No sortido mosaico humano do Parque Olímpico da Barra da Tijuca – agora Paralímpico –, a carioca Adriana Cavalcanti transformou-se num personagem muito festejado. Basta ela apontar nas cercanias do Centro de TV (IBC, na sigla em inglês), que a turma registra, empolgada: “Lá vem a menina do pin!”. Gerente de Marketing da Coca-Cola Brasil, ela vive de perto a febre apaixonada dos colecionadores pelos icônicos objetos, também símbolos dos Jogos.

Em mais um daqueles milagres com a cara do Rio de Janeiro, o troca-troca tem sido maior durante os Jogos Paralímpicos do que nos Olímpicos, em tese o evento mais badalado. “Foi uma grande surpresa, muito positiva”, confirma Adriana. “O movimento tanto no Parque como especificamente na nossa área de trocas está melhor nesses últimos dias”.

A prova mais contundente se deu no sábado (10), quando o espaço #IssoÉOuro e a loja da Coca-Cola registraram recorde na venda de pins – foram 3.270 unidades. “A febre está altíssima”, diagnostica a gerente, num sorriso que denuncia a paixão pelo negócio. “Os brasileiros descobriram os pins e não vão parar mais”, prevê. Ela, aliás, ostenta coleção com mais de 300. Ainda não ganha do gerente de Approvals da empresa, Pedro Visconti, mas está correndo atrás.

A numerosa tribo dos pins funciona assim faz tempo – há 120 anos, na verdade. A história começa junto com os Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas 1896. Para identificar juízes, atletas e técnicos, a organização do evento original criou broches de papelão, que iam pendurados em agasalhos e uniformes. Após as competições, os integrantes das várias delegações trocavam entre si, formando coleções cada vez mais numerosas. Nas edições seguintes, a prática se intensificou, incluindo jornalistas e espectadores.

O troca-troca jamais parou, até chegarem os modelos metalizados, de design arrojado e cores sedutoras. A Coca-Cola criou seu espaço de troca, o Pin Trading Centre, nos Jogos de Inverno de 1988, em Calgary, no Canadá. A garrafinha-ícone, fetiche dos colecionadores, surgiu seis anos depois, em Lillehammer (Noruega.)

Pins Jogos  Paralímpicos Rio 2016

Agora, durante os Jogos Rio 2016, os acessórios criados pela Coca-Cola se tornaram um must, em especial o Pin Set, a caixa numerada, com apenas 500 unidades. Perfeito como enfeite de mesa, o mimo vem com certificado de autenticidade, para delírio dos aficcionados. A promoção da unidade a R$ 25 – quem compra três, leva seis; os que adquirem cinco, ganham dez – tem mantido lotados os espaços da empresa, que oferece uma coleção exclusiva dos Jogos Paralímpicos.

O frisson faz sentido, num mercado efervescente, no qual se consegue vender os mais raros por inacreditáveis US$ 1 mil (cerca de R$ 3.300), em leilões virtuais e sites de compra. “É um momento único da nossa história, e as pessoas buscam uma lembrança para guardar, mostrar no futuro aos filhos e netos”, decifra Adriana. “A força está nestes eventos inesquecíveis que são os Jogos Olímpicos e Paralímpicos”, arremata a “menina do pin”. Aliás, você viu ela por aí?