Comprar um refrigerante, consumi-lo e guardar a garrafa vazia para levá-la ao mercado na hora da recompra. Há 76 anos, quando a Coca-Cola chegou ao país, esta era a rotina das famílias brasileiras. Talvez nossos bisavós ou avós não estivessem pensando em sustentabilidade ao trocarem suas embalagens, mas o hábito — quem pode negar? — está alinhado com as práticas de quem zela pelo meio ambiente no século XXI. Por isso mesmo, a Coca-Cola Brasil acaba de lançar a chamada garrafa universal, uma versão ainda mais sustentável e eficiente das retornáveis.

É bom lembrar que, mesmo com as transformações nos hábitos de consumo e o surgimento de muitas outras embalagens, as retornáveis nunca deixaram de existir. E há mais de 20 anos uma nova versão dessa tecnologia entrou para o portfólio da Coca-Cola Brasil: dessa vez, de plástico, com o nome técnico de RefPet (do inglês refilable PET, ou PET reutilizável) e tem capacidade para até 25 ciclos de utilização.

Garrafa única, menor impacto

Mas se as retornáveis nunca saíram de cena e até foram modernizadas, o que traz de novo a garrafa universal? A mudança pode parecer um detalhe, mas seu impacto é grande. Até hoje cada refrigerante do portfólio tinha uma garrafa com formato e decoração próprios, além de rótulo fixo. Ou seja, o consumidor que comprava uma garrafa retornável de Fanta só poderia usá-la para comprar outra Fanta. Também na fábrica, esta garrafa só poderia ser utilizada para a mesma bebida.

“Desenvolver uma única garrafa gera dois principais benefícios: eficiência e redução de impacto ambiental, duas palavras que quase sempre andam juntas. Esse movimento traz mais agilidade à logística da empresa, mais opções de troca ao consumidor, e reduz a produção de novas garrafas, emitindo menos carbono”, explica Thais Vojvodic, gerente de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Do portfólio da empresa, 20% das vendas são feitas por meio desse tipo de embalagem, o que torna a operação com múltiplas garrafas bastante complexa, por demandar um grande estoque das chamadas RefPets.

Mais um passo rumo ao ‘mundo sem resíduos’

Essa, dentre muitas outras estratégias relacionadas às embalagens da Coca-Cola Brasil, fazem parte do compromisso Mundo sem Resíduos, anunciado pelo CEO global da The Coca-Cola Company em janeiro de 2018.

Um dos grandes benefícios das garrafas retornáveis, além de serem mais acessíveis ao consumidor, é o controle total sobre sua destinação após os ciclos de uso. Enquanto as garrafas descartáveis são 100% recicláveis, mas dependem de onde o consumidor a deposita e de outros fatores externos, as retornáveis voltam às fábricas através dos caminhões da empresa e de lá são remetidas à indústria recicladora. Com isso, anualmente a Coca-Cola Brasil deixa de colocar mais de 200 milhões de PETs no mercado.

“A visão de crescimento da empresa está cada vez mais conectada a um impacto positivo sistêmico. Sustentabilidade não pode estar à parte das tomadas de decisão, precisam fazer parte da estratégia”, conclui Thais.

Do Brasil para toda a América Latina

A nova garrafa universal, que será replicada em toda a América Latina, surgiu no Brasil. É mais leve do que a anterior (redução de 14% na gramatura) e tem a mesma vida útil, o que torna-se um segundo fator de redução de emissão de gases de efeito estufa no processo de fabricação. A tampa também usa menos plástico, e os rótulos passaram a ser de papel.

As novas garrafas começaram a ser comercializadas em setembro, no Centro-Oeste. Neste mês de outubro chegam a São Paulo e, em novembro, ao Nordeste. No Rio de Janeiro, as embalagens poderão ser encontradas a partir de dezembro. Em até dois anos a previsão é de que todas as garrafas do portfólio de refrigerantes, nos tamanhos de 1,5 litro e 2 litros, serão deste formato.

Transformação dentro das fábricas

A adaptação do Sistema Coca-Cola Brasil para a mudança exigiu um investimento da ordem de R$ 100 milhões, especialmente pela instalação de novo maquinário nas fábricas.

“A garrafa única passa a incorporar máquinas de rotulagem na linha de envase, que apliquem e retirem os rótulos de papel a cada ciclo”, explica Diogo Gioia, gerente da área de Operações da companhia. “Além da aquisição dessas rotuladoras, tivemos que adaptar as linhas para receber o novo formato”.

Dinheiro bem investido, do ponto de vista do negócio. “Esse tipo de movimento permite que planejemos um crescimento da representatividade das retornáveis no Brasil de 20% para 40% do nosso volume comercializado até 2020”, projeta o gerente de Operações.

Tudo isso sempre com foco no consumidor: “A garrafa única aumenta a possibilidade de escolhas e a praticidade para quem consome o produto”, enfatiza Gioia.

Eficiência no uso de água

Com uma análise de ciclo de vida completo das embalagens, a empresa se prepara para não gerar maior impacto em uso de água a partir dessas mudanças: “As fábricas estão trabalhando em seus planos de eficiência para não haver impacto no uso de água com o aumento das garrafas retornáveis”, avisa Gioia.

Desde 2015, a Coca-Cola Brasil devolve ao meio ambiente o mesmo volume de água consumido na produção de bebidas, graças a investimentos em projetos de geração e retenção em bacias hidrográficas.

Como as vovós já diziam, o planeta agradece.

*Texto produzido por Colabora Marcas