Esta reportagem foi publicada em 7 de janeiro de 2019 no The Washington Post, com recursos multimídias adicionais.

Em várias comunidades no mundo, alternativas de reciclagem circular apontam o caminho para tirarmos os produtos de plástico de vez do meio ambiente.

No centro do Oceano Pacífico, um vórtice de lixo sem forma definida, com mais de 87 mil toneladas, é conhecido como Grande Ilha de Lixo do Pacífico. Descoberto em meados dos anos 1990, expande-se ano após ano, reunindo mais pedaços e partículas. É apenas um dos exemplos que compõem a ameaça que o mundo vive com o excesso de resíduos de consumo, e demonstra a necessidade urgente de soluções sustentáveis.

A The Coca-Cola Company planeja, até 2030, reciclar o equivalente a toda garrafa ou lata que vender


Achar essas soluções é o foco da iniciativa Mundo Sem Resíduos, da The Coca-Cola Company, que tem a ambiciosa meta de, até 2030, coletar e reciclar o equivalente a toda garrafa ou lata vendida pela companhia globalmente. Desde o lançamento da iniciativa, em janeiro de 2018, novas campanhas de reciclagem foram abarcadas e implementadas. Algumas outras que já existiam foram reinventadas, da Estônia até a Austrália, do Quênia aos Estados Unidos. Todas aderentes aos valores de uma economia circular fechada: um sistema em que toda embalagem de plástico produzida pela companhia foi feita para ser reciclada, mantida nessa economia e reutilizada como embalagem de comida ou bebida.

Essa variedade de programas promove lições valiosas que podem ser aplicadas em todo o mundo. Recentemente, os avanços da The Coca-Cola Company provam que a sustentabilidade e as iniciativas de reciclagem circular são possíveis – e valiosas – para qualquer país ou economia.

Do México aos EUA, investimentos estratégicos geram soluções

Estima-se que mais de um quilo de lixo seja produzido por pessoa, por dia, no México. Antes, a maior parte desse lixo terminava em aterros, nas ruas ou no oceano. Mas nos últimos anos, o México se tornou “o país líder na América Latina em coleta e reciclagem de Pet”, segundo um relatório da revista digital El Dictamen. (Pet é um plástico leve e transparente usado para diversas garrafas plásticas). Atualmente, 60% do Pet reciclado do México é reutilizado no mercado nacional, e o restante é exportado.

Muito disso pode ser atribuído a um investimento de muitos anos da The Coca-Cola Company e de seus parceiros engarrafadores no México. Investimentos significativos em infraestruturas locais, além de esforços em tornar a reciclagem uma iniciativa conjunta de indústrias, mudaram radicalmente o ecossistema de reciclagem local e o modo como as garrafas vêm sendo produzidas. O fenômeno ocorreu de tal forma que a equipe lançou a garrafa 100% rPET (de Pet inteiramente reciclado), usada para a Ciel, marca de água da The Coca-Cola Company no México.

60% do Pet reciclado do México é reutilizado no mercado nacional

O México abraçou uma solução circular na qual garrafas usadas se tornam novos bens, em vez de resíduos nos aterros. A PetStar, situada em Toluca, no México, desenvolveu uma companhia de reciclagem integrada que atende aos engarrafadores de Coca-Cola no México, suprindo-os com uma crescente parcela da resina do Pet reciclado que dá origem à embalagem. Também é feito um trabalho em conjunto com os catadores de todo o México, que coletam milhares de bens de plástico descartados. As garrafas Pet podem ser recicladas para que sejam obtidas as fibras e outros materiais, mas a reciclagem de garrafa-por-garrafa já se provou ser a maneira mais frutífera de se manter o valor da embalagem. A PetStar investiu fortemente em tecnologias de extrusão e descontaminação dos materiais que compõem a garrafa, para que possa ser reutilizada.

O sucesso do país é “uma questão de investimento, educação, engajamento e motivação dos consumidores para que eles façam parte da infraestrutura, e também coordenem essa infraestrutura e a tornem mais eficiente”, disse Ben Jordan, diretor sênior de política de meio ambiente da The Coca-Cola Company. Ele aponta para o fato de que infraestruturas emergentes são mais flexíveis e melhores em acomodar novas iniciativas, em comparação com o que ocorre em economias estabelecidas.

O projeto do México é um exemplo do quão fortemente um programa tático pode crescer fora do investimento econômico. Revela que, embora os objetivos possam variar de região para região, o sucesso vem se forem encontradas soluções inovadoras e circulares que funcionam em cada mercado. É por isso que a The Coca-Cola Company está investindo em projetos como o Capital Circular, que vai empoderar pessoas do Sul e do Sudeste da Ásia para que criem soluções sustentáveis para a crise do plástico nos oceanos.

E nos Estados Unidos, parcerias como o Fundo do Circuito Fechado (antecessor do Capital Circular) têm como objetivo aumentar as taxas de reciclagem em todo o país fortalecendo as infraestruturas existentes. A The Coca-Cola Company e a The Coca-Cola Foundation premiaram o Fundo do Circuito Fechado e a Parceria da Reciclagem com subsídios para ajudar a expandir a reciclagem de calçadas e, também, para estender a educação em reciclagem a mais de 500 comunidades. Além disso, doaram latas de lixo reciclável para mais de mil comunidades em todo o país. Isso evitou que mais de 730 milhões de libras de produtos recicláveis fossem parar nos aterros. Recentemente, a The Coca-Cola Company celebrou um milhão de latas de lixo reciclável posicionadas, como parte de um esforço maior.

Em Memphis, no Tennessee, por exemplo, o Fundo do Circuito Fechado ajudou a cidade a alcançar novos níveis de controle de desperdício, acrescentando novos contêineres de reciclagem e métodos avançados de processamento que vão atender mais de 150 mil casas e coletar 34 milhões de libras de recicláveis para reutilização.

África do Sul traz visão de sustentabilidade

Desde a abertura da África do Sul ao mercado global de negócios nos anos 1990, o país rapidamente se tornou uma das maiores forças econômicas da África. Junto com esse ganho de força surgiu o aumento de desperdício de plástico e a necessidade por uma estrutura de reciclagem mais sustentável. A PETCO, organização de responsabilidade de produtores, estendida a voluntários, que promove a reciclagem de PET, ajudou o país a seguir em frente nesse aspecto.

A The Coca-Cola Company, em parceria com a PETCO, providenciou as ferramentas necessárias ao negócio, incluindo máquinas de compactação, balanças e carrinhos para centros de coleta, além de recursos para limpeza da região costeira, como sacolas e reboques para os limpadores.


“Uma das chaves para o sucesso da África do Sul é a contribuição voluntária para a PETCO através dos impostos sobre a resina e dos subsídios pagos por donos de marcas, produtores de resina e varejistas do país”, disse Casper Durandt, chefe de Embalagem Sustentável e Agricultura da unidade de negócios do Sul e do Leste da África da Coca-Cola. Esses fundos são canalizados para reciclagem contratada e para incentivos a catadores. Cerca de 65 mil pessoas geram a receita desse modelo de fundo na África do Sul, mantendo um interesse crescente na coleta de garrafas plásticas, e um volume menor de garrafas plásticas em aterros. Os resultados auditados em 2017 revelam que a PETCO ajudou o país a alcançar 65% de taxa de reciclagem, e esse nível segue o padrão da União Europeia.

A PETCO tem, hoje, um total de 11 parceiros em reciclagem em toda a África do Sul. Os recicladores produzem Pet com qualidade para alimentos usando garrafas recicladas em três usinas de reciclagem com tecnologia de ponta. A The Coca-Cola Company na África do Sul utiliza, hoje, mais de 25% de conteúdo reciclado em suas novas garrafas, através de uma estrutura de circuito fechado.

Durandt crê tão fortemente nesse modelo que ele está focado, atualmente, em expandir o programa pela África com o apoio da The Coca-Cola Company. “Estamos trabalhando num projeto para acelerar (as taxas de reciclagem do) Quênia de 16 para 50% num período de um ano, e acreditamos que isso seja possível”, disse, de forma otimista.

Em junho de 2018, a PETCO do Quênia iniciou uma série de iniciativas de coleta de Pet. Com todo esse sucesso, há motivos de sobra para acreditar que esse sistema possa ser reproduzido em toda a África – e em muitos outros países do mundo.

Na Estônia e na Austrália, consumidores fomentam redes de coleta

Desde a derrocada da União Soviética, em 1989, a pequena nação báltica da Estônia se tornou, silenciosamente, um dos países de tecnologia mais avançada da região. Pioneiro na forma de consumir, não apenas construiu uma estrutura de internet e uma cultura de startup que competem com as do Vale do Silício, como também foi o primeiro país no Leste Europeu a abraçar integralmente a economia circular fechada.

