Gavin Partington é o diretor geral da British Soft Drinks Association (BSDA), voz coletiva da indústria de refrigerantes britânica. Aqui, Partington explica como o setor está criando maneiras inovadoras de apontar o caminho para a redução de açúcar, e como esses esforços contribuíram para a diminuição, nos últimos quatro anos, de 16% na quantidade de açúcar que a população britânica consome em refrigerantes.

Estou na British Soft Drinks Association desde 2012. Meu papel é cuidar do funcionamento da organização e assegurar que a voz da indústria em questões legais, técnicas e sociais relacionadas a refrigerantes seja ouvida pela mídia e por grupos políticos.

A indústria de refrigerantes emprega mais de 15 mil pessoas e sustenta mais de 340 mil empregos no Reino Unido. Em sua grande maioria, os fabricantes de refrigerantes na Grã-Bretanha são membros da BSDA, incluindo a Coca-Cola Grã-Bretanha. Temos a sorte de algumas das maiores marcas do mundo estarem produzindo uma ampla variedade de bebidas aqui.

Além disso, o setor de refrigerantes contribui significativamente para a economia britânica, gerando 11 bilhões de libras esterlinas (US$ 14 bilhões) por ano, não apenas por meio do crescimento econômico, mas também de inovação, criação de empregos e habilidades profissionais em todo o país.

Uma indústria inovadora

Além de apoiar a economia britânica e criar empregos, tenho a satisfação de dizer que a indústria de refrigerantes no Reino Unido também está na liderança da redução da quantidade de açúcar que as pessoas estão consumindo.

As empresas de refrigerantes vêm introduzindo novas e inovadoras maneiras de ajudar as pessoas a reduzir a quantidade de açúcar que há muitos anos elas consomem em bebidas. E essas inovações ajudaram a levar a uma redução de 16% na ingestão de açúcar nos últimos quatro anos. Não é fácil fazer isso — não é algo que aconteça da noite para o dia. Muito trabalho foi feito para chegarmos aí.

Bebidas com ótimos sabores e nenhum açúcar ou caloria

Não há muitos produtos dos quais você possa retirar açúcar e calorias e ainda manter um ótimo sabor. Afinal de contas, antes de mais nada, os refrigerantes precisam ter um sabor delicioso, do contrário as pessoas não vão bebê-los.

Por meio de complexas técnicas de reformulação de receitas que exigem uma quantidade significativa de investimento, tempo e criatividade, o setor de refrigerantes está na vanguarda da produção de bebidas agradáveis com poucas ou nenhuma caloria. Um ótimo exemplo disso é a nova Coca-Cola zero açúcar, que teve sua receita especialmente refeita.

Uso inteligente de adoçantes

Temos mecanismos bem estabelecidos para reduzir o açúcar, como o uso de adoçantes, incluindo as mais recentes inovações, como a stevia. Trata-se de uma planta da família Chrysanthemum cujas folhas contêm uma fonte única de adoçante natural e cujo uso em bebidas estamos começando a ver cada vez mais.

O setor de refrigerantes fez mais do que reduzir açúcar e calorias. As empresas de refrigerantes aumentaram a oferta de embalagens menores e elevaram os gastos com anúncios sobre produtos de baixo teor calórico ou com nenhuma caloria: quase 60% dos refrigerantes vendidos hoje no Reino Unido são dessa categoria.

Redução de açúcar Reino Unido

Observando os consumidores

A indústria de refrigerantes tem uma longa história de observar nossos consumidores e lhes dar o que eles querem. As necessidades das pessoas estão claramente mudando e, como indústria, estamos respondendo a isso oferecendo uma variedade maior de bebidas. Nossos membros também têm uma história comprovada de iniciativas para redução de açúcar e calorias. Veja, por exemplo, a Diet Coke — um produto que tem mais de 30 anos!

E o setor de refrigerantes ainda está à frente quando se trata de redução da quantidade de açúcar que os consumidores levam para casa — isso está claro nas estatísticas. Causamos de longe o maior impacto, comparados a outros alimentos e bebidas. Como indústria, temos feito isso há anos — somos um negócio conduzido pelo cliente e respondemos ao que os nossos consumidores querem.

Trabalhando junto

Embora concordemos que há necessidade de ações para reduzir a quantidade de açúcar em nossos alimentos e bebidas, acreditamos que um imposto não ajudará. Não há comprovação alguma no mundo de que impostos sobre alimentos têm impacto sobre níveis de obesidade.

Em vez disso, acreditamos que o foco deve estar sobre a dieta em geral e a atividade física. Podemos ajudar oferecendo aos consumidores mais opções e mais informação, para que eles possam tomar suas próprias decisões.

O que o futuro reserva?

Estamos determinados a chegar a um percentual de redução superior a 16%. Em 2015, nos tornamos a única categoria com um plano ambicioso para os próximos anos — concordamos com uma meta de redução de calorias de 20% em 2020.