O programa Olhos da Floresta, da Coca-Cola Brasil, incentiva a agricultura familiar e a cadeia do guaraná no Amazonas, levando oportunidades de inclusão social, geração de renda e uso racional dos recursos naturais na região. Lançado em maio em parceria com a ONG Imaflora, o programa vai oferecer apoio técnico à agricultura familiar para a adoção dos chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs) — modelo alternativo de produção que combina culturas agrícolas e espécies florestais em um mesmo espaço, recuperando o bioma de áreas degradadas. O guaraná do Amazonas também será certificado, com a adoção de registros, controles e ferramentas de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, do plantio até o produto final.

O que são agroflorestas

No modelo de produção, espécies arbóreas, culturas agrícolas e pequenos animais convivem em harmonia. O cultivo de plantas de diferentes características promove a recuperação natural da floresta. Plantações de milho e mandioca, por exemplo, se desenvolvem mais rapidamente que as árvores e na presença de muito sol. Assim, preparam o ambiente para outras espécies, como bananeiras, palmeiras e árvores que, além de produzirem frutas e castanhas, capturam os nutrientes mais profundos do solo através de suas raízes. É um ciclo que impacta diretamente a conservação do solo e de microbacias. Com o tempo, animais e microrganismos voltam a essas áreas, aumentando a diversidade de espécies. Para os agricultores, o programa aumenta a geração de renda ao diminuir a monodependência, associando culturas de curto e longo prazos e permitindo a permanência dos trabalhadores no campo.

"Uma cadeia produtiva forte do guaraná, que fortaleça a agricultura familiar promovendo a inclusão social com o uso sustentável dos recursos naturais, responde não apenas aos desafios relacionados à nossa cadeia de fornecedores, mas também é uma condição para o desenvolvimento do interior do estado do Amazonas”, diz Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil. “Não existe empresa sustentável se as comunidades não forem sustentáveis. Esse é um projeto de todos nós", completa. 

O programa Olhos da Floresta prevê ainda ações, em parceria com o Imaflora, de estímulo a formas de organização social, construção dos referenciais técnicos para agricultura familiar e guaraná em oficinas e workshops, práticas de manejo agroecológico e estímulo à preservação da biodiversidade, além da atuação para o desenvolvimento de uma cadeia de preço justo e transparente.

A lenda do guaraná da Amazônia

O fruto do guaraná lembra muito o desenho dos olhos humanos e sua origem é cercada de lendas. A principal é sobre um casal de índios da tribo amazônica Maués, que, após muitos anos juntos, ainda não tinham filhos. Um dia eles pediram a Tupã (manifestação divida em forma de trovão) para dar a eles uma criança. Tupã, sabendo que o casal era merecedor da alegria, atendeu o desejo do casal trazendo a eles um menino, que cresceu belo e generoso.

No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, que sentia inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, decidiu ceifar a vida do pequeno. Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. No mesmo instante, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios seguiram o pedido da mãe e plantaram os olhos do menino. No lugar, cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, muito semelhante aos olhos humanos.