O respeito pelos direitos humanos e pelo ambiente de trabalho é o que de fato orienta o relacionamento da The Coca-Cola Company com os engarrafadores parceiros, fornecedores, clientes, consumidores, funcionários e comunidades.

Como diretor de direitos internacionais no ambiente de trabalho, Brent Wilton é responsável por garantir que o sistema global da Coca-Cola obedeça a Política de Direitos Humanos, e que a cadeia de suprimento global da Coca-Cola esteja em conformidade com os princípios da empresa e os Princípios Orientadores do Fornecedor. Para comemorar o Dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro), conversamos com Brent, que foi secretário-geral da Organização Internacional de Empregadores (OIE) e é natural da Nova Zelândia.

O que significa para você respeitar os direitos humanos?

Tratar as pessoas como você gostaria de ser tratado. Isso significa tratar as pessoas com respeito no seu dia a dia e pensar sobre as consequências de suas ações, e como elas podem afetar positivamente ou negativamente os outros.

Devido às atuais questões mundiais, por  que reconhecer o Dia dos Direitos Humanos é especialmente importante atualmente?

Acredito que na The Coca-Cola Company nós fazemos valer a nossa política de direitos humanos em torno dos valores que defendemos, e acho que é importante lembrar as pessoas disso, dentro e fora da empresa, pois, no fim das contas, o sucesso da política de direitos humanos da The Coca-Cola Company depende de todos nós. É o que cada um de nós faz ou não no dia a dia do trabalho que irá determinar se cumpriremos os nossos compromissos. As adequações individuais e a responsabilidade de cada um são importantes, e não queremos usar uma abordagem única. O objetivo é todos os funcionários refletirem sobre suas ações cotidianas em relação à defesa dos direitos humanos e no local de trabalho. Queremos que os funcionários experimentem momentos de reflexão, como quando paramos e pensamos sobre as implicações de nossas ações e decisões com relação aos direitos humanos. O que nos importa é a responsabilidade individual das nossas políticas.

O fato da Coca-Cola ser uma multinacional que opera em mais de 200 países aumenta sua responsabilidade com relação aos direitos humanos?

Acho que sim, porque atuamos em alguns países onde os valores que articularmos para nós mesmos não são, necessariamente, aqueles inteiramente respeitados por todos naquele país. Por isso é importante acreditar, levantar e dizer: “Isto é o que nós defendemos”. O que me preocupa é que, em alguns países, alguns direitos que acreditamos que nossos funcionários deveriam ter não podem ser exercidos, pois eles poderiam ser presos, ou até pior.

Como lidar com isso?

Não se pode mudar a sociedade da noite para o dia. Se você está numa cultura que tem certos conceitos acumulados ao longo de séculos, sobre como a sociedade deveria agir, como seria possível mudar isso apenas através dos negócios? E como levar isso para casa à noite depois de sair do escritório? É complicado. É preciso compromisso e empenho, dando o exemplo e reforçando os argumentos. Isso significa lutarmos constantemente pelos nossos valores, mesmo que tenhamos que defender os outros, que não podem fazer por si próprios. Pode ser meio desagradável quando temos que bater de frente com alguns grupos importantes da sociedade e dizer: “Não concordamos com isso!”. É o que a nossa política de direitos humanos exige que façamos.


Como evoluiu a política de direitos humanos da empresa, e como ela ainda irá evoluir?

Só existe uma constante na vida, a mudança. Na área dos direitos humanos, agora há uma necessidade de olhar para o que está em evidência na área, focando sempre nas pessoas, acima de qualquer coisa. No passado, nós olhávamos para os direitos humanos pensando nos riscos para os bens materiais e o negócio. Na medida em que avançamos nesta área, devemos perguntar: “Qual é o risco para os detentores dos direitos?”. E em muitos casos, o risco para o negócio e os detentores de direitos é o mesmo, pois eles tendem a se alinhar. Recentemente, convocamos um debate interno para ajudar a definir a questão dos direitos humanos. Nós procuramos nas atividades comerciais, fomos direto à fonte do consumidor, e fomos capazes de identificar questões emergentes, das quais precisamos falar. Temos de realizar este tipo de exercício regularmente, pois esta área muda rapidamente, variando enormemente de país para país.

A sua equipe produziu um vídeo apresentando as conversas sobre direitos humanos com os funcionários da Coca-cola. O que mais estão fazendo para comemorar o Dia dos Direitos Humanos?

Temos o nosso novo Manual da Política dos Direitos Humanos para Gestores, que é uma ferramenta para ajudar as pessoas a entenderem a nossa política de direitos humanos e como pô-la em prática. Temos também dois novos folhetos sobre o comportamento exigido pela política: um para os gestores e outro para os funcionários.

Voltando à minha primeira pergunta sobre o que significa para você respeitar os direitos humanos... Quando você faz essa pergunta aos funcionários da Coca-cola em todo o mundo, espera sempre receber a mesma resposta?

Não a mesma resposta, mas os mesmos tipos de assuntos aparecem. Como se trabalha, como se relaciona, como respeitamos uns aos outros. Como não fazer o mal ao tentar fazer o bem.

Há mais rigor nesta área do que, digamos, 20 anos atrás?

Sim, muito mais. E, também o incentivo a mais transparência. O que fazemos e a maneira como fazemos é algo que irá mudar ao longo do tempo. Pode ser um pouco desagradável, porque as pessoas não estão prestando atenção nas coisas boas que fazemos, mas, pelo contrário, estão de olho no que estávamos fazendo quando as coisas deram errado. Claro, estamos trabalhando para nos certificar de que não teremos que consertar falhas, mas elas sempre existirão. Por isso, precisamos ter certeza de que nosso processo para remediar os problemas é muito bom e ágil. E os gestores devem estar atentos à atualidade e tratar as questões antes que se tornem problemas. Deixar questões crescerem pode impactar negativamente sua marca e fazer com que a reparação seja bem mais complicada.