Há três anos, a paulistana Thais Vojvodic somou determinação e disciplina numa equação que mudaria definitivamente sua relação com o esporte e, por consequência, sua rotina de vida. De sedentária, Thais se tornou triatleta, graças à sua força de vontade, mas também ao apoio de amigos, família e até dos colegas de trabalho. A história teve como cenário inicial o Rio de Janeiro, onde há oito anos vive a gerente da área de Valor Compartilhado e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, responsável pelo tema de embalagens e reciclagem, entre outras atribuições.

Moradora de Copacabana, Thais se mantinha resistente aos apelos diários do sol e do mar até que, incentivada por uma vizinha e também colega na empresa, resolveu se arriscar em breves corridas pela orla da Zona Sul carioca. Ela, que até então só havia praticado esportes coletivos na infância, como vôlei e basquete, ou se matriculado em algumas academias por curtos períodos, percebeu ali que poderia ter descoberto uma nova paixão.

"Comecei a acordar mais cedo em busca de saúde e aquilo foi me fazendo bem. Essa amiga sugeriu que eu procurasse uma assessoria esportiva para melhorar o meu condicionamento físico e assim eu fiz", lembra a executiva de 32 anos. "Fora isso, havia um grupo de pessoas da Coca-Cola Brasil, de uma outra área, que tinha se proposto a fazer um short triatlo (competição que soma as distâncias de 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida) e achei a ideia bem contagiante".

Thais Vojvodic

Arquivo pessoal



Empolgação à parte, ela titubeou diante do convite do professor para treinar natação no mar, logo nas primeiras horas do dia. Conta que ficou intimidada com a quantidade de gente e a distância das travessias, como a do Posto 6 ao Arpoador. Sensações dissipadas logo após os primeiros mergulhos e a oportunidade de ver o nascer do sol de dentro d'água, já que os treinos acontecem às seis da manhã. "Viciei na endorfina. Saía da aula e ia para o trabalho me sentindo muito bem", relembra.

Em pouco tempo já estava inscrita em sua primeira prova, com um quilômetro de natação e dois de corrida na areia, disputa que a catapultou para uma rotina voltada às novas atividades. Os treinos foram intensificados, os hábitos alimentares ficaram mais restritos e os horários de saída para barzinhos com amigos transformaram-se em horas de sono com consequente disposição para as longas pedaladas nas madrugadas do Aterro do Flamengo. "Comecei a evoluir. Quando a treinadora disse que eu levava jeito, percebi que, finalmente, aos 30 eu poderia me destacar em algum esporte", comenta ela, que costuma acordar às 3h, às terças e quintas-feiras, para pedaladas de mais de 50km, e entre 5h e 6h às segundas, quartas e sextas-feiras, para treinos na praia.


A nova realidade foi rapidamente incorporada à rotina de trabalho. Para fortalecer a musculatura e evitar lesões comuns em esportes de endurance (aqueles de intensidade baixa a moderada e com longo tempo de duração, como ciclismo, maratonas e triatlo), Thais passou a frequentar a academia da sede da Coca-Cola Brasil, benefício gratuito aos empregados da empresa.

Além de esteiras, bicicletas e aparelhos de musculação, o local oferece aulas variadas como spinning, jump, boxe e street jam, uma aula de dança. “A academia se tornou uma aliada e é uma facilidade, porque se locomover até outro espaço para malhar pode ser uma barreira inicial para alguns. Vejo o benefício como uma mensagem da empresa aos funcionários, para que façam exercícios. Fora isso, há atividades na areia também. Acho que a Coca-Cola Brasil foi entendendo a necessidade das pessoas e se adaptando a elas", opina Thais.

'Quando a treinadora disse que eu levava jeito, percebi que, finalmente, aos 30 eu poderia me destacar em algum esporte' — Thais Vojvodic


O apoio do gestor e da equipe na empresa é outro ponto positivo destacado por ela. "A rotina de trabalho é intensa e eu sou apaixonada pelo que faço. Percebi que tinha bastante autonomia para tornar possível encaixar os treinos diários dentro da agenda. Sinto que as pessoas me veem como referência e admiram minha disciplina", orgulha-se.

O ápice dessa aventura aconteceu em outubro do ano passado, quando Thais completou uma prova de triatlo de longa distância em Miami. O evento reúne 3 mil atletas no percurso que engloba 1,9km de natação, 90km de bicicleta e 21km de corrida. Os 11 meses anteriores foram focados numa preparação intensa, com fins de semana, feriados e horas livres dedicados ao objetivo maior. "Fiquei alheia ao resto do mundo. Minha vida se resumia ao trabalho e aos treinos", revela.

A prova foi completada em sete horas e cinco minutos. Por celular, ela recebeu muitas mensagens da família e dos amigos de empresa. "Eles foram muito fofos, criaram cartazes, hashtags, todo mundo aderiu à causa". Agora, diz ela, outra prova assim só em 2018. "Foi muito intenso. Eu só não desisti ao longo da preparação porque estava muito obstinada e tinha muito apoio. A prova em si foi dura, mas não completá-la não era uma opção", enfatiza.

Mas isso não quer dizer que a executiva vai ficar parada. Thais ainda se recupera de uma lesão no braço por conta de um acidente que sofreu durante uma prova de ciclismo que a deixou dois meses parada, e, em agosto, já tem uma competição de ciclismo nas montanhas.

Ela reconhece que alguns amigos ficaram chateados com sua mudança radical. "Uma vez por semana costumo sair à noite, mas meu pique é outro e, hoje em dia, meus amigos mais próximos são quase todos atletas. Treinar se tornou uma prioridade e um estilo de vida", define.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico