Ser uma enfermeira reconhecida profissionalmente, aprender outros idiomas, viajar e conhecer diferentes culturas. Esses são os planos de Doralice Maira da Silva Santos, de 19 anos, hoje jovem aprendiz em uma grande rede de farmácias de Maceió (AL), seu primeiro emprego. “Quero continuar trabalhando, fazer faculdade de enfermagem, intercâmbio para estudar inglês. Correr atrás dos meus sonhos”, diz ela. Mas não foi fácil chegar até aqui.

Como acontece com muitas pessoas de sua faixa etária, o primeiro emprego foi um desafio para Doralice. Filha de Jadiel Augusto dos Santos, de 65 anos, dono de uma loja de utensílios para pesca, e Maria José da Silva, de 46 anos, dona de casa, a caçula e seus dois irmãos foram orientados a dar valor aos estudos desde pequenos. Mas algumas pedras deixaram o caminho da menina mais difícil.

Em 2005, quando tinha 8 anos de idade, Doralice perdeu o irmão mais velho, de 15, vítima de uma doença rara. Em 2013, o irmão do meio morreu, aos 18 anos, após sofrer um choque elétrico. Doralice tinha 16 anos e cursava o Ensino Médio. “Foi um baque. Depois que isso aconteceu fiquei meio perdida, quase entrei em depressão. Mas criei forças para ajudar meus pais. Amigos e família me ajudaram muito”, relembra a jovem, que resolveu dar um tempo após completar os estudos em vez de tentar logo o vestibular. “Tinha passado por um período muito conturbado, então pensei em descansar um pouco, fazer algum curso e depois procurar um trabalho”.

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Doralice Santos

Beto Macário

Currículo ali… currículo acolá… nada dava muito certo. A falta de experiência pesava nos processos seletivos, mas Doralice não desanimou e acabou se lembrando do Coletivo Jovem, do Instituto Coca-Cola Brasil, pelo qual já havia se interessado anteriormente quando ainda não tinha idade para participar. Este ano, ao ver uma amiga curtir o programa nas redes sociais, não perdeu tempo. O Coletivo Jovem capacita pessoas de 16 a 25 anos para o mercado de trabalho, valorizando a autoestima e fazendo a conexão com novas oportunidades de geração de renda. Durante o programa, os alunos são estimulados a participar de projetos práticos nas comunidades onde vivem em temas como marketing, vendas, comunicação, tecnologia, eventos, entre outros.

“Já tinha feito algumas entrevistas de emprego, mas eles queriam pessoas com experiência e desenvoltura. Não tinha nada disso. Aí juntava com meu nervosismo na hora e eu não conseguia a vaga. Depois que fiz o Coletivo, fui para a seleção preparada e confiante de que ia conseguir. Não foi fácil, foram algumas etapas, mas passei!”, comemora, destacando o apoio que recebeu da educadora Arla Virgínia dos Santos, do Coletivo Jacintinho, unidade que frequentou de maio a junho.

'Tento mostrar para os alunos que, independentemente do contexto social em que vivemos, podemos ter nossas conquistas com estudo e dedicação', Arla, educadora


Aos 24 anos, Arla fica satisfeita por ter o trabalho reconhecido e lembra ter notado a timidez da aluna logo no início. "Eu tentava inseri-la no grupo, conversava, brincava, até que ela foi se soltando e agora até fala bastante!", brinca a educadora. "Quando surgiu a seleção para a farmácia, falei para Doralice que o não ela já tinha, então tinha que ir em busca do sim. Tento mostrar para os alunos que, independentemente do contexto social em que vivemos, podemos ter nossas conquistas com estudo e dedicação. Minha maior satisfação aqui é ver pessoas como eu, lá da periferia, sonhando, fazendo planos, motivadas", completa.

Agora, o desafio de Doralice é ter um bom desempenho na farmácia. De segunda a sexta, há cinco meses, esse é seu maior compromisso: ser jovem aprendiz. No dia a dia, ajuda os vendedores, organiza as mercadorias, aprende a lidar com o público e a se relacionar no ambiente de trabalho. “A cada dia aprendo coisas novas, como o comportamento ideal no local de trabalho”, conta a jovem, que aproveita para encorajar quem pensa em participar do Coletivo: “Primeiro, não pense duas vezes e faça! E se dedique para ter cada vez mais qualificação, isso faz parte do mercado de trabalho. Faça o seu melhor para depois colocar em prática tudo o que aprendeu”. Sobre objetivos, a jovem já tem o dela para 2017: “Vou prestar o vestibular para enfermagem e vai dar tudo certo! Não há nada melhor do que ajudar as pessoas no momento em que mais precisam”.