Em nome das comunidades ribeirinhas do Amazonas, quatro extratores de açaí da região do Médio Juruá conduziram a Tocha Olímpica em Manaus. Manoel da Cunha, Enoque Ventura, Daiana Mesquita e Alzenir Nascimento tiveram a honra de representar seus conterrâneos. Os quatro participam do Coletivo Floresta, programa da Coca-Cola Brasil que tem como propósito estimular o desenvolvimento de comunidades da Amazônia que trabalham com a extração do açaí, por meio de capacitação e integração à cadeia de fornecedores.

Para Manoel da Cunha, o convite foi o reconhecimento de que as comunidades tradicionais ribeirinhas são extremamente importantes para o país. “Conduzir a Tocha não é apenas carregar a Chama Olímpica. É o reconhecimento dessas populações que vivem na Floresta Amazônica e trabalham por sua preservação e biodiversidade. Não representamos apenas nossa comunidade, mas todos os extrativistas brasileiros. Só no Amazonas são mais de 40 mil famílias que têm como base econômica o extrativismo: borracha, castanha, açaí, óleo, pesca artesanal”, enumera Cunha.

O território do Médio Juruá tem mais de 50 comunidades ribeirinhas fixadas às margens do rio Juruá, na cidade de Carauari, no Amazonas. O Coletivo Floresta existe na região desde 2013 e contribui para o fortalecimento das comunidades ao estimular uma maior eficiência na produção do açaí desde o início da cadeia. As ações, além de tornarem a atividade extrativista mais valorizada, promovem o bem-estar social e cultural das comunidades, enquanto conservam a biodiversidade da região ao estimularem boas práticas de manejo florestal.

Daiana Mesquita, de 28 anos, nasceu em uma das comunidades da área e acompanhou a implantação do projeto com famílias locais. Ela conta que, antes da chegada do Coletivo Floresta, só havia coleta para consumo doméstico, mas, com a parceria, foi possível ampliar a atividade e vender o fruto. “Aprendemos a importância do açaí e como coletá-lo sem disputar espaço com a biodiversidade. Anos atrás, parte do que produzíamos estragava, porque não tínhamos máquinas suficientes para processar o fruto. Com o Coletivo Floresta mudou tudo. Não há mais desperdício, e ampliamos muito as vendas. Hoje, as famílias têm melhores condições econômicas e estão mais organizadas socialmente”, conta Daiana.

Gerente de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil, Thais Vojvodic acredita que a iniciativa integra oportunidades sociais, ambientais, nutricionais e de negócios. “Fomentar a cadeia do açaí nativo contribui para a preservação da Floresta Amazônica, empodera as populações ribeirinhas e potencializa a renda a partir de algo que a floresta já lhes dava”, observa Thais.

A logística, no entanto, é o maior desafio do Coletivo Floresta. O açaí é um produto altamente perecível que, para ser transportado de barco, consome 30 dias de viagem. Por isso, foi preciso encontrar uma solução dentro da floresta. Agora, o açaí já sai processado do município mais próximo, Carauari. “São várias comunidades ao longo do rio, cada um com sua peculiaridade. Algumas não têm energia elétrica, por exemplo. É desafiador buscar soluções específicas para cada uma delas. Por isso um passo fundamental foi a implantação de um processo de rastreabilidade do produto, para contabilizar de maneira eficiente a quantidade do que é coletado e do que é vendido. Isso é essencial para o desenvolvimento dessa e de outras cadeias de produtos nativos”, afirma Thais.