Brent Wilton já visitou mais de 100 países e viu inúmeros exemplos de violações dos direitos humanos.

O trabalho dele, como diretor global de direitos trabalhistas da Coca-Cola, é garantir que a empresa e seu imenso sistema cumpram sempre com sua Política de Direitos Humanos e Princípios Orientadores do Fornecedor. Não é apenas o certo a se fazer, é essencial para proteger a empresa e suas marcas.

“Tudo pode ser exposto ao público”, disse Wilton, que entrou na Coca-Cola em abril de 2015. “Pode ser uma foto de celular distante, pode acontecer hoje, pode acontecer amanhã”.

O papel de Wilton é dar continuidade ao trabalho que tem crescido e evoluído na empresa, especialmente durante a última década.

Em 2005, a Coca-Cola contratou Ed Potter, advogado e veterano no mundo do direito trabalhista para atuar como diretor global de direitos trabalhistas da companhia e para liderar o desenvolvimento de uma estratégia que garante o respeito pelos direitos humanos na Coca-Cola. Potter se aposentou em 1º de junho, depois de uma década na empresa, e foi sucedido por Wilton, um especialista pronto para assumir um papel corporativo.

Wilton é nativo da Nova Zelândia. Estudou as leis das relações industriais na Universidade de Auckland. Ocupou uma série de cargos em sua terra natal até 1999, quando entrou como consultor sênior da Organização Internacional de Empregadores (OIE) em Genebra. A OIE é uma rede de mais de 150 organizações de negócios e empregadores que se concentra em questões como padrões trabalhistas e direitos humanos. Em 2003, Wilton era vice-secretário geral da OIE. Em 2012, foi nomeado secretário-geral.

Potter e Wilton se conheceram ao longo dos anos. Desenvolveram juntos uma conferência de direitos humanos voltada às empresas dos EUA, organizada pela The Coca-Cola Company. Além da OIE, as conferências são patrocinadas pelo Conselho Americano para Negócios Internacionais e a Câmara de Comércio dos EUA. A oitava conferência foi realizada na sede da Coca-cola, em Atlanta, no dia 17 de setembro de 2015, com um público de 150 pessoas.

A maioria dos participantes fazem parte de grandes empresas que, como Coca-Cola, têm presença no mercado ao redor do mundo. Wilton desempenhou um papel importante na conferência. Faz parte de seu trabalho fazer a Coca-Cola continuar focada no respeito aos direitos humanos.

Wilton precisa dar continuidade a trabalhos anteriores da companhia e incorporar de maneira cada vez mais profunda o apreço pelos direitos humanos em toda a Coca-Cola. “Precisamos ser mais do que um salva-vidas no fundo de um penhasco, para ajudar alguém depois de ter caído”, disse Wilton. “Temos de, em primeiro lugar, impedir que as pessoas caíam”.

Para uma empresa internacional como a Coca-Cola, este é um desafio singularmente intimidador. Para começar, a Coca-Cola tem operações em territórios no mundo todo. A Coca-Cola também trabalha com uma legião de franquias de engarrafadores parceiross e fornecedores, mas a maioria deles não está sob o controle da empresa.

É um modelo muito diversificado de negócios, mas para a maioria das pessoas é tudo uma coisa só. “Os caminhões dizem Coca-Cola, as instalações dizem Coca-Cola”, ressaltou Wilton. “Todo mundo pensa que tudo faz parte de uma única empresa. Se houver um problema em algum lugar do sistema, não podemos nos esconder só porque não estamos formalmente envolvidos”.

O sistema da The Coca-Cola Company é complexo, envolve grandes instalações e uma multidão de pessoas que não pode ser facilmente locomovida.

Em mais de 200 países e territórios os funcionários da Coca-Cola trabalham em quase todas as culturas do mundo. “Existem conjuntos de valores culturais diferentes, mas não se pode escolher ser nem um pouco abusivo num país, só porque lá isso é considerado aceitável”, afirmou o diretor. “Precisamos aplicar os mesmos padrões em todos os lugares”.

Essas normas são bem claras. As políticas da empresa respeitam, entre outros tratados, os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos, que foram formalmente aprovados pela empresa e adotados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011. A ONU trabalhou durante décadas em padrões globais de respeito aos direitos humanos para empresas.

O trabalho, que começou ainda na década de 1970, mostra o quanto estas questões ainda são complexas. Em meados da década de 2000, o professor da Harvard John Ruggie foi escolhido para trabalhar com a ONU para desenvolver políticas que todos concordassem. Ele trabalhou com grupos de governos, empresas e organizações não-governamentais, tudo para formar a estrutura que é usada hoje.

Para a Coca-Cola, respeitar esta política não é simplesmente uma questão de focar nos pontos de conflito que temos no mundo em desenvolvimento, ou em questões complexas, como trabalho infantil. Existem riscos de se colocar em perigo os direitos humanos em todos os mercados. Isso significa que novos investimentos, não importa onde, devem ser avaliados para garantir a conformidade com a política de direitos humanos da Coca-Cola.

“Fazer a devida diligência requer mais do que apenas olhar o registro de dados”, disse Wilton. “É preciso gastar a sola dos sapatos, olhar com seus próprios olhos”.

Neste momento, a Coca-Cola conduz cerca de 2.600 auditorias por ano nas cadeias de suprimento da empresa. E, ainda há muito mais trabalho a fazer, segundo Wilton.

O lado positivo é que a Coca-Cola está progredindo numa área que é muito difícil para todas as empresas. “Muitas grandes empresas estão tendo dificuldades para garantir o respeito aos direitos humanos em suas operações e cadeias de suprimento, mas isso está mudando e sendo aprimorado”, garantiu Wilton.

Wilton está tentando também tornar a política mais simples para que todos os funcionários possam entender. Essa é a mensagem que ele continuará espalhando.

“Trate as pessoas como gostaria de ser tratado”, aconselhou Wilton. “E corrija as questões antes que elas se tornem problemas”.