Em um dia quente, com poucas nuvens no céu e um calor incrível, iniciamos as visitas às famílias do Ramal do Paulista, em Presidente Figueiredo, no Amazonas. No fim do dia, paramos na casa de Dona Caetana, uma maranhense de fibra que chegou ao município em busca de um cantinho de terra para trabalhar com sua família. No início, eram somente mulheres, “depois é que os homens foram chegando”, conta ela, bem animada, mostrando pés de fruta no entorno de sua residência.

Agricultoras como Dona Caetana — que obtêm da terra o seu principal sustento a partir da mão de obra familiar — fazem parte do programa Olhos da Floresta. O projeto, idealizado pela Coca-Cola Brasil e Imaflora, foi criado para incentivar a agricultura familiar e a cadeia produtiva do guaraná em Presidente Figueiredo, cidade localizada a 107 quilômetros da capital Manaus, também conhecido como a “Terra das Cachoeiras”.

Tradicionalmente utilizada por comunidades indígenas, a semente do guaraná tem diversos usos comerciais, entre eles a produção de extratos e bebidas, gerando renda para milhares de famílias no Amazonas. A Coca-Cola Brasil, a partir de sua unidade de Manaus, é uma importante consumidora da produção local de guaraná.

Por meio do Programa Olhos da Floresta, Coca-Cola Brasil e Imaflora, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), Prefeitura de Presidente Figueiredo e Agropecuária Jayoro estão selecionando famílias interessadas na implantação de lavouras de guaraná a fim de ampliar a oferta local da semente.

Serão realizadas oficinas de planejamento e discussão do programa com agricultoras e agricultores familiares que também receberão orientação para que possam cultivar o Guaraná em Sistemas Agroflorestais (vídeo), utilizando o conhecimento tradicional aliado a tecnologias apropriadas à realidade local, também chamada de Agroecologia. Em três anos, além do guaraná, os sistemas agroflorestais irão fornecer uma gama de produtos, transformando-se em uma fonte importante para a obtenção de alimentos de qualidade e incremento da renda para as comunidades locais.

*Marcos Fróes Nachtergaele, Eder Nascimento Galucio e Eduardo Trevisan Gonçalves são do Instituto Imaflora