Edilson Agnezi não esconde a satisfação ao mostrar a sua plantação de maracujá em Sooretama, interior do Espírito Santo. São 20 mil pés, que rendem 30 quilos por pé a cada safra. Primeiro da família a diversificar no tipo de plantio, aos 47 anos ele já é um grande produtor da fruta no estado capixaba. “Fui além do café, me arrisquei, coloquei a cabeça no futuro e comecei a plantar outras culturas”, conta.

A história da família no campo começou com o bisavô vindo da Itália, que desembarcou em terras capixabas. Encantado com as riquezas naturais do Brasil e com o clima, começou a lavrar a terra e plantar café. Os filhos vieram e a cultura cafeeira passou de geração em geração. Foi assim com Edilson, que desde pequeno foi ensinado a ajudar o pai na roça. As irmãs foram para a cidade estudar, mas ele não reclamava e sonhava em plantar algo diferente para aumentar os ganhos da família.

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Enquanto as moças se formaram, Edilson concluiu o ensino médio somente depois de adulto. De herança do pai, recebeu 30 hectares e começou a experimentar outras culturas agrícolas. “Na terra, você tem socorro para tudo. Daí vem o meu encantamento pela agricultura”, ele diz.

Edilson Agnezi

Raul Régis / Maker Brands

Alimento dentro da cuia

Hoje, além da produção de 40 hectares de café, Edilson tem 20 hectares de maracujá, e trabalha em parceria com 20 famílias, principalmente na polinização das flores. “Essa atividade precisa ser feita por muitas pessoas para que as flores não fechem antes de serem polinizadas. A produção não demanda cuidado constante, só em alguns períodos e por algumas horas. A flor-de-maracujá é linda, mas muito exigente”, brinca.

Na língua tupi, maracujá significa "alimento dentro da cuia". Para Milton Abrau, um dos meeiros — como são chamadas as pessoas que compartilham terras na região —, trabalhar com Edilson é uma parceria. “Estou aqui há três anos. É uma renda extra ao café”, afirma Abrau. Edilson explica que o café passa por ciclos. “Durante dez anos, o grão tem preços muito altos, mas na década seguinte o preço cai muito. Isso dificulta a vida de quem só trabalha com café”, explica o produtor sobre a necessidade da diversificação.

A relação com a Trop Brasil, processadora de frutas que integra a cadeia de suprimentos da Leão Alimentos e Bebidas, fortalece o caminho da diversidade. Nessa parceria, um preço justo para os dois lados é estabelecido antes mesmo do início do ciclo. “Fico tranquilo e me preocupo em produzir mais e melhor”, ele conta. A Leão é engarrafadora do Sistema Coca-Cola Brasil responsável pela produção de toda a linha de produtos Del Valle.

Qualidade x estética

Para Edilson, ainda há um desafio: mudar o jeito de pensar dos consumidores. Frutas e verduras teriam menos fertilizantes e defensivos agrícolas se os clientes não descartassem produtos que estão fora do padrão estético. “Maracujás, por exemplo, estão mais maduros e com mais polpa quando murchos”,  afirma o produtor, que passa essa ideia para os filhos, sobretudo o mais velho, Mateus, que está cursando agronomia.

Texto produzido por Maker Brands