Já imaginou dar de cara com fotos de momentos importantes da sua vida  em tamanho gigante estampadas em caminhões da Coca-Cola? Foi dessa maneira que o designer Carlos Raynsford recebeu a notícia de que seria um condutor da Tocha Olímpica Rio 2016.

A surpresa foi preparada para o funcionário da Andina, engarrafadora no estado do Rio de Janeiro, que foi um dos vencedores da campanha que escolheu condutores da Tocha entre os funcionários do Sistema Coca-Cola Brasil. Para concorrer à promoção, Raynsford recriou o comercial da campanha nacional #IssoÉOuro, e o resultado emocionou os jurados. Assim como no vídeo original, em que o urso da Coca-Cola busca descobrir qual atividade física genuinamente carioca lhe renderá um momento de ouro, na versão, o funcionário pratica várias atividades, ao lado da filha, Bruna, de 7 anos: skate, slackline, corrida e dança.

“Logo quando soube da campanha, tive a ideia de recriar o comercial, mas, como as gravações demandariam muito tempo, acabei deixando de lado. Imagina o trabalhão de gravar em vários locais, modificar os horários dela… Até que, no penúltimo dia da promoção, o diretor de recursos humanos me perguntou se eu não iria participar. Ali me deu um estalo e resolvi tentar. No dia seguinte, minha filha e eu fomos para a praia às 6h gravar as cenas. Mandei o vídeo aos 45 minutos do segundo tempo, quando faltavam apenas 20 minutos para o fim do prazo!”, conta Raynsford.

A ideia foi reproduzir um pouco do dia a dia da filha e mostrar a importância de uma vida ativa, independentemente de limitações físicas. Aos dois anos de idade, Bruna teve um problema de saúde que a deixou paraplégica, mas ela pratica natação, balé, equoterapia, pilates e, nas horas vagas, vai para a pista de skate do condomínio onde mora. Um dos sonhos da menina é praticar corrida em cadeira de rodas. “O rapaz que conserta a cadeira da Bruna já foi atleta paraolímpico. Um dia, ela viu um pôster com uma foto dele pendurado na oficina e ficou encantada. O fato de não mexer as pernas nunca foi um limitador para a minha filha. Ela é mais ativa que eu e minha esposa juntos e nos prova todos os dias que basta força de vontade”, diz o pai.

Apesar de todo o empenho para fazer um vídeo bacana, Raynsford não acreditava que poderia ser um dos vencedores da ação, já que funcionários do país inteiro concorreram. “O tempo foi passando, vi alguns colegas de trabalho receberem e-mails da Coca-Cola Brasil, e nada para mim. Já tinha desistido quando fizeram a surpresa”, lembra ele. No dia em que foi surpreendido com o anúncio de que seria um dos condutores da Tocha Olímpica, o designer carioca nem desconfiava do espetáculo armado pelos colegas. Todos se reuniram no pátio da empresa fabricante, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, junto com a mulher e a filha do ganhador, para celebrar o momento. “Naquele dia, minha mulher, que nunca dirige durante a semana, pediu o carro para ir trabalhar. Já minha chefe inventou uma reunião na hora do almoço. O setor inteiro desapareceu ao mesmo tempo. Foram tantas pistas que até agora não sei como não desconfiei”, comenta Raynsford, rindo da situação.

No momento da surpresa, a ficha do designer também demorou a cair. “Quando vi a primeira foto, não percebi do que se tratava. Lembro que pensei: “Ué, ainda não fiz dez anos de empresa! Por que estão me homenageando? Só entendi quando vi a última foto, uma montagem de um retrato meu com a Tocha”.

E a homenagem não parou no pátio da Andina. A ação toda foi gravada e transformada em um vídeo, exibido cerca de um mês depois em um cinema, para toda a equipe Coca-Cola de Jogos Olímpicos. “Fiquei sem palavras! Foi muita emoção. Ainda pude viajar ao lado da Chama Olímpica, no voo que a trouxe da Suíça, junto com o vice-presidente da Coca-Cola Brasil para Jogos Olímpicos, Flávio Camelier”, celebra o designer.

Raynsford conduziu a Tocha pela Coca-Cola Brasil no último dia do Revezamento, no Rio. “O vídeo foi escolhido por causa da participação da Bruna. Se ela não tivesse essa energia toda, eu não teria sido um dos vencedores da campanha. Na batalha da adaptação dela, aprendemos mais com ela do que ela com a gente. Sua capacidade de ver sempre o lado positivo nos inspira. Foi por ela que conduzi a Tocha”, lembra.