Vem de um mar longínquo, a meio mundo de distância, o esporte supercarioca que se transformou rapidamente em sucesso de público e crítica na orla da cidade. O stand up paddle nasceu no meio do Pacífico, lá longe no Havaí, mas foi neste cantinho ensolarado no Atlântico Sul que encontrou sua casa.

Apesar do nome estrangeiro, tem o DNA do Rio o remar plácido, de pé sobre a prancha, para saborear o ritmo pacato da maré, a brisa e a paisagem, conjunto mais que perfeito do lazer. Jamais por acaso, está entre os esportes que mais crescem no Brasil.

Para facilitar, o stand up até pode ser praticado em rios e lagoas, mas é no mar que se torna arrebatador. Basta observar a satisfação durante e depois de cada viagem sobre a prancha na água salgada. Conta, também, o perfil democrático do esporte, que produz apaixonados de todas as idades, sexos, tamanhos.

Stand up paddle

André Teixeira

Quer conferir? Vá ao Posto 6, cantinho de ondas amenas e beleza cinematográfica no finalzinho de Copacabana. Nos últimos verões – e primaveras e outonos e invernos –, as pranchas se integraram ao cenário emoldurado pela curva sensual da mais famosa praia carioca. Felipe Solé está lá como testemunha. Estudante de engenharia, 24 anos, ele comanda a barraca SupCopa (as três primeiras letras do nome são as iniciais pelas quais os iniciados chamam o esporte), a primeira da região – está lá desde 2009 – e uma das preferidas dos turistas

Stand up paddle

André Teixeira

“Nem lembro a última vez que calcei sapato”, diverte-se ele, os pés felizes na areia, enquanto observa seu sócio, Hiram Kennedy, orientar duas clientes, mãe e filha, sobre os procedimentos obrigatórios aos iniciantes: o bico da prancha jamais pode ficar submerso; o remo precisa ser mantido longe do corpo, seguro na ponta e no meio; os iniciantes vão de joelho; para ficar de pé, deve ser no meio da prancha, evitando escorregões; quem quiser, pode usar colete salva-vidas, à disposição na barraca.

Beach boys de Waikiki

A SupCopa mantém estoque de 20 pranchas, que levam uma ou duas pessoas, pelo mesmo preço: R$ 50 a hora ou R$ 30 a metade do tempo. No verão, tem fila e o expediente se alonga de 8h até o pôr do sol, no meio da noite – muito por causa das condições perfeitas para o esporte no Posto 6. Afora nos dias de ressaca (próprias aos atletas cascudos), o canto da praia forma uma enseada de ondulações suaves e convidativas. “Aqui é o melhor lugar do Rio”, assegura Solé, apresentado ao stand up há pouco mais de uma década por um primo, dono de barraca diante do mar esmeralda de Angra dos Reis.

Ele até chegou tarde. O esporte inventado nos anos 1940 pelos beach boys da lendária praia de Waikiki – sob o nome Hoe He'e nalu, na língua nativa – desembarcou por aqui algumas décadas depois, trazido pelos pioneiros do surfe brasileiro. Os motivos eram práticos: o stand up servia como fase inicial de aprendizado dos movimentos mais radicais sobre as ondas. Num verão remoto, ganhou vida própria. A popularização viria muito depois.

Stand up paddle

André Teixeira

Até virar ganha-pão, a ponto de manter Solé à distância segura da vida em escritórios. Seu cotidiano é regido pelo céu – quando amanhece azul, ele monta a barraca cedinho e convoca os outros instrutores; se abre mais tarde, o expediente começa ao meio-dia; em dias chuvosos, folga. No mais... “Só me preocupo em comprar protetor solar e sunga”, arremata ele.

Como se diz hoje em dia, de boas.

Texto produzido pela Ecoverde Conteúdo Jornalístico