Henrique Platais
Quem vê o economista Henrique Platais trabalhando na sede da Coca-Cola Brasil, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, não imagina que por trás da mesa de trabalho há um árbitro de rugby – escolhido para ser um dos 14 que irão apitar as partidas do esporte nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Não foi sorte nem coincidência. Henrique quis e trabalhou pela realização desse sonho. “Em 2009, quando anunciaram que os Jogos Olímpicos aconteceriam no Rio, e, logo depois, que o rugby faria parte das modalidades esportivas, eu pensei: ‘Quero estar lá’. Minhas chances como jogador seriam menores, então resolvi investir na carreira de árbitro em busca de uma vaga no time de juízes”, lembra Platais.

Em Niterói, ele cresceu em contato com o esporte, jogando com primos, pai e irmão. “Jogo rugby desde os 13 anos, mas sempre como hobby. Cheguei a integrar a seleção brasileira juvenil, mas é difícil você seguir no alto rendimento, enquanto tenta conciliar trabalho, estudo e dedicação ao esporte. A maneira que encontrei de chegar até os Jogos foi tornando-me árbitro”.

Depois de decidir mirar nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Platais teve cinco anos para se dedicar. “Lembro que as pessoas mais próximas não entendiam minha decisão, mas as coisas foram acontecendo aos poucos. Passei a arbitrar a primeira divisão no Brasil, recebi apoio dos árbitros mais experientes e fui conquistando espaço. Passei pelo Campeonato Brasileiro, o Sul-Americano e, em 2011, fui selecionado para um processo na Federação Mundial – um programa que recruta árbitros no mundo, apenas oito por ano, a fim de serem qualificados para o painel mundial. Foi minha chance de chegar aos Jogos Olímpicos, e consegui!”.

O rugby tem uma origem em comum com o futebol, e, por isso, há similaridades entre os dois esportes. O estilo que será disputado na Rio 2016 será o rugby sevens, um jogo rápido, mas bem intenso, já que são apenas sete jogadores em campo. É a primeira vez que o seven entra em uma edição dos Jogos Olímpicos. O rugby tradicional, com 15 jogadores, já fez parte do evento, mas a última vez que isso aconteceu foi em 1924. “Para o esporte, é importante fazer parte dos Jogos, pois dá visibilidade. Quando a modalidade ganha um status de esporte olímpico, isso ajuda na arrecadação de recursos, de patrocínio, além de, claro, atrair novos praticantes. Para o atleta, praticar um esporte que dá a chance de participar dos Jogos Olímpicos é uma motivação a mais”, observa Platais.

Depois dos Jogos Olímpicos, porém, Platais pretende desacelerar. Não vai parar de arbitrar, mas quer diminuir o número de campeonatos nos quais trabalha. “O nível de sacrifício exigido é muito alto. Geralmente, nos fins de semana, estou em outros países arbitrando jogos. Uma vez, saí da Argentina às 2h para trabalhar no mesmo dia. Também já fui ao Canadá para ficar somente dois dias. Foi cansativo, mas eu tinha uma meta. E valeu a pena”, pondera.