“Não fazia a menor ideia de como se plantava goiaba”, diz Valfredo Brunow, 45 anos, atualmente o maior produtor da fruta no Espírito Santo. Depois de cinco gerações da família trabalhando no cultivo de café, Brunow e sua esposa, Cleonice, optaram por plantar goiaba. O negócio prosperou e já são 25 anos de experiência. Hoje, ele é referência para outros 12 produtores da região, que contam com auxílio para comercializar a produção.

A história de Brunow e Cleonice começou na década de 1980, quando se conheceram. Tempos depois, ganharam um pedaço de terra e optaram pela cultura da goiaba por sugestão de um agrônomo amigo. Aos poucos, foram aplicando técnicas de produção para diminuir o uso de defensivos.

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Em 1994, tiveram o primeiro filho, Igor, hoje braço direito do pai. Nessa época, plantaram cem pés de goiaba e colheram mais de 300 quilos. Resolveram, então, seguir com o negócio. A partir de 1998, uma empresa começou a ganhar corpo: início da venda no Ceasa, compra de caminhão. Foi quando nasceu Jaqueline, a outra filha do casal, que está no primeiro ano do curso de enfermagem. Em 2008, decidiram realizar uma festa da goiaba para ajudar a cooperativa de produtores da fruta na região. O evento na fazenda Brunow atraiu 2.500 pessoas da cidade de São Roque do Canaã, que tem cerca de 11 mil habitantes e, desde então, só cresce. No último ano, foram mais de 5 mil pessoas. Devido à dimensão que tomou, a festa agora terá que encontrar outra sede.

Valfredo Brunow

Raul Régis / Maker Brands

Boas práticas a partir da goiaba

Com o sucesso do evento e o reconhecimento na região, surgiu a parceria com a Trop Brasil, fábrica processadora de frutas que integra a cadeia de suprimentos da Leão Alimentos e Bebidas. Responsável pela produção de toda a linha de produtos Del Valle, a Leão compra, hoje, boa parte da produção de Brunow. São 30 hectares de produção vendidos para a empresa. “Com a garantia dessa venda, consigo ter dinheiro no bolso e investir”, afirma o produtor.

Ao longo de três primeiros anos da parceria, o foco esteve em instituir melhores práticas, como a redução de defensivos usados no plantio. Outro bom exemplo é que, hoje, os galhos das podas são triturados e despejados nas plantas para evitar pragas e potencializar a produção. Depois de colhidas, as goiabas são selecionadas e as que não estão em perfeito estado vão para a fábrica de doces, nos fundos da fazenda. “Nada aqui é desperdiçado”, orgulha-se Brunow.

Apesar da forte estiagem na região, ele e a mulher não param de se reinventar. Hoje, fazem parte de um grupo de preservação da Bacia do Rio Doce, que estuda e testa boas práticas de uso de água. Pela participação, ganharam um irrigômetro para a fazenda. Com o aparelho, a quantidade de água utilizada caiu. “Antes, era preciso irrigar três vezes na semana. Hoje, basta uma”, comenta Cleonice.

O negócio

Hoje, a fazenda tem 8 mil goiabeiras, cerca de 232 por hectare, e produz mais de 770 toneladas da fruta. Depois de plantadas, as goiabeiras levam apenas dois anos e meio para dar frutos, que podem ser colhidos o ano inteiro. Isso é uma garantia de renda adicional para os produtores da região e, para muitos, a fonte principal. “Minha família inteira produzia café. Ao diversificar, conseguimos aumentar nossa renda, ao mesmo tempo que preservarmos o solo”, comemora Brunow.

Texto produzido por Maker Brands