A olho nu, o item “viabilizar histórias de amor” não consta da relação de benefícios disponíveis aos funcionários da Coca-Cola Brasil — mas só para quem não conhece o casal Marcelo Bozzini e Maria Stella Walter. O romance dos dois tem quase 13 anos e já passou por três cidades — Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza — enquanto buscam crescimento profissional. Hoje na capital cearense, eles conciliam felicidade no amor e no trabalho.

“A Coca-Cola é meio cupido da gente”, atesta a gerente de Finanças Comerciais que, aos 34 anos, diz já ter perdido o sotaque de carioca depois de tantas mudanças. Há oito anos na empresa, Stella agora trabalha remotamente para a sede, que fica no Rio, graças ao “Flex city” — opção concedida a funcionários de escolher outra cidade onde a empresa possui escritório para morar. Responsável por analisar a viabilidade financeira dos produtos a serem lançados, ela ocupa uma mesa no escritório regional em Fortaleza.

Hoje diretor de Operações da Solar BR, grupo responsável pela Região Nordeste e parte da Centro-Oeste, Bozzini usufruiu do Sediamento, outra vantagem oferecida pela companhia, para trabalhar em outro estado. “Foi um benefício que pesou na escolha dos próximos passos na carreira”, confirma o paulista de 35 anos, 13 no Sistema Coca-Cola Brasil. “Funcionou como fator bem significativo para eu querer me movimentar e sair do Rio”, acrescenta.

Mas e o amor? Começou seis meses antes de ele entrar na Coca-Cola Brasil — e separados pela ponte aérea, Stella no Rio, Marcelo em São Paulo. Durou outro meio ano, até que a companhia o convidou para uma vaga na terra carioca. Quatro anos depois, a empresa promoveu campanha interna para funcionários indicarem novos talentos, e ele sugeriu o nome de Stella. Com a experiência adquirida num banco de investimentos, a economista ficou com uma das vagas, o empurrão que faltava para o amor vencer definitivamente. “Entrei na Coca-Cola Brasil em janeiro de 2009; em maio, nos casamos”, ela recorda.

Maria Stella, Rafaela e Marcelo
Bozzini contou com apoio da família para encarar um grande desafio profissional

Lia de Paula

O maior de todos os presentes chegou em 2012 — uma menina chamada Rafaela. Ela entrou na “dança do sediamento”, ao se mudar com os pais para São Paulo, última parada antes de Fortaleza. Sem crise — além de Marcelo ser da cidade, vários amigos de Stella, colegas do curso de Economia na PUC-Rio, mudaram-se para lá. Assim, a adaptação se deu de maneira tranquila.

Três anos depois, surgiu a possibilidade de nova transferência, de volta à sede ou, talvez, para Fortaleza. Marcelo torceu pela opção nordestina. “Aqui, a qualidade de vida é boa, e o custo muito mais baixo”, analisa. “Moro de frente para a praia e a cinco minutos do escritório — por menos do que eu pagava de aluguel em São Paulo”, resume.

Sem falar no incrível desafio profissional que se materializou com a mudança. “Ser o líder de uma região inteira, tocar o negócio em todas as suas nuances e obter melhorias salariais formam um conjunto precioso”, festeja ele, que enumera outros predicados. “Aqui, estamos todos mais unidos, nos ajudando mais. Eu era muito cético em relação ao clima familiar que muitos afirmavam existir nos escritórios regionais, mas mudei completamente de opinião. Viramos todos uma grande família”.

Mais metódica, Stella lembrou do incômodo das trocas de cidade que viveu ainda criança. Preocupou-se, ainda, como seria a adaptação de Rafaela. A filha, então, ensinou-lhe uma lição. “Ela é muito independente, tira muito de letra”, elogia. “Está integrada à vida de mudanças e vai muito bem”. Para isso, contribui também a família da gerente na cidade. São mais de 20 primos, uma tropa de afeto à disposição dos migrantes.

A família escolheu o Meireles, bairro próximo à praia, para viver. O escritório regional da Coca-Cola Brasil, na Aldeota, está a cinco minutos de carro. Bozzini entende que mudanças para cidades com realidades tão distintas precisam ser discutidas em família, com transparência. “Mas se for vantajoso, vale a pena”, aponta. Com muito amor envolvido, fica ainda melhor.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico