Olhos claros, mãos duras e cabelos brancos. Esse é Eduardo Gabler, que aos 75 anos dedica a vida ao cuidado da terra. Basta conversar com ele por poucos instantes para perceber a jovialidade na voz que vem da paixão pelo que faz. Inovador nato, ele administra sozinho cerca de 95 hectares de plantação e cinco represas de água.

Descendente de alemães, ainda bebê foi deixado pela mãe biológica com a “patroa”, que o criou. Com os pais adotivos, conheceu o gosto pela terra e pela venda. Mas foi entre 2009 e 2010 que começou a plantar manga e, pouco tempo depois, estaria entre os principais produtores capixabas da fruta.

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Antes disso, banana, pimenta... Gabler plantava o que fosse necessário para criar os dois filhos, que já lhe deram três netos. Na sua fazenda, que também é dedicada ao café, seis funcionários produzem cerca de 400 sacas dos grãos por ano. Na safra recorde, as 1.200 mangueiras de sua propriedade renderam mais de 40 toneladas de manga da espécie ubá. “Tristeza não paga a conta, precisamos ir à luta”, encoraja o agricultor, que conheceu a mãe biológica aos 40 anos de idade.

Produção de manga no Espírito Santo

Raul Régis / Maker Brands


Por conta da forte estiagem no estado, é difícil aumentar a produção. Conhecedor dos ciclos da natureza, Gabler explica que sempre depois de uma grande cheia vem a seca, e recorda a enchente em 1948 e a maior seca que o Espírito Santo já registrou, em meados de 1952. “Papai do céu governa. O tempo bom vai voltar. Podemos morrer de atrevidos, mas não de esmorecidos”, brinca.

Negócio com sabor

“Nascemos, vivemos e morremos sem saber tudo”, ele garante. Em 2015, Gabler visitou algumas fazendas em Pernambuco para entender como melhorar sua produtividade. Hoje, testa o conhecimento adquirido: 40 árvores estão passando por diferentes tipos de podas e irrigação com tempos cronometrados. O resultado aparece e as mangueiras já produzem mais. “Assim como cada pessoa é diferente, cada planta tem a sua hora certa”, explica.

Todo esse cuidado faz diferença no sabor da manga. Nas medições de teor de açúcar, chamado de grau Brix, índice que as indústrias de processamento utilizam para medir a qualidade do suco das frutas, a meta gira em torno de 13. Já na produção do capixaba, as mangas variam entre 20 e 25 na escala. “Minhas frutas são doces e muito saborosas porque tenho muito cuidado com elas”, ressalta.

Eduardo Gabler, produtor de manga ubá

Gabler admite que a manga é sua fruta favorita

Raul Régis / Maker Brands


Gabler conta que uma mangueira é produtiva até 30 anos de idade, e a safra que acontece em dezembro é como um "décimo terceiro" para ele e seus funcionários. Desde o início, 100% de sua produção é vendida para a Trop Brasil, fábrica processadora de frutas que integra a cadeia de suprimentos da Leão Alimentos e Bebidas, responsável pela produção de Del Valle. “Planto porque sei que tenho comprador que me paga um preço justo. Assim, sinto mais confiança para plantar”, explica o produtor, que admite ter escolhido a manga porque, além de possuir alto teor de vitamina C, é sua fruta favorita. “Gosto dessa planta. Prefiro ficar debaixo de uma mangueira do que ir a qualquer festa”.

Texto produzido por Maker Brands