Negros são 55,8% da população brasileira. Essa proporção, no entanto, não se reflete no mercado de trabalho e, consequentemente, no ambiente corporativo, como mostra pesquisa do IBGE divulgada neste mês: atualmente, pretos e pardos representam 64,2% dos brasileiros em busca de emprego. Contribuir para a transformação dessa realidade é uma agenda urgente das empresas, especialmente para as signatárias da Iniciativa Empresarial pela Igualdade, entre elas a Coca-Cola Brasil. Afinal, dados do Instituto Ethos de 2016 apontam que apenas 34% dos funcionários das maiores empresas do país são negros; menos de 10% destes estão em altos postos hierárquicos. E entre os executivos, apenas 0,4% são mulheres negras. Se as práticas empresariais não se modificarem, só alcançaremos a equidade em 150 anos.

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Diante desse cenário, os funcionários negros da Coca-Cola Brasil formaram um grupo de Inclusão Racial, parte do Comitê de Diversidade da empresa. Segundo a líder do grupo, Helena Bertho, gerente de Comunicação, as empresas precisam transformar discurso em práticas corporativas. “É urgente que sejam planejadas e executadas ações de curto, médio e longo prazo, que olhem para quem está na universidade e também no mercado, para aceleração das carreiras”, afirma Helena.  

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‘Reconhecemos que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas sabemos onde queremos chegar e que é preciso fazer mais’ – Henrique Braun, presidente da Coca-Cola Brasil 

Ações e prioridades

O grupo, que hoje conta com 29 integrantes, tem meta de fazer a Coca-Cola Brasil refletir o mercado em que está inserida, promovendo um ambiente de trabalho inclusivo, com oportunidades de crescimento pessoal e profissional para todos. Para isso, o time tem três prioridades: ser um espaço seguro e de acolhimento para os negros, onde possam discutir pontos profissionais e pessoais do ambiente corporativo; comunicar-se com as equipes responsáveis pelas marcas da companhia e atores de todo o setor de alimentos e bebidas para amplificar a agenda de equidade racial; e apoiar a área de recursos humanos, para propor políticas inclusivas.

Helena Bertho e Luciana Barreto
Helena Bertho, gerente de Comunicação da Coca-Cola Brasil, e Luciana Barreto, jornalista e apresentadora da CNN Brasil 

Berg Silva

A agenda de inclusão e diversidade é liderada pelo time da área de Recursos Humanos que, atualmente, com o apoio e propostas do Grupo de Afinidade, está revisitando processos de recrutamento para contratação de profissionais negros em todos os níveis, além do desenvolvimento e encarreiramento dos colaboradores atuais. Uma das ações é o programa de Mentoria Reversa, em que profissionais negros são mentores da alta liderança sobre letramento racial com o intuito de desenvolver uma gestão inclusiva. Além disso, para que o tema seja mantido no dia a dia, haverá quatro momentos no ano de diálogos transparentes com os funcionários sobre a temática racial, batizados de Black Talks.

Em novembro, foi realizada a primeira edição do Black Talk, com a participação da apresentadora da CNN Brasil Luciana Barreto, que apresentou sua pesquisa sobre discurso de ódio e provocou a plateia a refletir sobre privilégios e o papel de cada um na construção de uma sociedade antirracista. “Quero fazer um apelo a vocês e conquistar aliados nessa pauta, porque não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas”, convocou Luciana, fazendo referência à célebre frase da filósofa americana Angela Davis. “A desigualdade social que existe entre nós é fruto do nosso racismo, é fruto de uma república que nunca teve política pública para a população que ficou 350 anos servindo”, completou a apresentadora.

Campanha de comunicação interna
Campanha inédita na sede da companhia, no Rio, que faz refletir sobre o cotidiano vivido por pretos e pardos brasileiros em diferentes lugares

Fernanda Baldioti


Campanha de comunicação interna

Ainda em novembro, uma campanha inédita se espalhou pela sede da companhia, disseminando a empatia ao apresentar situações do cotidiano vividas por todos os pretos e pardos brasileiros em diferentes lugares, com frases como como “já te impediram de pegar o elevador social?”, “você já se preocupou em ser barrado na porta?”. Outras peças também mostram estatísticas da desigualdade racial brasileira.

Campanha de comunicação interna para homenagear o Dia da Consciência Negra

Foi criada também uma lata de Coca-Cola para homenagear o Dia da Consciência Negra, por meio de uma iniciativa liderada pelo Grupo de Afinidade Racial em parceria com a marca e a agência David, além da consultoria do coletivo MOOC e de AD Junior. Em uma ação interna, as latinhas foram distribuídas aos colaboradores com o objetivo de marcar esse momento de debate e promoção de ações que faz parte da agenda de equidade racial da companhia. Transparente, a lata expõe a cor do refrigerante e carrega a seguinte mensagem: “Lutar pela equidade racial é um compromisso. Coletivo Jovem e Negras Potências são algumas das nossas iniciativas. Mas é preciso mais. Mais lideranças negras e mais oportunidades. Esta lata é um símbolo de que a transparência impulsiona mudanças e novas construções”.

Campanha de comunicação interna para homenagear o Dia da Consciência Negra

As medidas que impactam toda a sociedade também já são parte das políticas da Coca-Cola Brasil, por meio de apoio a organizações educacionais e culturais, iniciativas empresariais e premiações como o Troféu Raça Negra, da Fundação Zumbi dos Palmares.

Outro destaque é o Coletivo Jovem, do Instituto Coca-Cola Brasil (ICCB), que, em dez anos, já recebeu 219 mil jovens, de 16 a 25 anos, moradores de 75 comunidades, de 14 estados e do Distrito Federal. Desse grupo, mais 60 mil foram inseridos no mercado de trabalho. Entre os participantes, 61% são jovens negros.

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‘As empresas precisam transformar discurso em práticas corporativas’ – Helena Bertho, gerente de Comunicação da Coca-Cola Brasil 

Ainda na meta de impactar a sociedade, o ICCB é parceiro do Baobá — Fundo Para Equidade Racial no programa Negras Potências, edital que selecionou, para financiamento, programas que fortalecem econômica, política e socialmente mulheres negras. Com um investimento total de R$ 500 mil, foram 13 projetos apoiados pelo maior fundo de matchfunding do Brasil em parceria com a plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria, para impulsionar projetos que criam ferramentas de empoderamento de mulheres negras.

Black Talk
Primeira edição da Black Talk, com a participação da apresentadora da CNN Brasil Luciana Barreto

Berg Silva

Enumerar conquistas não impede que a companhia tenha a consciência de que ainda há muito a ser feito. “Nossa visão é ser tão diversos quanto o mercado em que atuamos, com oportunidades iguais e respeito a todos. Reconhecemos que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas sabemos onde queremos chegar e que é preciso fazer mais. Estamos empenhados nessa agenda, com ações concretas que incluem revisão de políticas de recrutamento e de desenvolvimento e retenção de talentos”, conclui o presidente da Coca-Cola Brasil, Henrique Braun.

Texto produzido por #ColaboraMarcas