“Quando me ligaram para perguntar se eu queria ser um dos 12 mil condutores da Tocha Olímpica Rio 2016, eu não acreditei. Achei que fosse um trote. Você não espera um telefonema desses! É o sonho de qualquer atleta”, conta Dieiverson Perin, de 26 anos, praticante de paracanoagem.

Após sofrer um acidente de carro que o deixou paraplégico, em 2010, Perin, que mora, hoje, em Vera, no Mato Grosso, conheceu a canoagem no tratamento de reabilitação, no hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. “Eles usam o esporte de forma lúdica para que você se sinta novamente capaz. Lá tive contato com várias modalidades adaptáveis, mas foi a canoagem que me deu mais liberdade. Vi que não dependia das minhas pernas, mas da minha capacidade de querer me superar a cada dia”, lembra Perin.

A carreira de atleta profissional de canoagem paralímpica veio mais tarde. “Quando voltei do tratamento em Brasília, comprei uma canoa para praticar por lazer, numa lagoa da cidade. Na época postei uma foto no Orkut, e o atleta Fernando Fernandes viu o clique e me convidou para treinar em São Paulo com a equipe dele por 15 dias. Topei na hora”, diz o canoísta que viu no apoio e na história de vida de Fernando uma fonte de inspiração e motivação para sua dedicação ao esporte. “Eu era sedentário antes do acidente. Não praticava nenhuma modalidade esportiva. Hoje não imagino viver sem. Quando pensei que tudo tinha terminado foi na verdade o momento em que minha vida começou”.

Perin considera sua primeira competição o momento que mais marcou sua vida: a maratona de 33 quilômetros no rio Araguaia. “Eu era o único deficiente físico entre os competidores e, na reta final, deixei muita gente para traz. Foi ali que tive certeza de que queria competir”, afirma. Embora não tenha se classificado para participar dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 em sua modalidade, Perin não desanima e já treina para os próximos Jogos. “Daqui para frente é 2020!”.

São muitas as histórias de superação contadas pelos condutores da Tocha Olímpica Rio 2016, que inspiram e representam o povo brasileiro. Como Perin, muitos jovens veem no esporte a oportunidade de recomeçar. O atleta de goalball Renan Bezerra ficou com 100% da visão comprometida aos seis anos de idade, mas aos 14 começou a competir e hoje, aos 16, é considerado uma promessa do esporte brasileiro. Ele atualmente integra a Seleção Paraibana Juvenil de Goalball e já coleciona títulos, como o de campeão das Paralimpíadas Escolares e o de Melhor Atleta Juvenil, e ainda sonha em competir nos Jogos Paralímpicos. Ele conduziu a Chama Olímpica a convite da Coca-Cola Brasil em João Pessoa, na Paraíba. “Nunca imaginei conduzir a Tocha. Representa muito para um atleta paralímpico ter essa oportunidade. É uma sensação inexplicável”, comenta Renan, que sonha jogar na Seleção Brasileira. “Como todo atleta quero é chegar à Seleção e conquistar medalhas nos Jogos Parapan-Americanos e nos Jogos Paralímpicos”, diz.