FAZENDA RIO GRANDE (PR) - Há um perfume no ar. Camomila, erva-doce e um toque de hortelã. Até o mais treinado dos sommeliers ficaria encantado com a mistura de aromas que paira na fábrica. O mix de odores varia de acordo com os sabores de chás que estão sendo embalados naquela semana. Para circular por ali, é preciso utilizar jaleco, óculos de proteção, protetores para os ouvidos, botas especiais, touca na cabeça, luvas e, em alguns locais, capacete. Ah, tudo esterilizado. Bem-vindos à Fábrica Fazenda Rio Grande, no Paraná, onde a Leão Alimentos e Bebidas produz 500 mil quilos de chás Leão Fuze por mês – e também a primeira fábrica do país a receber a certificação LEED, um atestado de que a construção segue rigorosos padrões de sustentabilidade.

Dentro de uma das cinco cabines do sistema de qualidade da Leão, uma marca da Coca-Cola Brasil, o funcionário vestido de jaleco branco senta-se e segura um copinho com chá de camomila. Como um sommelier, cheira, analisa a cor, prova e faz anotações numa prancheta com a seriedade de um cientista — o que realmente é. Antes de sair da Fábrica Fazenda Rio Grande, todo lote de chá passa por testes minuciosos, que incluem a análise sensorial, feita por esses degustadores treinados. Em ambientes fechados, livres de interferências exteriores, os profissionais recebem uma amostra padrão e a comparam com o lote recém-chegado. O gosto está diferente? A cor fora do padrão? O cheiro não está uma delícia? Então nada feito! O lote que não é aprovado nos testes volta para o fornecedor.

Assim é feito com todos os sabores da chamada linha seca – aqueles produtos que vêm em saquinhos de chá ou granel, para serem colocados na água quente – oferecidos pela Leão: camomila, capim-cidreira, hortelã, erva-doce, morango, carqueja, maçã e canela, boldo, chá verde com limão, chá verde com maracujá, chá preto com pêssego, e ainda muitos outros, incluindo o Matte Leão com Limão, com canela, laranja, pêssego e granel. Ao todo, são 85 produtos, sem contar com os novos sabores da Leão Fuze Senses, uma linha especial que inaugura o segmento super-premium da categoria no país: amora, mirtilo & baunilha; mate, hibisco & cereja; e maracujá, laranja & gengibre.

A linha Senses ainda usa uma tecnologia inédita no Brasil: um sachê de material transparente que permite uma experiência mais refinada em sabores, cores e aromas.

“Observamos que os apaixonados por chá são extremamente conectados ao mundo das infusões e suas novidades, estão sempre buscando novas experiências, mixes, sabores e rituais diferenciados. São consumidores que apreciam produtos gourmetizados, e de alta qualidade”, acrescenta Renato Fukuhara, diretor de Marketing de Novos Negócios da Coca-Cola Brasil.

O laboratório tem nove funcionários e dois aprendizes, entre biólogos, engenheiros de alimentos, técnicos em química, um microbiologista e um especialista em patologia química. Os produtos são avaliados em diversas fases – da matéria-prima ao sabor final. Há etapas de análises físico-químicas, para checar se a torra da erva e a moagem estão dentro da legislação brasileira, além das importantes análises microbiológicas, para analisar se o material não sofreu contaminação de bactérias, bolores e leveduras.

O químico Aldecir Mizael da Costa, que trabalha há 20 anos na Leão, é supervisor do Sistema de Qualidade. Ele começou sua jornada na fábrica como operador na linha de produçãoe foi incentivado a fazer o curso técnico em química. Também cursou faculdade, antes de assumir a liderança do laboratório. “Cresci junto com a Leão e, aqui, aprendi que o padrão de qualidade é o ponto mais importante de qualquer produto. O sabor original não pode ser alterado. A segurança alimentar é muito rigorosa, assim como a do ambiente de trabalho. Por isso dizemos que são mais do que uma prioridade. São uma premissa”, afirma Costa. “Há funcionários que checam todas as linhas de produção para se certificarem de que as máquinas não têm problemas e não estão sujas. É uma checagem dupla, pois os próprios operadores também fazem isso. Mas zelo nunca é demais”.

As ervas chegam de navio, em sacos de 25 quilos, vindas de fornecedores europeus, que seguem os rigorosos padrões de qualidade estabelecidos pela Leão. Na Europa, as ervas passam por um processo de esterilização que ainda não existe no Brasil, feito por meio de vaporização, o que garante que os produtos não vão perder suas características naturais. A erva usada para fazer o mate é a única que vem de produtores locais, na região Sul do Brasil, em sacos enormes de 300 quilos. O mate não precisa passar pela esterilização a vapor, já que o o processo de torrefação já faz isso.

