O objetivo, de forma resumida, é o crescimento do negócio, mantê-lo economicamente forte e sustentável. A rotina profissional envolve as mais importantes decisões, reuniões e análises de risco. O foco de Kathy Waller, vice-presidente executiva e diretora financeira da The Coca-Cola Company está em cada passo e dígito da maior empresa de bebidas do mundo. Afinal, é Kathy quem representa a companhia diante dos principais investidores, credores e agências de rating (agências de classificação de risco), além de liderar nove departamentos. Engana-se, no entanto, quem imagina que uma líder global de finanças pensa somente em números quando se trata de resultados e carreira. Em evento realizado com funcionários da Coca-Cola Brasil no fim de março, no Rio de Janeiro, entre telas repletas de dados estratégicos, uma das palavras usadas com mais ênfase pela líder foi “people” (em português, pessoas).

“Gosto de viajar e conhecer quem faz parte das outras unidades da companhia. Minha carreira nesses 30 anos de The Coca-Cola Company tem sido maravilhosa por causa das pessoas”, afirmou a bem-humorada Kathy, que teve apenas dois dias para cumprir uma intensa agenda de compromissos na capital fluminense.

A fase é de muito trabalho para a executiva, em um momento em que a The Coca-Cola Company reformula seu modelo operacional e sua estratégia de crescimento, atenta aos desejos dos consumidores. “Somos uma empresa de bebidas. Temos que oferecer marcas que os consumidores desejam, não aquelas que nós queremos vender. Temos que expandir as categorias de produtos. Quando acompanhamos os consumidores, garantimos nossa presença nos lugares certos e a continuidade do investimento no nosso negócio”, disse. Além dessa expansão das categorias no portfólio no mundo inteiro, Kathy destacou a redução de açúcar em bebidas e a oferta de embalagens menores entre as iniciativas já em vigor na companhia. “Novos e diferentes produtos, informações acessíveis, não realizar publicidade para crianças menores de 12 anos”, completou. Entre os exemplos citados por ela, está a Estratégia Global de Marca Única da Coca-Cola, lançada em diferentes países desde o ano passado.

‘Temos que aprender a viver em um mundo que não é perfeito, em que vamos cometer erros, descobrir como resolvê-los e avançar’

Para a executiva de Atlanta, que ingressou na The Coca-Cola Company em 1987, as mudanças fazem parte da vida e devem ser encaradas de frente. Por exemplo: se adaptar à era digital. “Temos que aprender a operar em um mundo em que é necessário ser digital”, reforçou, lembrando que nem para alugar um apartamento é necessário papel hoje em dia. “Para esses e muitos outros tipos de coisas fazemos perguntas, descobertas, mudanças. E nós vamos fazer isso rapidamente. Às vezes, podemos ir rápido demais e cometer um erro. Mas aí temos somente que corrigi-lo e seguir em frente. Temos que aprender a viver em um mundo que não é perfeito, em que vamos cometer erros, descobrir como resolvê-los o quanto antes e avançar”, destacou a executiva, reconhecida pela revista americana “Black Enterprise” como uma das mulheres mais poderosas no mundo dos negócios.

Além de sua intensa rotina como líder de finanças, Kathy é atenta a iniciativas voltadas às mulheres. Ajudou a fundar o The Coca-Cola Company’s Women’s Leadership Council (Conselho de Liderança da Mulher da The Coca-Cola Company), criado por Muhtar Kent, e também a desenvolver o bem-sucedido Women in Leadership Global Program (Programa Global Mulheres na Liderança).

‘É preciso dizer às pessoas quais habilidades está interessado em aprender, porque você nunca vai saber de onde a ajuda ou a ideia virá’

Ao final de sua apresentação na sede da Coca-Cola Brasil, respondeu a uma pergunta da plateia sobre sua trajetória profissional e voltou a falar em pessoas, no quanto considera importante ir em busca do que se deseja. Contou que um dos cargos que pretendia ocupar só foi alcançado porque teve coragem de dizer ao superior qual caminho gostaria de seguir, e de perguntar o que poderia fazer para se tornar apta à função. “Meu conselho: diga às pessoas o que você tem interesse em fazer. Eu não teria sido nem cogitada para a vaga se eu não tivesse falado. Se quer seguir um determinado caminho, deve deixar isso claro para quem está ao seu redor. É preciso dizer às pessoas quais habilidades está interessado em aprender, porque você nunca vai saber de onde a ajuda ou a ideia virá”.