A sociedade pós-industrial — a atual, caso você não tenha ligado o nome à pessoa — demoliu fronteiras no mundo do trabalho. A obrigação de horário rígido, lugar fixo para produzir, contato presencial com a equipe e rotina com pouca autonomia é, em muitos casos, traço do passado. As empresas contemporâneas apostam em tornar maleáveis as relações com seus profissionais, dentro da premissa de que praticidade e conforto geram mais produtividade.

Na Coca-Cola Brasil, os funcionários podem trabalhar em casa quando julgarem necessário e também adotar horários flexíveis. Os praticantes do modelo constatam, inclusive, que a produtividade aumenta na mesma relação do bem-estar, garantindo vantagens também para a companhia.

Gerente de Relacionamento com o Consumidor, Elizabeth Almeida oferece o próprio cotidiano como exemplo do acerto. Pelo menos uma vez por mês, ela declina de ir à sede da empresa, na Praia de Botafogo, e trabalha de casa, em Jacarepaguá. Poupa-se do estresse de até três horas no trânsito carioca, da Zona Oeste à Zona Sul — apenas um ganho entre muitos. “Home office é perfeito quando preciso me reorganizar”, explica ela.

Dá para tourear uma etapa do trabalho em especial: a caixa de e-mails, algo que, para Elizabeth, tem vida própria, à razão de impressionantes 200 mensagens por dia. “Consigo responder e encaminhar tudo de casa, porque não sou interrompida e posso me concentrar completamente naquilo”, constata. “Faço tudo com muito mais rapidez”.

O publicitário Vinícius Limoeiro mora no Flamengo, a menos de dez minutos do prédio da companhia, o que lhe permite utilizar o benefício algumas vezes por mês. “Aderi assim que comecei a trabalhar na empresa. Se preciso voltar para o escritório, chego rápido”, conta ele, 33 anos, há três como um dos responsáveis pela estratégia de comunicação da marca Coca-Cola — papel que demanda, além de criatividade, muito estudo e pesquisa. “Opto por ficar em casa para desenhar projetos, estudar tendências”, aponta Vinícius, que aproveita o ganho de foco estando no silêncio do lar para elaborar documentos mais analíticos e profundos.

Enquanto Vinícius, que mora sozinho, prefere evitar um lugar fixo para o notebook, Elizabeth mantém um escritório na casa onde vive com o marido e os dois filhos, de 20 e 27 anos. “Criei um espaço específico, para servir de fronteira. Assim, aproveito o conforto doméstico com mais racionalidade”, descreve ela, que mesmo em casa se arruma para cruzar os cômodos e “chegar ao trabalho”. “Se precisar sair para alguma reunião, já estou pronta”, opina, exaltando a vantagem de poder almoçar com a família em um dia útil, alegria impensável na rotina tradicional.

Para Vinícius, a funcionalidade do almoço caseiro também conta como uma forma de ganhar tempo, já que evita-se mais um deslocamento. Às vezes, embalado no ritmo de um projeto, ele prefere já fazer alguma refeição diante do computador.

No home office, a autodisciplina é a garantia para não perder o foco. Afinal, são muitas as tentações que o lar e a tecnologia oferecem. Vinícius, por exemplo, evita navegar por redes sociais e mantém a comunicação com a empresa permanentemente ativa, pronto para respostas rápidas. “Minha equipe está sempre ciente de que estou em casa fechando um documento ou terminando um projeto. A premissa maior deve ser a confiança”, destaca o publicitário.

Elizabeth concorda e avalia que há pessoas com perfil e temperamento mais apropriados ao home office. “Sou muito disciplinada, gosto de cumprir e até antecipar prazos. Por isso, trabalhar em casa me dá uma produtividade gigante”, comemora ela, mostrando que o benefício tem mão dupla.

Ou seja: fica tudo em casa.

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Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico