Nada de tomar champanhe embaixo da Torre Eiffel ou nadar com golfinhos em Bora Bora. Na hora de escolher onde passariam a lua de mel, Adriano Torres e sua então noiva, Maria Zerkowski, decidiram realizar um sonho: conhecer o Japão. Apaixonados pela cultura nipônica, os dois dispensaram os clichês românticos para mergulharem juntos em um universo desconhecido. Em 2013, visitaram Tóquio, Osaka, Kyoto e voltaram com uma certeza: “Queremos morar nesse país”.

Um ano depois, lá estavam os dois, mais a cadelinha Vik, de mala e cuia no Japão. Nascido em Barra do Piraí, no Rio, Torres acabara de assumir o cargo de diretor de Marketing da The Coca-Cola Company no Japão. Poucos antes, em 2012, como gerente sênior de Marketing da Coca-Cola no Brasil, ele e sua equipe haviam implementado a campanha “Quanto mais Zero melhor”, para Coca-Cola Zero, aquela que levou os nomes de centenas de brasileiros e brasileiras para os rótulos de latinhas e garrafas. Mas estava na hora de partir para novos desafios, e Torres sabia que o mercado japonês impunha muitos. Lá, passou a tomar conta da marca Coca-Cola, uma parcela do enorme portfólio de 126 produtos comercializados por toda a The Coca-Cola Company no Japão.

O publicitário morou em Tóquio por dois anos – recentemente, mudou-se para Atlanta, onde é diretor Global de Marketing de Lácteos – e se adaptou muito bem aos costumes do Japão. Baseado em sua experiência, ele nos conta algumas curiosidades sobre os hábitos de consumo e de trabalho na Terra do Sol Nascente. Por exemplo: sabia que lá no Japão também tem Matte Leão? E que o país de 127 milhões de habitantes tem cinco milhões de máquinas de venda de bebidas (conhecidas como vending machines)? Só a Coca-Cola tem um milhão delas no país.

Confira a lista de sete curiosidades sobre consumo, estilo de vida e a indústria de bebidas nas palavras de Torres:

1. Ingredientes locais

“Durante o período Edo, de 1603 até 1868, o país ficou fechado para o mundo. Ninguém saía e ninguém entrava. Então, por 200 anos, o país desenvolveu sua culinária utilizando apenas ingredientes locais: basicamente peixe, arroz e chá. Por isso o povo dá muita importância para a pureza dos ingredientes”.

Vending machines: máquinas são febre no Japão. Há cerca de um milhão em todo o país

Vending machines: máquinas são febre no Japão. Há cerca de um milhão em todo o país

2. A febre das ‘vending machines’

“No país onde há mais vending machines no mundo, elas chegam a cinco milhões. Os japoneses adoram resolver suas tarefas de maneira rápida e eficiente, com o mínimo de interação. Por isso, é o paraíso do autosserviço e das lojas de conveniência. Existe uma em cada esquina de Tóquio, sempre funcionando 24 horas. Lá você pode sacar dinheiro, imprimir um documento ou comprar comida”.

3. Cestinha de compras

“A forma de se fazer compras no Japão é bem diferente da brasileira. Como as casas são pequenas e não há muito espaço na geladeira ou na despensa, compra-se menos a cada ida ao mercado, mas a frequência é maior. Ninguém usa aqueles carrinhos imensos que temos no Brasil, apenas cestinhas. Com essa rotina ágil de compras, é preciso ter sempre algo diferente no mercado para atrair o consumidor”.

Taiyo no Matecha: matte também é vendido no Japão

Taiyo no Matecha: Matte também é vendido no Japão

4. Os japoneses também bebem Matte

“O Japão tem o portfólio mais diversificado do mundo. Entre os itens mais fortes temos o café enlatado Georgia, o chá verde Ayataka, o isotônico Aquarius, e até uma versão do Matte Leão, que aqui se chama Taiyo no Mate Cha”.

5. A cerimônia da troca de cartões

“É um pecado mortal ir a uma reunião e não ter cartões para entregar. Servem como um código que diz: ‘Desejo manter essa relação comercial’. E ainda existe uma maneira correta de se fazer isso. É preciso usar as duas mãos para entregar o papel, executar uma saudação e ainda seguir uma ordem, começando o ritual pelo negociante mais importante da mesa. Ah, e não se guardam os cartões no bolso porque isso representa desleixo!”.

6. O código de vestuário

“Na primeira convenção de engarrafadores a que fui no Japão, poucos dias depois de chegar, usei uma roupa um pouco mais informal, já que, no Brasil, o pessoal costuma ir de calça jeans mesmo. Estava de blazer e camisa social. Eu era a única pessoa sem gravata na convenção inteira!”.

7. Quinze segundos valem ouro

O formato padrão do comercial de TV no Japão é de 15 segundos, não de 30 como no Brasil. Então eles precisam ser ágeis e chamar muita atenção. Por isso são tão inusitados. Ao mesmo tempo, o consumidor exigente quer saber qual benefício aquele produto vai levar para sua vida. Tem vitaminas? É gostoso? Então os comerciais têm essa combinação de elementos surreais e informação direta, o que parece frenético para um espectador ocidental. Mas é apenas um padrão visual diferente. Além disso, os jovens adoram comerciais com pessoas famosas, então é bastante comum que atores de Hollywood gravem propagandas para companhias locais”.