Quando um jovem ingressa em uma grande empresa, é comum acreditar que o presidente seja alguém distante. Aquela pessoa que causa um frio na barriga em um encontro por acaso no elevador, ou diante de quem deve-se pensar mil vezes antes de fazer alguma pergunta. Na Coca-Cola Brasil, porém, essa relação é diferente. Tanto que, em maio deste ano, seis jovens talentos — aprendizes, estagiários e trainees — sentaram com Henrique Braun, presidente da companhia, para conversar e preparar a abertura do Relatório de Sustentabilidade 2017, lançado nesta sexta-feira (29). No bate-papo, a turma aproveitou para falar e ouvir bastante, e saiu de lá com uma mensagem. “Poucas empresas têm o impacto que nós temos em diversos setores, e vocês têm o potencial de levar isso adiante. Juntos, dialogando com governos, setor privado e sociedade civil, podemos construir o futuro de maneira sustentável. Existe uma coisa que vocês não podem perder: o propósito”, incentivou o presidente.

Com papéis, canetas e celulares nas mãos para anotar tudo, os jovens começaram atentos. Afinal, a ideia era dialogar e refletir sobre os principais pontos do documento. Mas, se havia alguma formalidade, foi superada logo na primeira pergunta, da estagiária Livia Morais, da área de Valor Compartilhado, sobre sucessos e fracassos, e o que o Braun teria feito de forma diferente em 2017. "Um dos grandes legados do ano é o fato de a gente se libertar para arriscar mais e aprender com os erros. A partir de uma cultura de diálogo e escuta ativa, evoluímos tanto no que fazemos (produtos e categorias), quanto em como fazemos (processos de produção e políticas de atuação)", disse o executivo. "Apesar de termos testado muitas coisas, o que eu faria diferente é testar mais rápido ainda! E estamos fazendo isso em 2018", complementou.

A partir de então, conforme o papo fluía, o grupo pontuava temas relevantes para a companhia este ano: lançamento da plataforma Água + em 2017 e a assinatura do Compromisso Empresarial Brasileiro pela Segurança Hídrica, em 2018, durante o Fórum Mundial da Água; o lançamento do plano "Mundo sem resíduos", com a meta de reciclar e coletar o equivalente a cada garrafa ou lata vendida pela The Coca-Cola Company até 2030; o fortalecimento da cadeia de produtores e da agricultura familiar; além de medidas para reforçar o comprometimento com a diversidade, como a política de contratação da companhia para ter 50% de mulheres em cargos de liderança até 2020. Também foram lembradas a entrada da marca Ades em 2017 e a aquisição da Verde Campo em 2016, contribuindo para a inovação e expansão do portfólio que já chega a 213 produtos. "Reduzimos o açúcar adicionado em 17 bebidas no ano passado, além de acrescentar vitaminas e minerais”, destacou Braun.

‘A partir de uma cultura de diálogo e escuta ativa, evoluímos tanto no que fazemos (produtos e categorias), quanto em como fazemos (processos de produção e políticas de atuação)’ – Henrique Braun, presidente da Coca-Cola Brasil

Além da Livia, a turma era formada pelas estagiárias Ana Caroline Comandante, do Instituto Coca-Cola Brasil, e Juliana dos Santos, de Assuntos Científicos e Regulatórios (SRA); os aprendizes Milena Monteiro, de Comunicação Integrada de Marketing, e Eduardo Ferreira, de Técnica e Logística; e a trainee Camila de Andrade, da área de Estratégia de Baixa Caloria. Apesar de os jovens terem muito o que perguntar, Braun também quis saber a impressão de cada um sobre diversos temas. "Essa eu quero ouvir de vocês!", brincou o presidente, ao ser questionado sobre expectativas para o futuro. E a turma não perdeu tempo.

"Acho que nós — como indivíduos, sociedade, empresa — vamos começar a ver as consequências do que investimos para um mundo melhor", opinou Eduardo. "Este momento de transformação traz um aprendizado muito grande. Na questão de diversidade, por exemplo, já sinto as mudanças, que se conectam com criatividade e com inovação", disse Camila. "Trabalhar com propósito é inspirador. Eu acho muito bacana quando vejo uma família de agricultores integrada na cadeia da companhia e tendo todo o seu processo respeitado e valorizado”, ressaltou Ana Caroline.

Ao final, o encontro se estendeu para além do horário previsto e terminou com Braun contando também suas histórias de quando era um jovem talento na companhia. Todos saíram inspirados. "Ter essa liberdade de conversar com o presidente da empresa para a qual trabalhamos a respeito de assuntos críticos, que se conectam tanto com o futuro da empresa quanto com o da sociedade, mostra que existe de fato preocupação com o desenvolvimento de soluções sustentáveis em conjunto", observou a estagiária Livia. 

Quer saber mais? Confira alguns destaques da conversa: 

Como o tema Sustentabilidade é gerido na companhia? No relatório de Sustentabilidade de 2016, você dizia: “Queremos ser o Sistema que cuida das pessoas, das comunidades e do meio ambiente.”

