Sem floresta, não há água. Com essa premissa, a Leão Alimentos e Bebidas, representando o Sistema Coca-Cola Brasil, assinou um acordo com o governo do Espírito Santo para recuperar e conservar a vegetação de áreas no norte do estado. O principal objetivo do acordo é ajudar a preservar bacias hidrográficas numa região duramente atingida pela estiagem, reconhecendo o papel do produtor rural nos processos de conservação.

“Quando chove sobre terras desmatadas, sem vegetação, a água tende a escorrer pelo solo, indo diretamente para os rios”, explica o engenheiro florestal Gilberto Tiepolo, da The Nature Conservancy (TNC), a maior organização ambiental do mundo, que também participa do projeto. “Quando há mata, entretanto, a água cai aos poucos, amortecida pelas plantas, e vai sendo absorvida pelo solo e abastecendo os reservatórios subterrâneos”.

Juntos, iniciativa privada, governo e ONG pretendem recuperar de 100 a 150 hectares de vegetação nativa. Além disso, a intenção é implementar, nos próximos cinco anos, algumas das melhores práticas agrícolas em 51 propriedades da região. Em cada uma delas, serão protegidos de dois a três hectares.

Com isso, estima-se que será possível disponibilizar cerca de 138 a 176 mil metros cúbicos de água extra na bacia hidrográfica em três anos do projeto – volume suficiente, por exemplo, para abastecer ao longo de um ano, a fábrica de polpas da Leão em Linhares, no Espírito Santo. A Coca-Cola Brasil e a Leão investirão no projeto cerca de R$ 1 milhão durante os próximos três anos, que serão utilizados não somente para o reflorestamento em si, como também para o engajamento dos proprietários, o monitoramento de longo prazo das áreas replantadas, além de apoio ao programa Coalizão Cidades pela Água, promovido pela TNC.

“Esse recurso servirá para fazer um diagnóstico da área selecionada e promover o engajamento dos produtores rurais da região”, explica o gerente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Leão Alimentos e Bebidas, Fabiano Rangel. “É uma análise técnica para ver se essas áreas são mesmo produtoras de água, se precisam de replantio e de que tipo de replantio, ou ainda se é possível conciliar o espaço com manejo agroflorestal”, acrescenta.

Com essa avaliação em mãos, o pequeno produtor terá as condições necessárias para se integrar ao Programa Reflorestar, do governo do estado, que é gerenciado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (Seama), e passará a receber tanto insumos para recuperação da cobertura florestal como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Ou seja, ele contribui para a melhoria das bacias hidrográficas – bem de uso coletivo – e ganha apoio para sua própria produção.

“Os proprietários de terra e agricultores recebem recursos financeiros na forma de pagamento por serviços ambientais, para adquirir insumos como mudas de espécies florestais, material para cercar a área, adubo, entre outros”, explica o secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo, Aladim Cerqueira.

“Fazer reflorestamento é algo muito caro, que a iniciativa privada não conseguiria fazer sozinha. Mas o Espírito Santo já tem um programa”, analisa Tiepolo. “Só que o programa tem alguns gargalos, como o engajamento dos produtores e o monitoramento posterior. É aí que a iniciativa privada e o terceiro setor entram, dando maior escala ao projeto: não adianta achar que o problema é do governo e das empresas, e a responsabilidade é do terceiro setor; temos que trabalhar juntos”.

O secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo tem opinião semelhante. “O Programa Reflorestar tem evoluído muito nos últimos anos e já é uma referência internacional. Com a meta de aumentar em 80 mil hectares a cobertura florestal em todo o Espírito Santo até 2018, arrisco dizer que a iniciativa tem hoje uma das metas mais desafiadoras para um estado”, afirmou o secretário durante a cerimônia de assinatura do acordo, no dia 9 de novembro. “Por isso, ter a abertura para a construção de parcerias público-privadas e com o terceiro setor é um ganho estratégico para avançarmos cada vez mais”.

Ajudar a natureza a fabricar água é também uma forma de tornar o Sistema Coca-Cola Brasil cada vez mais sustentável – uma vez que água é um de seus principais insumos. Atualmente, para cada litro de bebida que chega ao mercado, são gastos em média 1,83 litro de água, entre o que vai dentro da embalagem propriamente dita e o restante, que é usado ao longo dos processos industriais. No entanto, a companhia, hoje, consegue devolver para a natureza o dobro da água que usa em seu processo produtivo, por meio de programas de reflorestamento e conservação de bacias hidrográficas e de eficiência e reúso nas fábricas. Além disso, o Sistema Coca-Cola Brasil, que reúne dez fabricantes, reduziu em 28% o volume de água necessário para produzir um litro de bebida, desde 2000.

“Todo o Sistema Coca-Cola Brasil tem se esforçado, a cada dia, para utilizar a água de forma consciente e responsável, pois é um elemento fundamental para a vida, a agricultura e o nosso negócio”, afirmou o diretor-geral da Leão Alimentos e Bebidas, Axel de Meeüs, durante a assinatura do acordo. “Além de ser um recurso natural necessário para a produção de nossas bebidas, a água também é um de nossos elos de relacionamento com a natureza e com as comunidades em que atuamos”.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico