Trabalho pode (e deve) ser divertido, sem abrir mão da responsabilidade. Essa foi uma das muitas lições que oito estudantes de jornalismo aprenderam ao participar do projeto Conexões — projeto que, a partir do patrocínio da Coca-Cola Brasil aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, mostrou aos futuros profissionais como se pode fazer — e repensar — a cobertura desses megaeventos. 

Os alunos tiveram como mentor Aydano André Motta, jornalista com passagens por grandes jornais e revistas, e foram incentivados a buscar um olhar criativo sobre o que estavam presenciando. Cada jovem recebeu ingressos da Coca-Cola Brasil para ir a três eventos e relatar, com originalidade, o que testemunharam. O projeto foi dividido em duas etapas: a primeira, durante os Jogos Olímpicos; e a segunda, nos Jogos Paralímpicos.

Estudantes de universidades cariocas — Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha) –, eles aprenderam que, nem sempre, a história mais interessante estaria dentro de quadras, piscinas, ginásios.

A experiência de assistir a uma competição paralímpica inspirou Gustavo Côrtes e Lucas Paes a escreverem sobre como é torcer em silêncio durante as partidas do futebol de 5, em que os jogadores cegos se orientam pelo som dos guizos no interior da bola. Os estudantes não ficaram só em sua própria percepção: também entrevistaram espectadores e criaram um blog para publicar suas reportagens.

Já Larissa Muylaert e Gabriel Morais decidiram mostrar as diferenças entre as condições de acessibilidade no Parque Olímpico e no resto da cidade. A jovem só ficou com um arrependimento: não ter experimentado caminhar com uma venda nos olhos para ver como se sentia, como havia sugerido o mentor. 

A determinação e o esforço dos nadadores paralímpicos levaram Lívia Bruzz a contar a história da mãe de uma amiga, que transformou a vida por meio desse esporte, apesar de não ter os movimentos em uma das pernas. Por sua vez, Luciana Lino focou na animação da torcida brasileira, que lotou as instalações paralímpicas. Numa luta de judô entre um japonês e um lituano, o público torceu pelo árbitro, um brasileiro. 

“Ganharam os dois lados: os jovens participaram da iniciativa imbuídos do sentimento de profissionais, enquanto nós usamos o projeto como um termômetro, para sentir o mercado atual e futuro da comunicação”, explicou Luiz Felipe Schmidt, gerente de Comunicação da Coca-Cola Brasil.

Palestra do Coletivo Conexões

Adriana Lorete


Caio Brasil, aluno do 7º período da UFRJ, resolveu conversar com crianças que assistiram a uma competição de atletismo, mas elas eram tímidas e as entrevistas não renderam como ele esperava. Na saída do Engenhão, no entanto, o estudante encontrou três meninos que queriam os famosos copos de plástico que fizeram sucesso nos Jogos. Ali estava a história: “Gravei um vídeo com eles, só que não consegui editar como gostaria dentro do prazo e acabei optando pelo texto”.

Durante os Jogos Paralímpicos, o projeto começou com uma tarde de palestras com jornalistas esportivos como Jorge Luiz Rodrigues, Bruno Neves e Thiago Lavinas. Depois, ao longo do evento, os estudantes faziam um post por dia em suas redes sociais, além de apresentar reportagens sobre as partidas a que foram assistir. A ideia era ir além do “quem ganhou e quem perdeu” e inovar. “A gente mostrou a eles as possibilidades do jornalismo multimídia, com os melhores exemplos praticados atualmente. Também pedimos que fugissem do noticiário básico, que explorassem pautas diferentes nos eventos. Foi uma experiência muito rica para eles, que ficaram mobilizados e se esforçaram bastante”, comentou Aydano.

Coletivo Conexões

Adriana Lorete


Para os estudantes, a experiência foi bastante diferente do dia a dia universitário. O prazo curto para a entrega de uma reportagem, por exemplo, foi um fator novo para alguns. “Na faculdade, temos um mês para entregar uma matéria”, contou a estagiária da área de Comunicação da Coca-Cola Brasil Pâmela Almeida da Silva, que se juntou ao grupo.

O olhar atento durante a apuração foi outro aprendizado para eles. “Fui a algumas partidas por conta própria, para me divertir. Já naquelas em que estava trabalhando como repórter, fiquei o tempo todo concentrada na apuração das informações, de olho para não perder nada”, lembrou Luciana Lino, do 8º período da Facha.

Para marcar o final do Conexões, Aydano fez uma palestra sobre reportagem criativa, em que falou sobre o new journalism, conceito que busca inspiração na literatura para prender a atenção do leitor. O jornalista também enfatizou a contribuição que os jovens podem trazer para a profissão, utilizando em suas histórias aquilo que eles melhor dominam: as ferramentas multimídia. “Hoje mesmo vamos ler no Facebook um post que pode ser mais interessante que uma matéria publicada nos jornais impressos”, explicou Aydano, destacando o papel das novas mídias.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico