O sol nasce em Urucará, no Amazonas, e já desperta Lourdes Maria Monteiro Tavares, preparada para mais um dia de trabalho. Em época de colheita de guaraná, cultivado por sua família há gerações, pode-se dizer que a residência oficial da agricultora é o extenso terreno que dá vida ao fruto e que garante boa parte da renda dos Tavares. Para a plantação de sete hectares, dona Lourdes, como é conhecida na vizinhança, não vai sozinha. Conta com o apoio do marido, com quem está casada há 28 anos, e de dois filhos.

A amazonense de 46 anos dedica praticamente todo o seu dia, entre outubro e dezembro, ao cultivo e beneficiamento do fruto. “Construímos até uma casinha no guaranazal para a gente descansar e almoçar junto”, orgulha-se.

Uma rotina que já observava desde pequena ao ver seu pai, Seu José, sair cedinho para a roça. Ele foi um dos primeiros produtores de guaraná da região. Na época, a realidade era bem diferente. A produção das 40 famílias da comunidade de Boa Esperança era grande, mas não havia mercado. Logo, muitas venderam ou abandonaram as lavouras. Hoje, Lourdes agradece ao pai pela persistência: “Olha, quase que acabou foi tudo. Mas ele nunca desistiu. Sempre gostou de plantar e colher”.

Produção de dona Lourdes garante boa parte da renda da família
Em sete hectares de plantação de guaraná, dona Lourdes colheu 600kg do fruto na safra do ano passado

Bruno Zanardo

Com o passar dos anos, ela tomou a frente dos negócios e, aos poucos, conseguiu expandir as terras. Com a fundação da Cooperativa Agrofrut, responsável pela revenda do guaraná de Urucará há 17 anos, tornou-se cooperada. Um dos principais clientes é a Coca-Cola Brasil, que só em 2018 comprou 25 toneladas de guaraná da cidade.

Resultado? Ganham a companhia, os consumidores e, claro, Lourdes, que agora tem garantia de mercado e vê aquelas dificuldades passadas pelo pai ficarem para trás: “Aliviou muito! A gente não se preocupa com o destino do guaraná, que agora é certo”.

‘A gente não se preocupa com o destino do guaraná, que agora é certo’ – Dona Lourdes, agricultora 

Lourdes é uma das beneficiadas do “Olhos da Floresta”. Com o programa, criado com a ONG Imaflora, em 2016, a Coca-Cola Brasil incentiva a agricultura familiar, levando oportunidades de inclusão social e geração de renda.

“A Coca-Cola tem nos dado um apoio muito importante através de cursos de capacitação e visitas técnicas que incentivam a produção e ensinam a como cuidar do meio ambiente”, diz a agricultora, que não pensa em parar. “Puxei o meu pai”, brinca.

Mesmo hoje aos 84 anos, Seu José cuida de uma pequena área onde ainda planta guaraná. “Nada grande, mas é uma forma que ele gosta de se ocupar. O guaraná é a vida dele e eu costumo dizer que esse carinho passou pra mim. Agora, eu passo para meus filhos”.

Família Monteiro Tavares
Após aprender com o pai a cultivar o guaraná, agora dona Lourdes passa para os filhos os cuidados com o fruto

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Texto produzido por #Colabora Marcas