Cobrir o maior evento esportivo do mundo é sonho distante para muitos jornalistas. Mas uma turma de 18 jovens está fazendo isso antes mesmo da formatura. O projeto Conexões aproveita o patrocínio da Coca-Cola aos Jogos Olímpicos Rio 2016 para aproximar estudantes do megaevento. Com o apoio do mentor Aydano André Motta, jornalista com mais de 30 anos de experiência em redações de grandes veículos, o grupo formado por alunos da PUC-Rio, da UFRJ, da Facha e por repórteres do portal Voz das Comunidades está produzindo conteúdos nas mais variadas linguagens e formatos.

A turma foi dividida em pequenas equipes de trabalho, que tiveram carta branca para escolher os temas de suas reportagens. Os participantes ganharam três ingressos para jogos variados, em diferentes arenas, onde puderam fazer as apurações para seus textos.

Nesta segunda-feira, depois de uma reunião de pauta na qual os jovens discutiram suas ideias para as reportagens, todos assistiram juntos a uma partida de handebol na Arena do Futuro, no Parque Olímpico. Os "focas", como são chamados jornalistas em início de carreira, também aproveitaram para “tocar suas pautas”, como diz-se no jargão do jornalismo. Saíram de bloquinhos e celulares em punho para encontrar histórias e fazer entrevistas. Alunos da PUC-Rio, Leonardo Marques, de 22 anos, Ana Patrícia Paiva, Juliana Valente, e Larissa Rocha, de 21 anos, foram em busca de voluntários, faxineiros e vendedores do Parque Olímpico para saber como funciona a operação por trás do espetáculo. “Queremos mostrar os bastidores dos Jogos Olímpicos. Tem muita gente por trás do espetáculo, trabalhando para que tudo aconteça, e nós temos uma chance muito legal de ouvi-las. Estamos aproveitando”, disse Leonardo.

Já o grupo formado por Melissa Cannabrava, de 25 anos, e Luana Mesquita, de 24, ambas repórteres do portal Voz das Comunidades, escolheu a educação ambiental como pauta. Será que o público dos Jogos está jogando o lixo nos cestos corretos? A coleta seletiva está funcionando bem? “Estamos de olho nos hábitos da galera, tanto dos brasileiros quanto dos estrangeiros”, garantiu Melissa.

Também de antena ligada no comportamento da torcida estavam Carolina Moura, de 21 anos, e Vitor Cachoeira, de 20, alunos de jornalismo da Facha. Eles querem comparar os hábitos do público dos estádios olímpicos com os de futebol. “Está sendo legal ver que o país do futebol também está se interessando por outros esportes. Claro que tem gente que vaiàs partidas só para tirar selfies (risos). Mas, depois de conversar com várias pessoas, notei que muitas têm pesquisado sobre as modalidades”, observou Carolina.

Com o olhar sempre voltado para as mídias digitais, os jovens estão desenvolvendo reportagens com muitos vídeos e conteúdos para alimentar também redes sociais. Alunos da Facha, Vinícius Savioli, de 26 anos, José Alessandro Oliveira, de 40, e mais dois colegas criaram o perfil @OlympicPeople no Instagram. Nos moldes de outras contas que registram imagens e histórias de transeuntes em grandes cidades do mundo, a página criada pelos estudantes traz sempre a foto de um personagem curioso (seja um torcedor, o parente de um atleta ou qualquer pessoa que capture a atenção dos alunos) acompanhada de um texto que conta a breve história daquele encontro. Até uma diplomata americana e os pais de uma medalhista de ouro já apareceram no @OlympicPeople.

“Tenho estimulado os estudantes a procurarem sempre algo diferente na reportagem que estão fazendo, um ângulo novo para abordar os assuntos. É importante observar com cuidado cada detalhe e conversar com as pessoas para descobrir histórias inusitadas”, comenta Aydano André Motta, mentor da turma. “É uma chance única de ter essa experiência valiosa logo no início da carreira”, ressalta o professor.

Os trabalhos finais serão entregues no dia 26 de agosto, mas sem compromisso com notas, rankings ou competição. A única regra é aproveitar ao máximo a experiência para aprender. Após ouvir as dicas do mentor, o time de repórteres também ficará livre para publicar suas histórias de ouro onde quiserem: redes sociais, blogs, portais e onde mais encontrarem seus leitores.

Esta semana, na partida de hanebol, houve o segundo de quatro encontros do projeto. No primeiro, os alunos assistiram a palestras sobre duas opções de carreira – a de assessor de imprensa e a de repórter. Carina Almeida, CEO da agência de comunicação Textual, que presta serviços para o Comitê Olímpico do Brasil (COB) desde 1998, contou como é trabalhar com marcas e grandes empresas, enquanto o mentor da turma, Aydano, mostrou o olhar do repórter. Os jornalistas iniciantes ainda puderam sentir um gostinho de como é ser repórter de verdade ao participarem da coletiva de imprensa do lançamento do Parada Coca-Cola, espaço montado na Zona Portuária do Rio para receber shows e outras atividades voltadas ao público jovem. Ainda haverá outro encontro no Parada Coca-Cola, na semana que vem, e o último, na sede ca Coca-Cola Brasil, depois dos Jogos, quando mostrarão seus trabalhos.