉOuro, dentro do Parque Olímpico da Barra da Tijuca. Isonomia total entre os dois eventos multiesportivos.

O exercício da tolerância promovido pelos Jogos Paralímpicos também mudou a cara do Rio, observa o vice-presidente. Ele celebra as transformações da cidade, ainda a caminho de se tornar totalmente acessível às pessoas com deficiência, citando o transporte público, hoje muito mais amigável, após as obras realizadas para os Jogos. “Mas devemos aumentar a consciência da sociedade, buscando uma valorização crescente das diferenças entre os seres humanos”, defende ele, sabedor de que um amanhã mais diverso e tolerante será a verdadeira medalha de ouro.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico