Na passagem da Tocha Olímpica pelo Nordeste três condutoras chamaram a atenção: estavam grávidas de oito meses. Maria Luciamar, Raquel Sampaio e Katyellen Silva conduziram a Chama Olímpica em Natal, Capim Grosso e Recife, respectivamente. Funcionárias da Solar – fabricante do Sistema Coca-Cola no Brasil – elas nem imaginavam que estariam grávidas na data do Revezamento. “Quando fiz minha inscrição no concurso interno da empresa para ser uma condutora nem pensava em engravidar, tanto que, quando descobri a gravidez, ainda estava participando do processo. Até fiquei na dúvida se deveria continuar concorrendo, pois, pelos cálculos, estaria com oito meses, mas achei melhor esperar o resultado. E, quando passei, já que fui escolhida, não quis desistir”, comenta Raquel Sampaio, de 24 anos.

Nem a distância da cidade selecionada para a condução a fez mudar de ideia. Raquel correu em Capim Grosso, a 400 quilômetros de Simões Filho, cidade onde mora, na Bahia. “Na estrada, passei por um município onde já estava acontecendo o Revezamento. Ali fiquei emocionada, com o coração batendo mais forte”. Quando desceu do ônibus da Rio 2016 para aguardar o início do percurso, sentiu-se como uma artista. “Todo mundo queria tirar foto comigo. No dia seguinte, eu era notícia em vários jornais e sites da região. Até no YouTube tinha um vídeo em que eu aparecia correndo. Tive meu dia de fama”, brinca Raquel, que guardou todas as reportagens e pretende montar um diário para o filho, Heitor, ler no futuro. “Conduzi com uma das mãos na minha barriga, para que ele sentisse também. Foi um momento para nós dois”.

Operadora do serviço de atendimento ao consumidor da Solar, Katyellen Silva, de 24 anos, também teve receio quando recebeu a notícia de que seria condutora aos oito meses de gravidez. “Mas foi incrível. Não imaginava tamanha emoção. Foi tranquilo e até corri um pouquinho”, orgulha-se Katyellen. Ela pretende estimular a filha, Kallyn, agora já recém-nascida, a praticar esportes desde cedo. “Vai que surge uma atleta daqui a 20 anos!”, brinca. “Dedico esse momento a ela e, além de guardar na memória, já emoldurei na decoração do quarto dela: coloquei a foto no portarretrato ao lado do berço”.

Analista no departamento jurídico, Maria Lucimar Rocha, de 28 anos, decidiu se inscrever para incentivar o sobrinho, atleta, que sonha em ser jogador de futebol profissional. “Fizemos um acordo, e um incentivaria o outro durante as etapas de seleção: ele concorreu pela campanha nacional da Coca-Cola Brasil e eu, pelo concurso para os funcionários. Acabou que só eu passei, mas ele ficou feliz, e curtimos juntos”. Agora mãe do menino João Lucas, Maria Lucimar registrou cada detalhe do dia de condutora. “Meu filho já nasceu com história para contar. Está tudo registrado em vídeo e foto”, garante.