O conceito de paternidade tem mudado para melhor. O pai contemporâneo sabe que a educação, o choro, as cólicas, a alimentação e os momentos de lazer das crianças são compromissos inadiáveis. E com um maior envolvimento dos pais na vida de seus filhos, é essencial que as empresas atualizem também os benefícios que oferecem aos funcionários. A ampliação da licença-paternidade para 20 dias, como conta o argentino Federico Artaza, gerente de conta da área de Operações da Coca-Cola Brasil, foi primordial para que ele pudesse exercer de maneira tranquila o cargo mais importante de sua vida: o de pai.

“Já tinha o Franco, de 4 anos, e minha segunda filha, Valentina, nasceu no último dia 10 de março, em meio a uma transição na minha carreira profissional da área de Finanças para Operações. A possibilidade de trabalhar em horários flexíveis e tirar uma boa licença contribuiu para que eu ficasse mais à vontade para desenvolver este trabalho”, conta Federico, a fim de ressaltar não só a importância da ampliação da licença-paternidade, implementada na Coca-Cola Brasil no ano passado, mas também a de benefícios como o chamado “flex time”, que, como o nome indica, dá mais flexibilidade ao tempo do funcionário: “Nas primeiras semanas contamos com o suporte de familiares que vieram para o Brasil. Depois fomos tocando sozinhos e foi quando mais precisei estar em casa”.

‘Tanto o trabalho quanto a paternidade fazem parte da minha vida e da minha felicidade’ — Federico Artaza, pai de Franco e Valentina

Federico — que está no Brasil com a mulher, Natália, desde 2012 — diz que quando ele precisa tem a liberdade de ir buscar o filho na escola, deixá-lo em casa e voltar para trabalhar. “O foco é o resultado. Eu sou gestor do meu tempo. Para minha liderança, os benefícios não ficam apenas no papel. Tenho todo o apoio do meu chefe e da minha diretoria. Tanto o trabalho quanto a paternidade fazem parte da minha vida e da minha felicidade. E tenho podido ter uma vida equilibrada”, ressalta.

Amor à primeira vista

Vice-presidente de Técnica e Logística da Coca-Cola Brasil, Rino Abbondi também vem conseguindo desempenhar ainda melhor o papel de pai de Bruno, de 12 anos, e Rafaela, de 6, por conta do modelo de trabalho flexível. “Meu pai imigrou da Itália e trouxe a cultura europeia de colaboração, fui criado fazendo de tudo em casa. Então, sempre compartilhei as tarefas com a Adriana, minha esposa. Somos de São Paulo e, na época do nascimento do Bruno, não tínhamos pais e sogros por perto para ajudar. Os primeiros três meses foram enlouquecedores. Eu ‘cozinhava’ à noite, ajudava nas rotinas do bebê e acordava para acompanhar as mamadas. Sem uma flexibilidade na rotina de trabalho, teria sido muito mais sacrificante”, relembra ele.

 ‘A pequena olhou para mim e abriu um sorriso lindo. Ela é assim até hoje, sempre sorridente’ — Rino Abbondi, pai de Rafaela e Bruno

Com Rafaela não foi diferente. Quer dizer, o nascimento foi diferente, já que, digamos, a “gestação” foi mais longa, e o “parto”, repentino. É Rino quem conta esta história: “Um ano depois do nascimento do Bruno, começamos o processo de adoção, porque queríamos um segundo filho. Foi mais um ano para sermos incluídos no cadastro nacional de adoção. E depois esperamos mais dois anos até sermos chamados. Então veio a Rafaela, que chegou com seis meses”, recorda o executivo, que recebeu a ligação do Conselho Tutelar num belo domingo. “Disseram que tínhamos que ir correndo a um asilo de freiras em Coelho Neto para conhecê-la. Da mesma forma que eu me lembro exatamente da cena do nascimento do Bruno, me lembro também de como foi o nascimento da Rafa para a gente: nós chegamos no asilo e ela estava no colo de um casal, a Adriana começou a chorar e me pediu para segurar a Rafaela, a pequena olhou para mim e abriu um sorriso lindo. Ela é assim até hoje, sempre sorridente”.

Tão longe, tão perto

Apesar de já ter filhos adultos — Carol, de 23 anos, e Bernardo, de 20 —, João Ribeiro também aposta na flexibilidade para dar apoio e curtir os dois. Ele trabalha no Rio, mas sua mulher, Cláudia, Carol e Bernardo vivem em Porto Alegre. “A empresa tem uma política de sediamento flexível, ou seja, você pode trabalhar em outra cidade, recebendo um incentivo para alugar um imóvel. Como não estou com a família toda, fico em um apartamento pequeno e tenho um benefício em passagens para visitá-los e receber as visitas deles aqui. Assim, a gente pode continuar junto, mas sem que eles precisem abrir mão da cidade que escolheram para viver”, explica João.

Há 25 anos na empresa (começou como trainee e hoje trabalha na vice-presidência de Operações), ele conta que é carioca, mas, por 21 anos, morou com a família em diversos estados brasileiros até se estabelecerem no Rio Grande do Sul. “Meus filhos eram adolescentes e precisavam criar laços, como eu e minha mulher tínhamos, e temos, no Rio. Então compramos uma casa, onde ficamos todos juntos por quatro anos. Depois, acabei indo sozinho trabalhar em Brasília e, na sequência, vim para o Rio. Decidimos em conjunto que eles ficariam em Porto Alegre. Então vou para lá nos fins de semana, no máximo de 15 em 15 dias. Às vezes, embarco na quinta, e, na sexta, trabalho lá, de casa. Quando posso, tiro um dia de folga e fico mais tempo”.

‘Acho que o meu estilo de vida abriu um pouco os olhos deles para o mundo. O meu plano deu certo!’ — João Ribeiro, pai de Carol e Bernardo

Como sempre viajou muito a trabalho, João se emociona ao lembrar que já chegou a perder a festinha do Dia dos Pais na escola do filhos, quando eles eram pequenos. “Foi uma opção por qualidade de vida. Carol faz arquitetura e já morou um ano fora. Bernardo faz relações internacionais. Eles são superdescolados. Acho que o meu estilo de vida abriu um pouco os olhos deles para o mundo. O meu plano deu certo! Eles estão bem criados”, conclui.

As três famílias estarão reunidas em suas casas neste segundo domingo de agosto, Dia dos Pais, comemorando suas conquistas. Rino, por exemplo, espera comer um doce feito por seus filhos, que adoram experiências na cozinha. E está ansioso para receber o presentinho que eles trarão da escola para guardar na gaveta do escritório onde fica a pasta com desenhos e cartas dadas por eles. Já João aguarda a data para mostrar aos filhos esta reportagem, como surpresa.

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Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico