Não há animal vivente sobre a Terra que não saiba a importância da água — especialmente onde ela escasseia. No Brasil, a luta dos nordestinos pelo acesso ao recurso influencia economia, movimentos migratórios, cultura, tudo. Mudar o destino dos nascidos no semiárido, agenda urgente do Brasil, mobiliza o Banco do Nordeste, nos seus investimentos de responsabilidade social. Entre eles, a parceria com a Coca-Cola Brasil para viabilizar investimento de R$ 20 milhões até 2020 em comunidades de baixa renda que não têm acesso à água potável.

Faz sentido, num país onde 12 milhões de habitantes não têm o recurso em suas casas. “No Nordeste, trata-se de um tema estratégico”, sublinha o economista cearense Marcos Holanda, presidente do banco. “De um lado, trata-se de recurso escasso e limitante para o desenvolvimento econômico. De outro, tem grande dimensão social, especialmente no semiárido”.

Assim, o progresso naquela região do país está atrelado à universalização do acesso ao recurso. “Devemos considerar uso e reúso racionais da água como fatores essenciais ao sucesso de políticas e estratégias de fomento”, acrescenta Holanda, que reconhece o ganho de imagem para a empresa por ações sociais eficientes. Mas é pouco. “Temos os programas sociais como parte fundamental da missão do Banco do Nordeste”, ratifica ele, no cargo há quase dois anos.

Por conhecer o problema social que se abate sobre a região há séculos, o executivo enfatiza a importância de ações e programas eficientes, com resultados rápidos e significativos. Gerentes de desenvolvimento territorial do banco mapeiam os problemas ligados ao uso e reúso de água por todo o Nordeste, adquirindo conhecimento fundamental para implementar as estratégias necessárias — aí incluídas a articulação entre os setores público e privado.

“Os problemas relativos à água, embora possam ser semelhantes em alguns territórios, não são iguais”, pondera Holanda. “Com esse mapeamento, podemos buscar soluções inovadoras e, caso possível, replicar as iniciativas nas diversas comunidades com problemas similares”. Em cenários muito distintos, algo comum em trecho tão extenso e diverso do Brasil, outras alternativas serão estudadas, para não deixar de socorrer quem precisa.

O mapeamento identifica problemas de diferentes origens e abrangência, histórico e gravidade, urgência e singularidade. É o ponto de partida para a solução dos problemas. Muitos projetos de água e saneamento fracassam na América Latina por concentrar investimentos somente em infraestrutura, em soluções que não atendem a contextos locais, ou por não contemplarem manutenção, operação e viabilidade para expansão.

‘Devemos considerar uso e reúso racionais da água como fatores essenciais ao sucesso de políticas e estratégias de fomento’ — Marcos Holanda, presidente do Banco do Nordeste

Descumprir as etapas, portanto, seria desperdiçar parte ou mesmo a totalidade de investimento tão necessário. Até 2020, o Banco do Nordeste vai direcionar R$ 10 milhões para a aliança formada com a Coca-Cola Brasil (que investirá outros R$ 10 milhões), com o objetivo de viabilizar iniciativas de acesso à água, principalmente no Norte e Nordeste. Além dessa, o Banco do Nordeste desenvolve várias outras ações socioambientais, relacionadas tanto à concessão de financiamentos para o desenvolvimento sustentável da região onde atua, quanto às atividades relacionadas ao funcionamento da empresa em si.

“Destinamos recursos de incentivos fiscais a projetos sociais no âmbito do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA), da Lei de Incentivo ao Esporte e do Fundo dos Direitos do Idoso”, lista Holanda. “Em 2016, por exemplo, contratamos 9.575 operações de financiamento relacionadas ao meio ambiente e à inovação, alcançando o montante de R$ 445,4 milhões por meio dos programas ambientais FNE Verde, Pronaf Semiárido, Pronaf Floresta, Pronaf Eco e Pronaf Agroecologia, além de R$ 590,3 milhões aplicados com recursos do programa FNE Inovação”.

Leia também:

Gerente de operações explica o plano Água +

Tecnologia de baixo custo tem potencial para levar água potável a comunidades rurais e urbanas

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico