De acordo com o pensamento da economia circular, empresas precisam desenvolver competências de design circular para facilitar o reúso, a reciclagem e o aproveitamento de produtos em múltiplos ciclos. Por isso, é preciso começar a jornada de um produto já sabendo onde se deseja chegar lá na ponta da cadeia. Pesquisar esses ciclos é justamente o que tem sido feito na Coca-Cola Brasil, ainda mais aceleradamente, desde janeiro de 2018, quando a companhia comunicou a intenção de coletar e destinar corretamente 100% das embalagens que coloca no mercado até 2030, visão batizada de Mundo sem Resíduos.

Para alcançar esse objetivo, muitas são as estratégias aplicadas, como embalagens 100% recicláveis, utilização de resina reciclada, reúso, estímulo à coleta, entre outras. Mais um passo rumo à meta para 2030 é dado a partir deste mês. A marca Del Valle lança em agosto um projeto piloto de utilização de embalagens PET retornáveis. É a primeira vez que o segmento de refrescos faz uso deste recurso no país, já conhecido no universo dos refrigerantes. 

“O consumidor está adaptado a esse mecanismo, então vimos uma oportunidade para expandir o conceito das garrafas retornáveis para novas categorias de bebidas. Inclusive, a embalagem tem um único formato, universal, seja para refrigerante ou refresco. Então, cada vez que retorna à fábrica, ela, que também é 100% reciclável, pode ser envasada com qualquer produto dessas linhas, o que facilita muito a logística da retornabilidade”, explica Camila Freire, gerente da marca Del Valle e líder do projeto.

Por enquanto, a iniciativa pode ser encontrada em Manaus e vai valer para a linha Del Valle Frut, nos sabores Uva e Laranja. Essa é a primeira embalagem em refPET (do inglês refillable PET, ou PET reutilizável) de todo o Sistema Coca-Cola Brasil que conta também com a tampa universal.

Leia mais sobre a garrafa PET universal

Como todo projeto da Coca-Cola Brasil, a novidade também parte do pensamento “consumer centric”, ou seja, centrado no consumidor. Isso quer dizer que a ideia nasceu a partir da observação de uma necessidade ou um hábito dos brasileiros. Nesse caso, as vontades observadas são deles: ter um produto mais acessível, já que o momento atual pede maior controle de gastos; e o consumo de produtos cada vez mais atentos à sustentabilidade. “A pergunta que sempre nos fazemos é: como ser relevante para o consumidor, especialmente, em um momento de instabilidade e de grandes mudanças na vida de todos?”, questiona Camila.

O produto tem um preço mais acessível para o consumidor, que, ao levar a embalagem retornável de volta ao ponto de venda, paga somente “pelo líquido contido na garrafa” após a primeira compra.

Projeto viabilizado em menos de três meses

Para que o desejo do consumidor fosse atendido com rapidez, foi preciso construir a ideia em tempo recorde, utilizando a metodologia “agile” (ágil, em inglês). Tudo foi viabilizado — da primeira reunião até a chegada dos produtos às gôndolas — em menos de três meses. E apesar de a primeira versão do projeto ser agora colocada em prática em apenas uma região, seu potencial é de escala, em diversas regiões do país.

“Colocamos na rua a versão número um, já planejando o passo três ao mesmo tempo. Temos que começar já sabendo onde queremos chegar”, conta Camila, revelando também alguns segredos do trabalho “agile”: “É preciso acelerar o processo, mas sem pular nenhuma etapa. Afinal, o alto padrão de qualidade da Coca-Cola Brasil é prioridade. Para isso, é imprescindível ter um time empoderado para tomar decisões sem que as lideranças sejam consultadas a cada pequeno passo. Ao mesmo tempo, é preciso se comunicar constantemente com a equipe, para que todos estejam sempre na mesma página.”

A comunicação foi um desafio extra dessa vez, já que todo o desenvolvimento da novidade aconteceu após a chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil. Foram muitas reuniões remotas e aprendizados extraídos. A participação do Grupo Simões, responsável pela fabricação dos produtos na região Norte, foi essencial, segundo Camila: “Todos tinham noção do poder transformador desse projeto, e, desde o início, optamos por fazer a construção em parceria com o fabricante. Isso fez diferença no engajamento de todos e na aceleração da iniciativa.”

Diretor geral de Bebidas do Grupo Simões, Lucas Simões acredita que iniciativas como a da refPET de Del Valle Frut podem fazer a diferença para o consumidor, em um momento de crise: “Trazer as retornáveis para essa linha de produtos será um marco em nossa região. Incluir uma nova categoria, nesse caso, a de bebidas com frutas, em um hábito de consumo já consolidado, faz com que as pessoas tenham mais opções.”

A lógica para acelerar o plano foi aproveitar todos os aprendizados do trabalho com as embalagens retornáveis de refrigerantes como matéria-prima para o novo projeto com refrescos. Assim como no caso da economia circular, o conhecimento também é um ciclo. Nunca parte-se de zero, e aprender com as experiências anteriores é valioso.

Texto produzido por Colabora Marcas