Frederick Allen trabalhava como repórter do “Atlanta Journal-Constitution” em 1973 quando um título em oito colunas na primeira página do jornal atraiu sua curiosidade. Em essência, o título era: “Doador anônimo dá US$ 10 milhões à cidade para Central Park”, recordou Allen em recente entrevista. 

Quando o editor de notícias locais revelou que o filantropo secreto era o presidente da Coca-Cola, Robert Woodruff, ele ficou perplexo. 

“Estávamos no meio da era Watergate, em que jornalistas estavam derrubando um presidente corrupto, e o jornalismo moderno estava nascendo”, disse Allen. “E ali estava um homem que tinha aquele tipo de poder... E um grande jornal diário alegremente escondendo seu nome”.  

Ao longo das duas décadas seguintes, Allen observou casualmente o que ele descreveu como “a mão invisível” de Woodruff guiando a cidade, não apenas como um executivo pioneiro em negócios, mas como um humanitário generoso e, o que talvez seja mais significativo, um influente defensor de direitos civis. 

“Não há nenhum exagero na influência que a The Coca-Cola Company teve em Atlanta”, disse Allen.  

Rick Allen conversa com Ted Ryan (à esquerda), arquivista da Coca-Cola, e Jay More, editor-chefe de Viagem da Coca-Cola


No início dos anos 1990, o colunista e repórter premiado que se tornou analista político e comentarista da CNN começou a se cansar do árduo trabalho diário do jornalismo. “Eu queria escrever livros”, disse ele. 

Woodruff, que morreu em 1985, seria o primeiro tema de Allen. O escritor estreante recebeu um acesso sem precedentes aos arquivos da Coca-Cola, bem como ao círculo interno de Woodruff e ao volume de documentos privados abrigado na Special Collections Library, da Emory University. 

“Foi como prospectar ouro”, disse ele. “Foi um trabalho exaustivo, mas de vez em quando uma pepita grande caía na peneira”.

Depois de vários meses pesquisando sobre Woodruff, ele percebeu, porém, que tinha uma história muito maior para contar. Diante de pedidos de alguns colegas literatos, Allen expandiu o âmbito de seu projeto de biografia de Woodruff para uma história completa da The Coca-Cola Company. Rapidamente ele conseguiu uma editora, a Harper Collins, e um título, “A fórmula secreta” (“Secret formula”, no original em inglês).

“Eu tive que telefonar para o departamento de RP da The Coca-Cola Company e dizer: ‘Gente, isso não é mais uma biografia do senhor Woodruff’ – com a qual eles estavam perfeitamente felizes. ‘É sobre toda a empresa, e teremos que entrar na New Coke e na era moderna”, recordou Allen, com uma risada. “Eles não ficaram nem um pouco felizes com isso”. 

Rick Allen nos arquivos da Coca-Cola em dezembro de 2015

O livro, que ele demorou quatro anos e meio para concluir, foi produzido de maneira independente e publicado em janeiro de 1994. 

“Há um estigma ligado a um livro autorizado, e há um estigma ligado a não ser autorizado”, explicou Allen. “Você não quer ser nenhum dos dois, então eu trabalhei com razoável consciência para manter uma distância de um braço... Eu brinco que a companhia odeia meu livro menos do que muitos livros que foram escritos sobre ela”.

Os personagens de “A fórmula secreta” são descritos de maneira vibrante, e a prosa de Allen é clara e veloz. “Certa vez alguém me disse: ‘Rick, cada capítulo termina como num seriado antigo. O que vai acontecer no próximo episódio?’”, disse ele.

Além de ser uma leitura cativante, “A fórmula secreta” é considerado por muitos historiadores e fãs de Coca-Cola um relato definitivo sobre o que foi preciso para construir tanto uma marca icônica quanto uma das maiores histórias de sucesso do mundo. Foi publicado em diversos países e lançado nos Estados Unidos em e-book no início de 2015.

Clique neste link para ouvir minha entrevista completa com Allen sobre o que foi preciso para escrever “A fórmula secreta” e por que o interesse por essa história se mantém mais de duas décadas após sua primeira edição: