Mais do que fundamental à vida, a água faz parte da cultura, da paisagem, do cotidiano de um povo. Em um país com as dimensões do Brasil e com graves problemas hídricos, histórias emocionantes de quem teve que aprender a se relacionar corretamente com esse recurso não faltam. Em busca dessas histórias, a equipe de produção da websérie documental “Terra molhada”, projeto audiovisual da Coca-Cola Brasil, viajou por comunidades que sofrem mais diretamente o impacto da devastação ambiental, e entendeu a importância de se preocupar com a natureza. Uma conscientização que, espera-se, chegará aos espectadores.

Veja mais episódios do documentário “Terra molhada”

“Vimos a mudança climática ao vivo em rios mortos e áreas enormes desmatadas”, atesta Gabriel Ghidalevich, diretor da série. Amazonense de 34 anos que viveu no Rio e hoje mora em São Paulo, ele resume os 25 dias de trabalho em povoados isolados do país como uma experiência transformadora. “Conhecemos um Brasil escondido e verdadeiro, de gente honesta e solidária, que nos ensinou preciosas lições de vida”, confirma.

O projeto “Terra molhada” levará os ensinamentos ao público em cinco episódios, sobre as diversas maneiras como os brasileiros – habitantes do país com as maiores reservas hídricas do planeta – nos relacionamos com a água potável. A produção revelará de que forma o líquido essencial à vida nos define como conjunto de indivíduos, tornando-se parte de nossos costumes e nossa cultura.

Gabriel Ghidalevich
Gabriel Ghidalevich é o diretor do webdocumentário ‘Terra molhada’

Arquivo pessoal

Será o resultado de jornadas que começavam às 4h e se estendiam até 23h. “Dormíamos em comunidades pequenas, e até no carro, no meio da estrada”, relata o diretor. Valeu a pena – a equipe de produção documentou projetos sociais em lugares remotos, que modificam a vida de todos. “Como faz diferença um filtro d’água!”, admira-se. “Aprendemos o uso racional da água também na agricultura, com irrigação subterrânea, sem o desperdício de ‘fazer chover’ na plantação”.

O trabalho registra a força de comunidades quilombolas isoladas no meio do sertão nordestino, perto de Bom Jesus da Lapa (BA), no médio São Francisco, onde as nascentes estão mortas e não chove há sete anos; a vida apertada em Coqueiros e Maranguape, no interior do Ceará; o cuidado com a floresta em Solimõeszinho, perto de Manaus (AM); a irrigação supermoderna, controlada por aplicativos de celulares, numa plantação de goiaba no interior do Espírito Santo, que mede permanentemente a quantidade de chuva e de água; e a ONG Saúde & Alegria, que dá aulas com animações circenses nas comunidades ribeirinhas do Tapajós em Soroacá, nos arredores de Alter do Chão, no Pará.

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As imagens revelam um Brasil totalmente diferente do país das metrópoles estressadas, poluídas e superpovoadas. “Encontramos pessoas que abdicaram de uma vida urbana e se doam 100% pela luta da preservação”, descreve Gabriel, que fala de projetos que têm viés educativo e sustentável, com os habitantes locais cuidando de sua evolução. “É tudo dentro da realidade delas, sem a mentalidade do Sul-Sudeste”, explica ele, contando ter encontrado médicos, advogados e engenheiros que largaram tudo e foram viver por lá, pela causa da preservação.

As comunidades devolvem a atitude com generosidade e lições de vida. “Lá estão os reais defensores da natureza, que trabalham para salvar o futuro”, constata o diretor, que ainda captou imagens exuberantes de um Brasil quase inacreditável. “Queria filmar cada chuva, cada amanhecer, cada entardecer, cada movimento da floresta. É tudo deslumbrante”.

O projeto “Terra molhada” terá cinco episódios, com a narrativa representada pelo ciclo da água: floresta, nuvem, chuva, rio e nascente. Falará de abundância, escassez, fertilidade, renovação e encontro, para matar a sede de quem precisa aprender sobre a importância dramática da preservação.

Texto produzido por Colabora Marcas