Surfar e dar aulas estão entre as paixões do professor de educação física Vanderlei de Souza, 51 anos. Como praticava muitos esportes desde criança, foi incentivado pelo irmão mais velho a seguir essa profissão, que se tornou um grande amor em sua vida. Em 1986, entrou para a faculdade. O primeiro emprego foi em 1992, na Escola Municipal Ada Sant’Anna da Silveira, em Joinville (SC). Desde então, mais de 12 mil alunos já participaram das brincadeiras que fazem parte das aulas de Souza, que dedica a vida à valorização do ensino corporal na formação dos alunos.

Mas nem sempre foi assim. No início, seu entendimento sobre educação física era um pouco diferente, mais focado na competitividade e nos alunos mais aptos. Com o tempo, ele percebeu que deveria também estimular o desenvolvimento corporal dos mais resistentes a essa disciplina. Hoje, Souza defende que a educação física é muito mais que uma recreação entre as aulas de matemática e história. “Aprendi que mais do que o resultado, o que importa é a qualidade do jogo”, explica.

Souza participou do programa Geração Movimento, que tem como objetivo a formação continuada de professores sobre a importância do corpo e dos movimentos para o desenvolvimento dos alunos. Com ele, outras cinco professoras toparam o desafio de discutir esse tema em sala de aula. “O curso veio na hora certa. Eu estava com baixa autoestima profissional”, admite o profissional, que já está próximo da aposentadoria.

Ao longo do curso, o grupo foi reconhecendo os benefícios do lúdico e da expressão corporal como parte essencial da formação dos alunos. Para Souza, a oportunidade foi importante para o fortalecimento das relações profissionais, já que a interação no ambiente virtual aumentou a troca de experiências entre professores de educação física de diversas partes do país.

Vanderlei de Souza, professor de educação física

Raul Régis / Maker Brands


Além disso, ele conta que a capacitação contribuiu para o reconhecimento da atividade física pelos professores regentes. “Saímos do curso reconhecendo os aspectos motor, afetivo e emocional como parte do desenvolvimento das crianças”, resume.

Desenvolvimento integrado

Depois do projeto, Souza diz que a dinâmica na escola mudou. Uma professora até pediu seu auxílio na elaboração de aulas sobre matemática para abordar distância e tempo no contexto dos Jogos Olímpicos. “Fiquei muito satisfeito em podermos exercer a interdisciplinaridade. Alguns professores me questionam como a minha disciplina pode ajudar os alunos tímidos. O curso abriu caminho para colaborarmos mais no desenvolvimento dos alunos”, ele comemora.

Para a professora Maisi Cristiana Teixeira, regente de uma turma do terceiro ano, o projeto traduz a importância do desenvolvimento corporal e da disciplina da educação física em toda a formação das crianças. “Os alunos necessitam muito mais do que apenas aspectos cognitivos, eles querem se expressar”, afirma Maisi.

Souza complementa: “A escola é o primeiro grupo social depois da família para eles. As crianças chegam inseguras e saem daqui jovens cheios de sonhos e projetos. Quando a responsabilidade é grande, é preciso unir forças”.  Para ele, a experiência foi enriquecedora e um passo para uma nova consciência sobre a educação física. “Vejo muita esperança na educação. O simples fato de empresas como Coca-Cola Brasil e Fundação Roberto Marinho investirem nisso revela a importância que a inovação nesse setor tem para sociedade”, finaliza

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