Era para ser uma ação interna, restrita aos funcionários da Coca-Cola Brasil baseados na sede da empresa, em Botafogo, na zona Sul do Rio de Janeiro. Só que a iniciativa, que surgiu de parte de um grupo que está trabalhando a diversidade sexual na companhia, caiu na rede e viralizou. Foram feitas mais de 56 mil menções sobre a ação em redes sociais apenas no dia em que foi realizada. O grupo LGBT+, aberto a todas as pessoas da empresa, é apenas um dos núcleos do Comitê da Diversidade, que é composto de outros quatro grupos dedicados a gênero, raça, geração e pessoas com deficiência. 

A ideia era marcar uma posição no Dia Internacional do Orgulho LGBT+. Quando os funcionários da empresa chegassem para trabalhar naquela quarta-feira, 28 de junho, seriam surpreendidos com uma latinha de Coca-Cola, porém com Fanta Laranja dentro. No rótulo, lia-se:  “Essa Coca-Cola é Fanta e daí?” — apropriação de um trocadilho homofóbico largamente difundido na sociedade brasileira. Em cada uma das geladeiras dos 13 andares do edifício-sede, havia exemplares da latinha comemorativa.

Bastou o primeiro post ser publicado por um funcionário nas redes sociais com a foto do produto para a iniciativa se transformar num sucesso instantâneo. A ação chamou a atenção da mídia, fazendo com que o assunto fosse parar nas páginas dos principais jornais e revistas, e também em sites de notícia. “Essa reação nos pegou de surpresa e tivemos que lidar com as perguntas e respostas ao longo do dia, como, por exemplo, explicar que não haveria comercialização das latas, que era apenas uma ação interna restrita a 100 unidades”, comentou Marina Peixoto, diretora de Comunicação da Coca-Cola Brasil. A latinha não está à venda, até porque os órgãos reguladores não autorizariam que um produto fosse vendido com a embalagem e rotulagem de um produto e o conteúdo diferente.

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A lata vinha acompanhada ainda de algumas frases de apoio à diversidade: “Criamos uma lata especial para reconhecer quem ignora rótulos, desafio os preconceitos e assume quem realmente é. Essa Coca é orgulho. Essa Coca é respeito. Essa Coca é Fanta”. Além da latinha, foram distribuídas algumas camisas aos funcionários, com uma logomarca da diversidade — uma garrafa estilizada com as cores do arco-íris.

A recepção não poderia ter sido melhor. Ficou claro que os funcionários ficaram orgulhosos com a iniciativa e a “ousadia da empresa de brincar com um jargão negativo, dando um sentido empoderador à frase”, comentou Alessandra Issa, gerente responsável pela Comunicação Interna.

Mas afinal, quem foi o pai da ideia?

Apesar da latinha ter sido criada pela agência de publicidade David, a ação interna nasceu de muitas cabeças, incluindo alguns representantes do Comitê Lideranças para o Futuro, formado pela Coca-Cola Brasil em 2012. Naquela época, o grupo estava focado exclusivamente nas discussões sobre gênero. Três anos depois, foi ampliado e, agora — formado por homens e mulheres e aberto a todas as pessoas da empresa —, contempla outros temas na agenda: raça, geração, pessoas com deficiência e diversidade sexual.

“A diversidade está no DNA da Coca-Cola”, explica Diego Oliveira, líder do grupo LGBT+, que integra o Comitê, comentando que incluir minorias não é apenas uma questão moral e social, é também um desafio econômico. Dados de uma pesquisa da Securing LGBT Right in the Global Marketplace confirmam essa tese: apenas 46% das pessoas que não assumem sua orientação sexual ou identidade de gênero se sentem produtivos no trabalho.

A criação do comitê LBGT+ foi um passo importante na cultura da empresa. Os benefícios dos funcionários já haviam sido estendidos para os casais homoafetivos, e o grupo continuará trabalhando para que a Coca-Cola Brasil seja uma empresa cada vez mais inclusiva. A ideia agora é atrair mulheres LGBTs e pessoas heterossexuais para o grupo.

“Se a sociedade é diversa, é preciso que a empresa espelhe isso. A diversidade é importante, inclusive, do ponto de vista dos negócios. Quanto mais pontos de vista, culturas e bagagens tivermos na companhia, ideias cada vez mais ricas surgirão”, define Marina Peixoto, que também integra o comitê de diversidade da companhia, coordenando iniciativas para pessoas com necessidades especiais.

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Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico