A diretora da Escola Municipal Alfredo Germano Hardt, Caroline Brunken, 35 anos, não esconde de ninguém sua satisfação em liderar o processo de aprendizagem de cerca de 200 alunos, de 4 a 12 anos, na área rural de Joinville, em Santa Catarina. Isso porque acredita que aquele espaço, que conta com apenas cinco professores, promove um ensino inclusivo que faz a diferença na formação das crianças.

Formada em enfermagem, Caroline trabalhou por oito anos em hospitais da região. Em 2002, decidiu mudar de área e seguir um sonho antigo: cursar pedagogia. Quatro anos depois, começou um mestrado na área de educação. Enquanto isso, era professora substituta nos dias em que os titulares precisavam se ausentar para planejar as aulas. Em 2013, foi convidada para dirigir a escola.

“No primeiro ano realizamos um trabalho de educação ambiental. Já em 2015, surgiu a ideia de participar do programa Geração Movimento, que conscientizou toda a equipe sobre a importância da educação física e do desenvolvimento integral dos cidadãos que formamos”, ela relembra.

Com todos os professores focados em melhorar o ensino, a ideia do projeto sobre desenvolvimento corporal foi bem aceita. “A iniciativa valoriza a criança e respeita os direitos que ela tem de se expressar”, comenta Caroline sobre os benefícios de integrar a disciplina de educação física às salas de aula, promovendo uma real interdisciplinaridade. “Isso é fazer um ensino com qualidade e com foco no desenvolvimento do aluno”, afirma a educadora, que considera as atividades físicas decisivas na formação de habilidades como foco, liderança e respostas motoras rápidas.

Geração Movimento

Escola Municipal Alfredo Germano Hardt, em Joinville (SC), que participou do Geração Movimento

Raul Régis / Maker Brands


Time formado

No projeto de capacitação, chamado Geração Movimento, todos os professores se reuniam quinzenalmente para discutir e aprender sobre o impacto positivo da expressão corporal no desenvolvimento dos alunos. “Foi muito enriquecedor, porque descobrimos os talentos dos colegas, avançamos o olhar em relação ao corpo e reconhecemos o grande desafio da professora de educação física”, explica.

Carolina conta que, depois do curso, a escola com quase dez funcionários passou a operar de forma mais integrada. “Hoje somos um time mesmo, focado em auxiliar as crianças, e estamos muito entrosados”, comemora. Para a professora Suzana Dognini, 35 anos, a iniciativa promoveu um contato entre os professores: “Muitas vezes, eu não interagia. Depois do projeto, fui mais procurada e as quadras de esporte viraram referência até para discutir perímetro, por exemplo”.

Como a escola é rural, Caroline e a equipe priorizam o trabalho ao ar livre. “Queremos que a escola seja um lugar para exploração lúdica e de conhecimento prático”, defende. Para a construção de um caminho das salas de aula até o pomar, por exemplo, as crianças foram desafiadas a calcular a quantidade de tijolos necessários. Na horta, elas plantam e aprendem sobre o clima e as estações do ano. Com os animais, o aprendizado gira em torno da compreensão e respeito com a natureza.

Caroline também recorda que quando a escola recebeu uma aluna com necessidades cognitivas causada pela microcefalia, toda a equipe procurou se adaptar. “Ela não conseguia resolver determinadas atividades em sala de aula, mas conseguia fazer um circuito inteiro na aula de educação física”, lembra a diretora, que se orgulha de promover uma educação inclusiva, que além dos conhecimentos técnicos, explora e desenvolve características artísticas, corporais e de liderança.

Texto produzido por Maker Brands