Transformação é a palavra de ordem no Refettorio Gastromotiva, restaurante comunitário que serve jantares gratuitos com pratos preparados pelos melhores chefs do mundo para pessoas de baixa renda durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

A metamorfose começa pelos alimentos, excedentes da preparação das refeições que vão para a Vila dos Atletas, Media Center ou para a força de trabalho do Rio 2016. Os ingredientes, que iriam para o lixo, são enviados toda manhã para o refeitório construído na Rua da Lapa 108, onde o chef responsável pela refeição – toda noite há um profissional diferente cozinhando para os convidados – decide qual será o menu. No dia em que o Coca-Cola Journey visitou o Refettorio, quem cozinhava era o francês Alain Ducasse, um dos chefs mais reconhecidos do mundo. Ele levou seu sous chef (braço direito) e teve a ajuda de alunos da ONG que está à frente do projeto, a Gastromotiva, que há dez anos promove transformações sociais por meio da gastronomia, com cursos profissionalizantes de auxiliar de cozinha para jovens de baixa renda no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Salvador e na Cidade do México.

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Diego Santos, de 27 anos, é um dos símbolos desse processo. O jovem da Zona Norte de São Paulo fez o curso gratuito de três meses da escola de gastronomia em 2009. À época, trabalhava como auxiliar de cozinha em um supermercado. O jovem se destacou tanto que ganhou bolsa de uma universidade parceira da ONG para fazer o curso técnico completo de gastronomia. Tornou-se professor da Gastromotiva e, há dois anos, foi convidado pela associação Slow Food Internacional para estudar na Universidade de Ciências Gastronômicas na cidade de Bra, na Itália, onde mora atualmente.

Santos, que fala italiano e inglês fluentemente, aproveitou suas férias para trabalhar no projeto de gastronomia social no Rio. Ele é responsável pelos sorvetes. Todos os dias há um sabor diferente. “Não dá para dispensar a chance de trabalhar ao lado de Massimo Bottura (um dos realizadores do Refettorio), Alain Ducasse... Aprendo muito todos os dias”, afirma Santos. “A ONG me deu oportunidades que eu nunca teria imaginado conseguir. E eu aproveitei, né?”

Sobremesa fica pronta após 10 minutos dentro de máquina sorveteira

Sobremesa fica pronta após 10 minutos dentro de máquina sorveteira

Simone Marinho

Durante os Jogos, o Refettorio Gastromotiva servirá jantar todos os dias apenas para pessoas em situação de rua cadastradas no programa. A iniciativa, que tem apoio da Coca-Cola Brasil, faz um alerta contra o desperdício e estimula o aproveitamento integral dos alimentos. O Refettorio continuará depois dos Jogos Paralímpicos, uma vez que o galpão na Lapa foi cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro à Gastromotiva por dez anos. O projeto continuará atendendo as pessoas e se tornará também um restaurante-escola com o conceito “pague um almoço e deixe um jantar”. Além disso, vai oferecer workshops sobre alimentação saudável para famílias, merendeiras e gestores de escolas, além de oficinas sobre aproveitamento integral de alimentos.