Um  laboratório capaz de reproduzir o passo a passo da produção de um refrigerante à base de laranja foi instalado em um dos andares da sede da Coca-Cola Brasil, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Tudo para Dinorah Isaac, gerente de Desenvolvimento de Produtos da The Coca-Cola Company, no México, mostrar — a uma plateia curiosa — os desafios de desenvolver novas receitas de refrigerantes com menor quantidade de açúcar, revelando um pouco do que é o seu trabalho há mais de dez anos. A cientista demonstrou, de maneira bem simplificada, como foram feitas as pesquisas para o desenvolvimento das novas receitas de Fanta, lançadas este mês, com 25% menos açúcar do que a média de mercado.

A “mágica” começou apenas com água gasosa, o principal ingrediente de qualquer refrigerante, e, aos poucos, foram entrando os outros elementos que compõem a receita, como suco de fruta, aromas, acidificantes e finalmente açúcar, para chegar ao resultado final. Só que o experimento não parou aí: depois da degustação do refrigerante de laranja, Dinorah distribuiu provas de uma versão com menos açúcar do que a média de mercado, e também opções zero açúcar, adoçadas com sucralose e stevia.

Houve um consenso entre todos que estavam no evento: é mais fácil identificar, em meio às quatro versões, aquelas com zero açúcar, enquanto as outras duas opções — a receita clássica e a nova, com menos açúcar — têm o mesmo sabor. No entanto, para se chegar à nova bebida, que agradou a todos, foram necessárias inúmeras pesquisas e testes de qualidade, feitos no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da The Coca-Cola Company, no México, onde os cientistas trabalham todos os dias para dar ao consumidor o sabor e a funcionalidade que desejam para as bebidas. Além da redução de calorias, a nova receita de Fanta Laranja tem ainda vitamina C adicionada.

“É possível educar as pessoas para reduzir o consumo de açúcar, mas é um trabalho de longo prazo, que exige um grande investimento em inovação. Não basta retirarmos o açúcar de um produto de uma só vez, pois o consumidor vai apenas rejeitá-lo e migrar para outro que tenha o dulçor que ele tanto gosta”, enfatiza a diretora de Categorias da Coca-Cola Brasil, Andrea Mota, que também participou da apresentação das novas versões de Fanta Laranja e Fanta Uva, frutos de estudos que começaram em 2016 na área de Research and Development (R&D). “Essa jornada faz parte de um compromisso global da companhia, que visa a incentivar o consumo equilibrado de açúcar sem abrir mão do sabor”, ela destaca.

Tanto a Fanta Uva quanto a Fanta Laranja já haviam passado por uma redução significativa de açúcar em 2014. De lá para cá, no total, a receita da Fanta Uva perdeu 47% de açúcar e a da Fanta Laranja, 36%. Além delas, a Coca-Cola Brasil modificou as receitas de outras 40 bebidas nos últimos três anos. Os produtos Del Valle Néctar, por exemplo, hoje trazem, em média, 40% de suco de fruta, com suco de maçã como complemento para adoçar – uma inovação que possibilitou a redução de 23% da quantidade de açúcar em relação à receita anterior. Ao todo, cerca de 80% do portfólio de produtos da empresa tem versões com baixa ou nenhuma caloria.

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De acordo com os profissionais de R&D (pesquisa e desenvolvimento), se a redução na quantidade de açúcar dos produtos for muito gradual, o paladar das pessoas se adapta melhor à modificação – ou nem a percebe.

Pesquisar para inovar

A companhia está disposta a fazer tudo que for possível para atender à demanda do consumidor, ajudá-lo a fazer escolhas conscientes – oferecendo muitas opções de bebidas e informações transparentes – e estimular uma dieta equilibrada. Por isso, somente na área técnica, o investimento da Coca-Cola Brasil vai alcançar a soma de R$ 770 milhões em 2017, segundo o vice-presidente de Técnica e Logística, Rino Abbondi. “Cabe à área técnica gerir toda a cadeia produtiva do Sistema Coca-Cola Brasil, que compreende mais de 150 fornecedores”, afirmou Abbondi. “Temos que garantir sabor, integridade do produto e segurança alimentar para o consumidor, por isso qualquer inovação é complexa”.

O desafio se torna ainda maior a partir do momento em que a Coca-Cola Brasil aposta na oferta do maior número possível de opções – com ou sem açúcar –, deixando a escolha a cargo do consumidor. Isso porque, como lembra Abbondi, não existe certo ou errado, uma vez que um copo de suco 100% (aquele que tem 100% de suco em sua composição e apenas o açúcar contido na própria fruta) pode ter mais calorias que um copo de refrigerante. “O que há, de fato, é a dieta mais adequada para cada estilo de vida. Dessa mesma forma, cada consumidor pode escolher os produtos que melhor se encaixam nas suas necessidades naquele momento”, ele completa.

Como a legislação brasileira permite, desde 2015, a combinação de açúcar e adoçantes, o leque de possibilidades se abre ainda mais. Mas as soluções não são simples e fáceis. Muito trabalho é exigido. “Para explorar esse universo, temos toda a tecnologia aplicada à indústria de alimentos, sempre em constante evolução para proteger o consumidor”, ressalta Abbondi. O bom resultado em um produto não significa que a pesquisa chegou ao fim, já que a inovação constante é essencial para o futuro. “E nós vamos seguir nossa jornada de investimento, estudo e inovação”, resume Dinorah.


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Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico