O primeiro Dia Nacional das Mulheres foi realizado em 1909 nos Estados Unidos, em 28 de fevereiro, em homenagem às trabalhadoras do setor têxtil de Nova York que protestaram, neste dia, contra as más condições de trabalho. Nos anos subsequentes, o movimento foi ganhando força também na Europa, com manifestações sempre entre fevereiro e março. Até que, em 1975, o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional das Mulheres pela ONU, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas ou culturais. De acordo com a ONU, 1975 foi designado Ano Internacional das Mulheres. Mas, como ressalta o próprio site da organização, o crescimento do movimento ajudou a tornar a data um marco da reivindicação dos direitos das mulheres e da participação feminina na política e na economia dos países.

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De 1909 para cá, a luta das mulheres ganhou força nas ruas e chegou às mesas de reunião de empresas e organizações de todo o mundo. Tanto que, em 2012, a igualdade de gênero foi incorporada como um dos princípios-chave no documento resultante da Conferência Rio+20. Como consequência, a Agenda 2030 incorporou o princípio de “alcançar o desenvolvimento sustentável sem deixar ninguém para trás” e o tema se tornou um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e está presente em outros 12 objetivos. A Agenda 2030 representa o acordo mais robusto adotado pelos estados membros da ONU desde a Carta das Nações Unidas em 1945.

“O Secretário-Geral das Nações Unidas afirma que não avançaremos na agenda de desenvolvimento sustentável se deixarmos metade da população mundial para trás, por isso, o tema está refletido nas metas e indicadores de outros 12 dos 17 objetivos”, explica a representante do escritório da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, em uma palestra na sede da Coca-Cola Brasil, na semana em que se celebrou o Dia Internacional das Mulheres.

‘O Secretário-Geral das Nações Unidas afirma que não avançaremos na agenda de desenvolvimento sustentável se deixarmos metade da população mundial para trás’ – Nadine Gasman

A ONU Mulheres trabalha para combater a violência contra as mulheres, promover a igualdade de gênero, raça e etnia e o empoderamento econômico das mulheres. E para alcançar essas metas, é preciso trabalhar em rede: governos, setor privado e sociedade civil. No Brasil, em particular, como destaca Nadine, é imprescindível tratar da questão da desigualdade de gênero associada ao racismo:

“Nos últimos dez anos, o número de assassinatos de mulheres brancas caiu 10%, o de mulheres negras aumentou 54%, entre 2003 e 2013, como aponta o Mapa da Violência. No mercado de trabalho, os índices também demonstram a desigualdade racial, assim como no setor da saúde pública: 60% da mortalidade materna ocorre entre mulheres negras, contra 34% entre mães brancas, de acordo com o Ministério da Saúde. Esses dados justificam, portanto, o trabalho da ONU Mulheres e que ele se volte, em especial, para essa população”, afirma Nadine, que também foi diretora regional da campanha UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres para a América Latina e o Caribe e está no Brasil há três anos.