Para a cientista Mariana Corvino, a planta piloto de AdeS é sua ferramenta para transformar ideias em realidade. Lá, quase tudo é possível. Esse laboratório é uma versão reduzida da fábrica, com os mesmos equipamentos e processos, mas em escala menor. É o local onde são testadas todas as inovações dos produtos da marca que é especialista em bebidas vegetais.

Bebidas vegetais entram no cardápio do brasileiro

Mariana, que é engenheira química, trabalha, em parceria com uma equipe de mais 10 profissionais, para desenvolver melhorias nos processos de produção, novas fórmulas e até novos produtos. A planta piloto fica bem ao lado da fábrica “real” de AdeS, a que produz bebidas em larga escala, na cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais.

“Temos aqui todos os processos feitos dentro da fábrica, com os mesmos graus de precisão e o mesmo controle de qualidade. Só muda a escala: produzimos no ritmo das nossas pesquisas. Mas, inclusive, o que sai daqui tem certificação para ser vendido no mercado”, conta Mariana, que considera a planta piloto um “parque de experimentações”. “É sem dúvidas a parte mais divertida do trabalho. Temos oportunidade de trabalhar com diversos grãos, com formulações novas, melhoria de processos e projetos totalmente inovadores”.


Esse monte de testes é possível graças a uma grande flexibilidade dos equipamentos da planta. Se dentro da fábrica, temperatura, pressão e outras regulagens respeitam normas pré-estabelecidas, para que todas as caixinhas de AdeS saiam com o mesmo padrão, na planta piloto, os cientistas podem dar asas à imaginação.

“E se trabalharmos com esse novo grão? Como vamos extrair o leite da melhor forma? Será que podemos usar esse equipamento? Ou aplicar a temperatura X com a pressão Y?”, exemplifica a engenheira. “Temos a opção de regular os aparelhos de muitas formas, e fazer milhares de testes”.


À medida em que as inovações vão sendo testadas (muitas vezes mesmo!), aprovadas e certificadas, as soluções podem passar a valer dentro da grande fábrica também.

Nesse “parque de experimentações” que foram desenvolvidas novas bebidas AdeS, feitas à base de coco e amêndoa. “Só com a liberdade para experimentar e inovar que é possível atender à evolução constante do paladar e das vontades dos brasileiros”, anima-se a cientista.


De olho na qualidade

Experimentações à parte, o controle de qualidade é rigoroso. Os ingredientes são testados desde o momento em que chegam à manufatura até saírem de lá, já transformados em produtos. No caso da soja, os grãos chegam à fábrica ainda inteiros. Antes de serem aceitos pela indústria, passam por testes que detectam transgenia — ou seja, para certificar que não é transgênica —, umidade e outras características. Se for reprovado nos testes, o lote de grãos volta direto para o fornecedor, já que todos os produtos são feitos com soja não-transgênica — têm, inclusive, no rótulo, um selo que indica essa característica.


Os grãos ricos em proteínas ainda passam por algumas etapas de limpeza; pelo moinho e pela prensa, que fazem a extração do leite; por um processo de separação do líquido do bagaço; e ainda de esterilização da bebida. Depois disso, a base está pronta. Basta adicionar os outros ingredientes e aromas, dependendo do sabor. Antes de ser envasado, o líquido ainda passa por mais uma esterilização, na qual o produto é levado a temperaturas de até 142ºC.

“Todas as etapas são coordenadas a partir da sala de controle, de onde os técnicos conseguem verificar as regulagens com precisão: temperatura, pressão, vazão, o momento em que o produto sai de um equipamento para o outro, tudo”, resume Mariana.


“E ainda há testes de qualidade muito criteriosos. Isso quer dizer que recolhemos amostras em vários momentos dos processos, para testarmos o pH, a quantidade de fibras, de proteínas... Há, inclusive, no final, provas sensoriais do produto, para checar aroma, aspecto e sabor, além, é claro, da análise de microbiologia, que assegura que não há contaminação por microorganismos. As caixas com as embalagens ficam armazenadas por cinco dias até que o resultado dessa análise saia. Somente quando as amostras são aprovadas o lote é liberado para o mercado”.

Há checagem até mesmo das embalagens Tetra Pak. Técnicos verificam se estão sendo montadas da forma correta, se não estão vazando, se não solta tinta, se tampa está bem colocada, se todos os itens têm o código do produto.


O que é a soja?

AdeS nasceu em 1988 na Argentina e chegou no Brasil em 1997. Em 2017, a Coca-Cola Brasil adquiriu a marca e, em menos de um ano, além de ter dobrado a distribuição dos produtos, já criou inovações. A ideia é usar a experiência e a tecnologia adquirida para produzir bebidas vegetais variadas, a partir de diversos grãos ou insumos.

Uma dessas matérias-primas usadas nas bebidas é a soja, uma planta que pertence à família Fabaceae, da qual fazem parte também o feijão, a lentilha e a ervilha. É um grão rico em proteínas, e contém sais minerais como potássio, cálcio e magnésio, e algumas vitaminas do complexo B.


Mas para que o produto final seja de boa qualidade, é preciso que o rigoroso padrão comece pela lavoura. Um dos fornecedores de soja para AdeS, a empresa Saag, também faz o rastreamento da qualidade do grão — que vem de diversos produtores, todos do sul de Minas Gerais, onde ficam seus armazéns. “Trabalhamos com a certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS)”, diz Edimir dos Santos, gerente comercial da Saag. O selo garante que a soja vem de um processo ambientalmente correto, socialmente adequado e economicamente viável.


“Isso significa que existe uma gestão responsável da produção da soja. Respeitamos todas as normas ambientais, trabalhistas e sociais. Além disso, fazemos um trabalho de conscientização dos produtores sobre boas práticas agrícolas. Há sempre rotatividade de culturas para que o solo tenha os nutrientes renovados; não é permitido desmatamento; a água tem que ser utilizada de maneira responsável, assim como os defensivos agrícolas”, assegura Edimir.

Da lavoura à embalagem, é o acompanhamento do trabalho de perto, como fazem Mariana e Edimir, que garante a qualidade do produto final.

Texto produzido por Colabora Marcas

Vídeo: Leo Dresch (filmagem e edição) e Marina Cohen (reportagem)