No mundo das startups e da tecnologia, as mulheres não pedem passagem: empreendedoras, elas dão passos firmes rumo a negócios próprios. Não por acaso, eventos como a Startup Weekend Women — que aconteceu entre os dias 7 e 9 de outubro, no Rio de Janeiro e em outras 699 cidades de todos os continentes — ficam lotados de mulheres interessadas em empreender.

No Rio, em 54 horas de esforços concentrados, nove grupos preponderantemente femininos (77% do total de participantes eram mulheres), com a consultoria de mentores do mercado, trabalharam duro para montar ou turbinar projetos de startups.

Três desses times foram premiados por jurados experientes neste universo. Um deles criou a OfficeHood, uma plataforma online para pessoas que trabalham em casa. Com a solução, os empresários que dispõem de espaço em seus imóveis podem receber outros profissionais também adeptos do home office, numa espécie de coworking caseiro. Foi o primeiro lugar no ranking deste ano.

Em segundo ficou o Ujob, portal com vídeos e plataforma feita para conectar estudantes indecisos a empresas e profissionais liberais que podem lhes oferecer estágios-relâmpago. Assim, terão uma ideia do que esperar da profissão.

Em terceiro lugar ficou a Eventou, ferramenta que faz uma espécie de seguro para eventos, tanto para os organizadores quanto fornecedores, incluindo um banco de prestadores de serviço cadastrados para substituições de última hora.

Mas o caminho do empresário não é fácil, como atesta Adriana Knackfuss, diretora de Comunicação Integrada de Marketing da Cola-Cola Brasil: “Hoje, no mundo inteiro se discute como minimizar a disparidade das universidades para os chamados C levels (altos executivos) das empresas. No Brasil, por exemplo, um percentual ínfimo de mulheres que saem das universidades chega a um cargo de liderança dentro de uma empresa. A gente tem uma situação muito desigual no país, e isso se reflete na liderança das empresas. Talvez, no universo da tecnologia, esse seja um problema mais gritante. As mulheres já crescem achando que não são boas com números, com matemática... Mas não existe estudo que ateste isso. O fato é que, quanto mais alto a gente chega numa empresa, maior é este contato com os números, o que pode ser mais uma barreira para a ascensão profissional. Por isso, aplaudo iniciativas como a da Startup Weekend Women que funcionam como forma de empoderamento das mulheres e servem para mostrar que é possível”.

Preparamos uma lista com dez dicas para ajudar mulheres empreendedoras. Confira!


1. Mente inquieta

A palavra-chave para a empreendedora ter em mente é “inquietude”. É preciso saber observar o mundo contemporâneo, a sociedade e o cotidiano identificando problemas (ou oportunidades) e buscando soluções, que podem se transformar em startups. Não se acomode porque teve uma boa ideia, reuniu um bom time ou porque o negócio começou a deslanchar. É preciso buscar sempre o novo, o que é mais fácil para quem é pequeno.

2. Não basta ter uma ideia

Não é uma grande ideia que faz uma startup bombar, pois ela não vale nada se não for bem executada. Mas um bom time pode pegar uma ideia ruim e transformá-la em algo rentável. A equipe faz a diferença e é capaz de redirecionar o negócio. Portanto, é preciso saber escolher quem vai jogar. “Uma equipe que ganhou menção honrosa no evento teve uma ideia genial que não foi validada. O time foi para a rua e descobriu que as pessoas não queriam pagar por aquilo. O grupo redesenhou a ideia, mas, pela segunda vez, voltou da rua cabisbaixo e desanimado porque não funcionou. Só a terceira solução avançou. Em casos como esses, é preciso um treinamento emocional, e não apenas profissional”, conta a advogada Natalie Witte, assessora jurídica de empresas de tecnologia e uma das mentoras no Startup Weekend Rio Women.

3. Saber ouvir

O segredo é ouvir o cliente. E, mais do que isso: saber ouvi-lo. Para tanto, é preciso falar com as pessoas. O Facebook é apenas um dos canais para isso. Antes de criar uma startup, identifique um problema e investigue-o — é nas ruas, conversando, que você descobre se aquilo é realmente uma questão. Depois, identifique a solução e valide-a, conversando novamente com as pessoas, checando se estão interessadas. Em seguida, faça uma validação de mercado e, só então, o protótipo. “Nossos pais e avós decidiam fazer uma cadeira vermelha para vender e iam para o mercado. Hoje, antes de chegar com a cadeira você ouve o público: se ele está interessado em cadeiras, em que tipo de cadeiras, de que cor... Você vira quase um psicólogo”, explica Natalie.


4. Erre para acertar

O mundo da tecnologia tem espaço para manobras, para errar. Tem amplitude, velocidade e escala maiores que o tradicional. Também possui características e restrições peculiares que precisam ser respeitadas. Se você for falhar, falhe logo e corrija rapidamente, para não perder tempo.

5. Empresária, sim

Você só é empreendedora no início do processo, por um período curto. Depois, passa a ser empresária. Portanto, tem que aprender a fazer coisas que vão além de criar, como recrutar, motivar seu pessoal...

6. A vantagem de ser pequeno

Quando se é pequeno é a época de pensar grande, pois você pode mudar constantemente. Mas não para ficar igual as grandes, que acabam mais enrijecidas e cristalizadas, até para manter o controle. As empresas pequenas são mais maleáveis.

7. Time unido

A empresa tem que valorizar o funcionário que não está no comando, aquele que está na ponta, aquele que tem o contato direto com o cliente. É preciso incentivar a cultura de atendimento, que valoriza todos da equipe, do call center ao depósito. Todos precisam sentir vontade de vestir a camisa da empresa.

8. Sem estrelismo

A tecnologia é um ramo muito sedutor. Existem armadilhas, como a vaidade. Mas é preciso ser proativo, pois trata-se de uma empresa como outra qualquer. Há mais responsabilidades do que bônus no início.

9. Sei que nada sei

Trazer a bagagem de uma grande corporação agrega, mas não é decisivo. Não adianta chegar achando que sabe tudo. O ideal é dar um passo atrás, e admitir que não sabe nada.

10. Pessoas antes do lucro

O trabalho de uma startup pode ser baseado em projeto, produto ou gente. Em qualquer dos casos, é bom lembrar do conselho de Marcelo Macedo, administrador especializado em design de estratégia e negócios, também mentor desta edição da Startup Weekend Rio Women: “O negócio tem que ser feito para as pessoas, e não simplesmente para o lucro”.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico