Nosso negócio acarreta impactos ambientais e sociais em toda a cadeia de valor – desde o fornecimento e uso de matérias-primas e ingredientes até o pós-consumo. Estamos empenhados em reduzir o nosso impacto em toda a cadeia de valor, além das fronteiras de nossas fábricas.

Queremos, cada vez mais, ampliar a visão holística dos impactos na nossa cadeia e nos comprometemos a aprofundar essa avaliação nos próximos anos. Na figura a seguir identificamos as emissões de gases do efeito estufa e os impactos mais significativos relacionados à nossa cadeia de valor.

Para nós, as mudanças climáticas representam um dos mais graves e complexos desafios globais, que exigirão ações conjuntas por parte do governo, das empresas e da sociedade civil. O aumento da temperatura em todo o planeta – devido à maior concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera – potencializa o risco de outros impactos, como eventos climáticos extremos, perda da biodiversidade, escassez de água e crise alimentar.

As mudanças climáticas também são um risco significativo para o nosso negócio, tanto pelo impacto na disponibilidade dos recursos hídricos, quanto na oferta dos insumos agrícolas. Além da ameaça de situações climáticas extremas, como enchentes, vendavais e seca, que podem comprometer as atividades de produção. Defendemos que medidas urgentes sejam tomadas para que se consiga manter o aquecimento global abaixo do limite de 2º C.

Como uma empresa multinacional, sabemos que temos um importante papel a desempenhar para garantir a melhor combinação possível de fontes de energia, o aumento da eficiência energética dos nossos processos de produção e logística e a redução do impacto climático potencial dos nossos produtos.

A The Coca-Cola Company tem como meta a redução de 25% da pegada de carbono global, até o final de 2020, em comparação às emissões em 2010. Para as unidades de negócio, a adesão a esse percentual é voluntária. Uma estratégia adotada também pela The Coca-Cola Company é não comprar créditos de carbono. Acreditamos que a empresa possa reduzir as emissões por meio de iniciativas e projetos próprios.

Na Coca-Cola Brasil, seguimos a mesma meta. Em 2014, já havíamos atingido 23% da meta, o que corresponde a uma redução de 22,5 mil toneladas de CO2e (o termo significa “equivalente de dióxido de carbono” e trata-se de um padrão internacional que mede a quantidade de gases de efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono e o metano), no período de 2010 a 2014. As projeções indicam que, em 2020, teremos um impacto, em emissões de CO2e, 32% menor do que em 2010, superando o objetivo previsto.

Desde 2010, realizamos o inventário de emissão de GEE e, a partir de 2014, adotamos um sistema global de avaliação dos processos, que calcula as emissões de GEE da cadeia como um todo, bem como de todas as unidades de negócio e estabelece metas regionais de redução. Para alcançarmos a meta de redução global, estimamos que será preciso reduzir 48g de CO2e por litro de bebida produzida.

No período de 2014 e 2015, reduzimos em 10% a intensidade de emissões de GEE, de 180,5g de CO2e por litro para 162,6g de CO2e por litro. O resultado corresponde, principalmente, à aquisição de açúcar com certificação Bonsucro.

O cálculo da pegada de carbono inclui os seguintes tipos de emissões de GEE:

  • Aquisição de matéria-prima: produção e distribuição dos principais ingredientes e embalagens utilizados para a fabricação e o envase das bebidas;
  • Produção e manufatura: consumo de eletricidade da rede elétrica e combustão estacionária;
  • Distribuição: queima de combustíveis em veículos;
  • Mercado frio: consumo de eletricidade da rede elétrica e emissões fugitivas de gases refrigerantes utilizados em equipamentos de refrigeração (coolers,venders e dispensers).
  • Gases: HFC-134A, R-407C, CH4, N2O, CO2 (Não são contabilizadas as emissões de CH4 e N2O decorrentes da combustão de combustíveis e da produção da eletricidade comprada)

Cadeia de valor

Apesar das projeções favoráveis para o cumprimento da meta, temos a responsabilidade de monitorar e reduzir as emissões em todo o processo produtivo e na cadeia de valor, considerando fábricas, embalagens, geladeiras, ingredientes e distribuição.

Os resultados que obtivemos no período de 2014 e 2015 revelam que estamos no caminho certo. Conseguimos reduzir em nossa cadeia, 27g de CO2e por litro, sendo que o maior índice foi na parte de ingredientes, com a diminuição de 16g de CO2e por litro. Os principais fatores que contribuíram para essa diminuição foram: a implementação de embalagens sustentáveis, a distribuição de bebidas com frota de caminhões modernos e práticas de agricultura com a certificação Bonsucro. Usando calculadora própria, a certificadora monitora a pegada de carbono com o uso de três indicadores: por tonelada de cana-de-açúcar, por tonelada de açúcar e por megajoule de etanol. Em 2015, 45% do volume de açúcar adquirido dos nossos fornecedores era certificado.