Logo que chegam à fábrica, os sacos de ervas vão para o almoxarifado, onde ficam estocados até serem requisitados pela linha de produção. De acordo com a demanda do dia, saem de lá para serem despejados em máquinas que fazem a pesagem e distribuem as ervas para as chamadas “máquinas de envase”, onde as ervas são colocadas dentro das embalagens – seja no saco plástico para venda à granel ou dentro dos sachês de chá. É um software que ajuda a controlar esse fluxo. A erva mate que chega ainda passa por três peneiras e, se for o caso, por um aromatizador, que adiciona os gostinhos de limão, canela, pêssego, etc. Os produtos aromatizados ainda ficam de quarentena, por mais cinco ou seis dias, para “pegarem” o gosto especial.

“As ervas chegam às máquinas embaladoras por meio de canos que fazem o transporte a vácuo, que consome menos energia elétrica. As engrenagens colocam a quantidade certa de erva dentro de cada sachê, prende o barbante no saquinho, corta, empilha as unidades e as coloca dentro das caixas”, explica Luis Fernando Benatti, gerente de manufatura da Unidade Fazenda Rio Grande.

Há dois anos na fábrica, Ana Carolina Gomes, de 21 anos, é uma das responsáveis por montar as caixas feitas de papel, inseri-las na máquina que coloca os sachês de chá dentro da embalagem, e, depois, verificar se não há itens com defeito, com furos ou sem o barbante necessário para mergulhar o saquinho na água. Ela ainda se assegura que não falta nenhum sachê antes de fechar a caixa. “Fazemos rodadas de 30 minutos em cada máquina para que não fique cansativo. É importante dar essa pausa e circular um pouco para a nossa saúde”, conta Ana Carolina.

As caixas prontas passam por uma esteira, onde uma balança verifica o peso de cada uma. Se o funcionário não detectar a falha, a balança detecta. Se houver um sachê a menos na embalagem, a balança elimina o produto falho, jogando-o para fora da esteira. As caixas ainda vão para outra máquina para serem lacradas com cobertura plástica. Por fim, são empilhadas em carrinhos, colocadas em caixas de papelão e vão para o estoque, de onde saem para serem distribuídas por todo o Brasil.

Painéis solares, água da chuva e muito cuidado com o meio ambiente

A Unidade Fazenda Rio Grande ainda tem outra característica especial: foi a primeira fábrica do país a receber a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), fornecida pelo Green Building Council Brasil, em 2012. Todas as salas de reunião têm nome e cheiro de plantas, como hortelã e camomila, e isso é só um exemplo de como o cuidado e o amor pelo meio ambiente estão por todos os cantos da fábrica.

Debora Portella, analista de meio ambiente na Leão desde setembro, conta que, desde sua construção, a fábrica, inaugurada em 2009, foi pensada para atender aos critérios de sustentabilidade. Painéis solares aquecem a água utilizada em banheiros e vestiários; há torneiras de reuso especiais com água captada da chuva para a limpeza de áreas externas, o que garante uma economia de 36% no consumo mensal; uma central de triagem de resíduos; vagas especiais no estacionamento para funcionários que dão carona; e ainda o maior telhado verde da América Latina, com 2.700 metros quadrados, que funciona como um isolante térmico natural e como purificador de ar.

“Esses são apenas alguns exemplos das nossas ações, que têm participação ativa dos funcionários, gerentes e diretores, que acompanham as metas de sustentabilidade”, comenta Debora, que trabalha principalmente com gerenciamento de resíduos e fiscalização do cumprimento de legislações de meio ambiente. “O engajamento da equipe é incrível. Todos aprenderam a detectar vazamentos, fazer a coleta seletiva e verificar se há luzes ou monitores ligados sem necessidade. Também temos uma preocupação com o ecossistema ao redor da fábrica, por isso buscamos alternativas energéticas e para reuso de água, para que a fábrica tenha o menor impacto possível na comunidade”.

Ao fim da viagem pela cheirosa Fábrica Fazenda Rio Grande fica fácil entender por que os chás despertam fascínio há séculos e por que esse é um mercado que continua crescendo no país – as vendas de chá no varejo no Brasil ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em 2013, e a expectativa é de que cresçam 50% até 2018, de acordo com a consultoria Euromonitor. Em um momento em que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o bem-estar, os produtos naturais ganham adeptos. Os aromas e sabores naturais são capazes de transportar quem dá o primeiro gole para campos de morangos, erva-doce, camomila... Os próprios funcionários da fábrica são os maiores apaixonados pelo universo das infusões, com sua grande variação de sabores, formatos e funcionalidades. Há sempre uma enorme caixa cheia de sachês nas copas da unidade.

“Somos os maiores provadores dos chás Leão Fuze. Experimentamos diariamente o que é produzido aqui”, garante Benatti, gerente de manufatura, antes de convidar sua equipe para a xícara de chá da tarde.

Convite aceito, claro.