A catarinense Nerina Camargo sempre teve o desejo de ensinar. Assim que concluiu o magistério, se mudou com a mãe viúva e as irmãs para Porto Alegre (RS) na tentativa de encontrar trabalho, mas o primeiro emprego foi em um escritório de contabilidade. Foi por isso que, em 1984, entrou para a Ação Comunitária Paroquial (Acompar). Hoje, aos 65 anos, mãe de dois filhos, Nerina é presidente da ONG, onde educa mais de mil jovens.

“Tive uma infância boa e queria proporcionar uma formação de qualidade para crianças”, ela explica. Naquela época, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não vigorava e a entidade atendia crianças e jovens que não tinham completado 18 anos oriundos da Fundação do Bem-estar do Menor (Febem).

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Nerina estudou novas abordagens pedagógicas e, três anos depois de ingressar na ONG, assumiu a liderança da secretaria de lá. Mais envolvida nas regras de formação das crianças e jovens, em 1990, quando o ECA foi assinado, um novo direcionamento de trabalho foi implementado na instituição. O atendimento ficou mais humanizado tanto para os colaboradores quanto para os atendidos. “Não era porque as crianças tinham pouco ou nenhum recurso, que o trabalho seria de baixa qualidade”, afirma. Desde que ela virou presidente, em 1993, o quadro de funcionários saltou de 18 para 80.

Nerina Camargo

Thaís Antunes/Maker Brands


Na comunidade Rubem Berta, periferia de Porto Alegre, existe uma unidade da Acompar. Nerina conta que na maioria dos núcleos familiares as mães são as chefes de família e grande parte delas têm dificuldades financeiras. Nesse contexto, o Instituto Coca-Cola Brasil chegou para ajudar a transformar a realidade da região. “A ideia era formar os jovens e gerar renda para as famílias”, diz Nerina referindo-se ao Coletivo Jovem.

A relação de Nerina com o programa aconteceu rapidamente. Depois de uma reunião, o primeiro ciclo foi formado e as lacunas da ONG começaram a ser trabalhadas. Ela conta que os jovens tinham apoio educacional na Acompar, mas faltava a “cereja do bolo” que era a qualificação profissional. “Vimos o brilho nos olhos deles quando diziam o que gostariam de ser. É muito gratificante ver sementes brotando e dando frutos”, diz, emocionada.

"É muito gratificante ver sementes brotando e dando frutos", Nerina Camargo


Para Thiago Matana, 26 anos, educador do Coletivo Jovem e ex-aluno da Acompar, a oportunidade foi um um grande estímulo na vida. “Sem essa ajuda, não sei se conseguiria estar em um curso superior”, conta o rapaz, que cursa Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Para Kátia Gusmão, 41 anos, coordenadora da ONG, o caso de Thiago é um exemplo da mudança que dá certo. “Não sabíamos muito bem como qualificar os jovens e o Instituto nos ajudou muito”, afirma Kátia.

Para Nerina, a gestão compartilhada foi o destaque dessa parceria. “Conseguimos coletivamente ser mais atraentes que o mundo das drogas e do crime para os jovens. Isso só se consegue em conjunto”, finaliza.  

Texto produzido por Maker Brands