Líderes estonianos observaram seus vizinhos suecos e noruegueses e adotaram partes de seus sistemas de coleta bem-sucedidos, que engajavam produtores, varejistas, consumidores e governos locais (a Suécia fez isso tão bem que hoje precisa importar lixo para convertê-lo em energia para ligar as usinas de reciclagem).

Na Estônia, as pessoas podem trocar plástico, vidro e latas por dinheiro ou por doações de caridade

Com esse aprendizado, a Estônia é um dos países mais dedicados à reciclagem na União Europeia, e atribui esse sucesso à criação de um ecossistema em que todos ganham. Isso envolveu o estabelecimento de uma rede de máquinas automáticas de reciclagem nos principais pontos de coleta pelo país. Com essa abordagem, as pessoas podem trocar plástico, vidro e lata por dinheiro ou por doações para caridade, que são muito populares e eficazes.

“A chave para o sucesso está na colaboração, com todos os agentes de mercado necessários envolvidos – produtores, varejistas e governos”, disse Nele Normak, Relações Públicas e gerente de Comunicação da Coca-Cola na região báltica. “O sucesso dessas máquinas automáticas tem menos a ver com design ou inovação tecnológica, e mais com conveniência: os consumidores podem encontrar e usar as máquinas facilmente, fazendo com que o processo de reciclagem seja tão simples quanto uma ida ao caixa eletrônico”.

Outras nações com infraestrutura de reciclagem desenvolvida também se beneficiaram da rede de coleta conduzida pelos consumidores. Tome a Austrália como exemplo. Desde 2017, o país começou a mudar a forma como recicla recipientes, assegurando que sejam coletados na maior quantidade possível, de todo jeito e formato – seja pela rede de pontos de coleta de recipientes e máquinas automáticas, seja pelos serviços de coleta nas calçadas. A partir disso, todas as garrafas coletadas são recicladas e reutilizadas para apoiar a abordagem de economia circular.

Em Queensland, aproximadamente metade dos 307 pontos de coleta são dirigidos por obras de caridade

Um dos maiores sucessos da Austrália foi abrir o mercado de coleta para processos de licitação. “Acreditamos que, em vez de uma metodologia de coleta dominante, podemos abrir o mercado e encorajar a inovação na forma como a coleta é feita”, disse Jeff Maguire, chefe de Implementação de Esquemas de Depósito de Recipientes e de Embalagem Sustentável na Coca-Cola Amatil, uma engarrafadora parceira da companhia. Isso traz oportunidade para organizações sem fins lucrativos, especialmente para aquelas que já têm uma infraestrutura de coleta de roupas e bens usados, que usam o modelo de coleta como forma de suplantar o trabalho que já executam. Um exemplo é o recente programa de Queensland, em que aproximadamente metade dos 307 pontos de coleta são dirigidos por obras de caridade.

Recentemente, o sistema expandiu-se do sul da Austrália, onde já opera há 42 anos, para outros estados australianos. “Com a exceção de dois estados, até o meio de 2020 a maior parte do país terá modelos de coleta similares”, disse Maguire.

A geografia vasta e remota da Austrália é desafiadora, pois há muitas cidades menores sem condições de prover infraestrutura de reciclagem no mesmo nível da que existe nas cidades maiores.

Botando soluções circulares em ação

“É aí que devemos concentrar em caminhos inovadores para tornar o sistema de coleta mais conveniente para os consumidores”, disse Maguire. “Temos trazido a abordagem do Sul da Austrália com constantes atualizações, fazendo alterações para garantir que seja mais eficiente, de mais fácil reciclagem para os consumidores, e com mais opções que a tecnologia possibilita hoje, para que os modelos sejam mais amigáveis e acessíveis”.

Sustentabilidade e ciclos fechados devem se tornar uma prioridade global, das nações emergentes até as maiores economias do mundo. Companhias que estão na linha de frente em sustentabilidade estão pensando de forma criativa para endereçar essa crescente preocupação. Se o sucesso dos sistemas circulares fechados na Estônia, na Austrália, na África do Sul, no México e nos Estados Unidos são indicativos, nenhum país ou mercado é grande, pequeno ou remoto demais para se adaptar a modelos de reciclagem mais sustentáveis que se baseiem nos fatores socioeconômicos e nas políticas governamentais de cada região. Essas soluções vêm criando um sistema fechado que beneficia o meio ambiente, que atende às comunidades e que dá início a um caminho de soluções para essa geração. Como todos esses exemplos demonstram, esses objetivos não precisam ser mutuamente exclusivos.

A The Coca-Cola Company está trabalhando por um Mundo Sem Resíduos.