Henrique: O significado literal da palavra sustentabilidade é perpetuidade. Se pensarmos dessa forma, fica mais fácil entendermos que essa lente deve permear tudo o que fazemos. A longevidade da Coca-Cola Brasil só é possível se a nossa forma de trabalhar trouxer ganhos para todos. No dia a dia é fácil nos preocuparmos com o ano, o trimestre, o mês. Mas a Coca-Cola é uma empresa de 132 anos e vai continuar atuando por muito tempo. Em 2017 tivemos importantes avanços do Comitê de Diversidade, por exemplo, com a mudança da política de contratação da companhia para termos 50% de mulheres em cargos de liderança até 2020. Outro destaque foi o lançamento do programa Água+ Acesso, que leva água potável para comunidades rurais e isoladas do Norte e Nordeste. Foi um avanço simbólico no reconhecimento do nosso papel além dos muros das nossas fábricas. Também estabelecemos uma parceria inédita com o nosso maior concorrente. Ambas as empresas abriram mão de seus próprios programas de apoio a cooperativas de reciclagem e passaram a coinvestir nessas organizações, gerando maior eficiência e um posicionamento corajoso de que não deve haver competição nas agendas social e ambiental.

De que forma o cenário político econômico local e internacional influenciam a estratégia do negócio?

A Coca-Cola sempre teve uma relação de otimismo com o futuro. O passado você não muda, mas o futuro você cria. Estamos há mais de 75 anos no Brasil e já passamos por muitos momentos de crises políticas e econômicas, mas nunca mudamos nossa postura ou deixamos de investir. Exemplo disso é a previsão, entre 2016 e 2020, de investir R$ 1,5 bilhão na ampliação do portfólio de embalagens, entre infraestrutura de linhas de fábrica, vasilhames e comunicação.

Em 2017 a Coca-Cola se reposicionou globalmente como uma companhia total de bebidas, com o objetivo de manter os consumidores no cerne de tudo o que é feito. O portfólio a cada ano ganha novos produtos, seja com reformulações para a redução de açúcar ou por meio de marcas adquiridas pela Coca-Cola, caso da Verde Campo e da Ades. O que muda a partir desse reposicionamento?

A mudança tem que fazer parte de quem somos para estarmos sempre próximos dos nossos consumidores. Se eles mudam, temos que mudar junto. Somos a maior empresa de bebidas do mundo, e conforme novas categorias passam a fazer parte da rotina das pessoas, nós passamos a fazer parte desses novos hábitos, trazendo soluções para essas demandas. A decisão de entrarmos nas categorias de lácteos (com a aquisição da verde Campo) e de bebidas à base de proteína vegetal (com a aquisição de Ades) são os exemplos mais tangíveis e recentes. por trás desses exemplos estão mudanças estruturais grandes, como a criação de uma nova vice-presidência para todas as bebidas que não são refrigerantes e metas de crescimento específicas para essas categorias.

No Relatório de Sustentabilidade de 2016, o diálogo com stakeholders ganhou grande destaque. Houve avanços nesse sentido no ano que passou?

Temos evoluído ano a ano na capacidade de diálogo com a sociedade. Primeiro foi preciso reconhecer que não estávamos fazendo um bom trabalho nessa área. Em 2015, fizemos um estudo sobre as nossas externalidades, ou seja, os efeitos do nosso negócio, e o diálogo foi apontado como um dos principais temas materiais. Naquele momento, entendemos que precisávamos sentar e escutar pessoas e organizações com pontos de vista diferentes dos nossos. Foi um processo de aprendizado, que nos tirou da zona de conforto, gerou frutos e influenciou alguns projetos e decisões. Agora estamos em outro momento, em que acreditamos que podemos desempenhar o papel de catalisadores do diálogo, gerando alianças e promovendo debates em torno dos temas relevantes para o nosso negócio e para a sociedade.

Em março deste ano, a Coca-Cola Brasil anunciou a abertura de oito fontes de água no país até o final do ano. Além de reforçar e garantir o compromisso com o consumo consciente de água, a Coca-Cola também quer estimular o consumo consciente consciente de outros recursos naturais. Caso do plano “Mundo sem Resíduos”, cuja meta é reciclar o equivalente a cada embalagem vendida globalmente até 2030. No Brasil, um país tão rico em recursos naturais, qual a mensagem que a Coca-Cola quer passar a partir da utilização consciente desses recursos?

Esses anúncios refletem o tamanho da nossa ambição em sermos parte da solução. Vou usar as palavras do CEO da The Coca-Cola Company, James quincey, ao lançar o “Mundo sem Resíduos”: “Não temos a pretensão de resolver problemas que vão além da nossa atuação, mas sabemos do nosso poder de influência e, ao irmos nessa direção, acabamos puxando a fila”.

Clique e leia a entrevista completa.

Texto produzido por Colabora Marcas

Vídeo: Leo Dresch