Já em nosso sistema de distribuição de bebidas, implementamos, a partir de 2014, algumas iniciativas visando à redução do consumo de combustível. Entre as ações realizadas destacam-se a renovação da frota por veículos mais econômicos e o uso de aditivos. Essas medidas, aliadas às ações voltadas para a maior eficiência do processo de distribuição, permitem economia no consumo de combustível e redução das emissões de CO2.

Na produção de embalagens, estamos investindo para reduzir ao máximo a quantidade de matéria-prima utilizada, o que, consequentemente, ocasiona a redução das emissões de GEE. Seguimos com as ações de diminuição do peso das embalagens, aumento de sua vida útil, uso de material reciclado e utilização de garrafas PlantBottle. Esse tipo de embalagem substitui os derivados do petróleo pelo etanol da cana-de-açúcar e seu processo produtivo emite 25% menos CO2.

Outra estratégia global da The Coca-Cola Company é a troca dos refrigeradores tradicionais por equipamentos HFC-free, ou seja, que não emitem esse gás, que tem potencial de contribuir para o aquecimento global cerca de dez mil vezes mais que o CO2. Na última década, foram investidos mais de 100 milhões de dólares em esforços de pesquisa e desenvolvimento, visando a alavancar o uso de tecnologias de resfriamento mais amigáveis (climatefriendly).

No Brasil, as mudanças no cenário macroeconômico, em 2015, impactaram o processo de substituição dos refrigeradores antigos, que utilizam o gás CFC (clorofluorcarboneto).

Índice de redução de emissões de GEE decorrentes de iniciativas implementadas

Gestão energética

A energia é um recurso essencial em qualquer processo produtivo. Sua geração também está diretamente relacionada aos impactos das mudanças climáticas. Buscar eficiência energética significa aumentar a vantagem competitiva do negócio e reduzir as emissões de GEE.

No biênio 2014-2015, nosso consumo de energia foi de 3.600.733GJ e 3.287.801 GJ, respectivamente. Em comparação com o volume de produção em litros, apresentamos uma intensidade de 0,33. 10–³ GJ/l e 0,32. 10–³ GJ/l, com pequena variação de um ano para o outro. Para promover a gestão da energia nas fábricas do nosso sistema, implementamos, em 2012, o programa Top 10, que reúne dez práticas que visam a otimizar o uso de energia.

Atualmente, 100% dos fabricantes aderiram à iniciativa, que prevê o cumprimento de uma série de medidas para economizar custos, controlar o consumo e aumentar a eficiência energética dos processos. As ações incluem, por exemplo: detecção e reparos de vazamentos de ar comprimido e vapor; melhorias no isolamento de dutos; conscientização dos associados; e sistemas de gestão de energia. A implementação dessas medidas alcançou 47% do potencial total estimado de redução do consumo de energia.

Oito fábricas já estão cumprindo 100% das práticas do Top 10 e duas estão com 92% delas implementadas (conforme demonstrado no gráfico abaixo). Nossa meta é alcançar 90% das medidas cumpridas por todos os fabricantes até 2020.


Acompanhamos, mensalmente, a evolução do atingimento das medidas do programa, por meio de relatórios emitidos pelos fabricantes. Com esses demonstrativos, é possível verificar quais ações ainda não foram implementadas e traçar planos que auxiliem no seu cumprimento.

Certificação LEED

Para aumentar a eficiência de nossas edificações e dos processos produtivos, fábricas e depósitos novos, estamos buscando a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), concedida pela United States Green Building Council (USGBC), organização sem fins lucrativos que visa a promoção da sustentabilidade ambiental em edificações. O nível da certificação (Prata, Ouro e Platina) é atingido de acordo com a quantidade de pontos adquiridos em sete quesitos: uso racional da água; eficiência energética; redução, reutilização e reciclagem de materiais e recursos; qualidade dos ambientes internos da edificação; espaço sustentável; inovação e tecnologia; e atendimento às necessidades locais.

Atualmente, cinco unidades do nosso sistema possuem a certificação LEED: Fábrica da Leão Alimentos e Bebidas na Fazenda Rio Grande (PR), Edifício Sede da Coca-Cola (RJ), Laboratório Rio de Janeiro Suburbana (RJ), Fábrica da Femsa, em Maringá (PR) e Fábrica de Concentrado da Recofarma, em Manaus (AM). Temos a meta de, até 2020, ter todas as novas instalações das fábricas certificadas.