A cientista Mariana Corvino despeja um líquido amarelo consistente, de um recipiente para o outro. Ela tem cabelos loiros presos, olhos azuis e está vestindo um jaleco com o logotipo da Coca-Cola na direita. Ela olha atentamente para o líquido sendo despejado e pode-se ver que ela está em um laboratório. Cientista Mariana Corvino testa inovações dos produtos da marca que é especialista em bebidas vegetais (Crédito: Mirian Fichtner)

Para a cientista Mariana Corvino, a planta piloto de AdeS é sua ferramenta para transformar ideias em realidade. Lá, quase tudo é possível. Esse laboratório é uma versão reduzida da fábrica, com os mesmos equipamentos e processos, mas em escala menor. É o local onde são testadas todas as inovações dos produtos da marca que é especialista em bebidas vegetais.

Bebidas vegetais entram no cardápio do brasileiro

Mariana, que é engenheira química, trabalha, em parceria com uma equipe de mais 10 profissionais, para desenvolver melhorias nos processos de produção, novas fórmulas e até novos produtos. A planta piloto fica bem ao lado da fábrica “real” de AdeS, a que produz bebidas em larga escala, na cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais.

“Temos aqui todos os processos feitos dentro da fábrica, com os mesmos graus de precisão e o mesmo controle de qualidade. Só muda a escala: produzimos no ritmo das nossas pesquisas. Mas, inclusive, o que sai daqui tem certificação para ser vendido no mercado”, conta Mariana, que considera a planta piloto um “parque de experimentações”. “É sem dúvidas a parte mais divertida do trabalho. Temos oportunidade de trabalhar com diversos grãos, com formulações novas, melhoria de processos e projetos totalmente inovadores”.

Foto da entrada da fábrica da Ades. A parede esquerda consiste em tijolos cinzentos, com o logotipo da Ades em destaque no meio, com uma faixa de tinta azul no inferior da parede. Acima do logotipo, em fonte fina e de cor preta, está escrito "Planta Piloto". O lado direito consiste em colunas coloridas azuis e vermelhas, com janelas de vidro. Nas extremidades, e pelo reflexo das janelas, é possível ver o grande jardim que cerca a entrada, com árvores e samambaias dos dois lados. A planta piloto é uma versão reduzida da fábrica, com os mesmos equipamentos e processos, mas em escala menor. É o local onde são testadas todas as inovações (Crédito: Mirian Fichtner)

Esse monte de testes é possível graças a uma grande flexibilidade dos equipamentos da planta. Se dentro da fábrica, temperatura, pressão e outras regulagens respeitam normas pré-estabelecidas, para que todas as caixinhas de AdeS saiam com o mesmo padrão, na planta piloto, os cientistas podem dar asas à imaginação.

“E se trabalharmos com esse novo grão? Como vamos extrair o leite da melhor forma? Será que podemos usar esse equipamento? Ou aplicar a temperatura X com a pressão Y?”, exemplifica a engenheira. “Temos a opção de regular os aparelhos de muitas formas, e fazer milhares de testes”.

Fileiras de garrafas Ades de 2L na fábrica. As embalagens possuem cor de salmão e uma grade de ferro impede que elas saiam da fileira. Há checagem até mesmo das embalagens Tetra Pak. Técnicos verificam se estão sendo montadas da forma correta, se não estão vazando, se não solta tinta etc (Crédito: Mirian Fichtner)

À medida em que as inovações vão sendo testadas (muitas vezes mesmo!), aprovadas e certificadas, as soluções podem passar a valer dentro da grande fábrica também.

Nesse “parque de experimentações” que foram desenvolvidas novas bebidas AdeS, feitas à base de coco e amêndoa. “Só com a liberdade para experimentar e inovar que é possível atender à evolução constante do paladar e das vontades dos brasileiros”, anima-se a cientista.

Quatro garrafas de Ades de 2 litros: duas de Leite de Amêndoa, uma de Leite de Coco e a última de Leite de Soja. Novos produtos da marca AdeS chegam ao mercado (Crédito: Divulgação)

De olho na qualidade

Experimentações à parte, o controle de qualidade é rigoroso. Os ingredientes são testados desde o momento em que chegam à manufatura até saírem de lá, já transformados em produtos. No caso da soja, os grãos chegam à fábrica ainda inteiros. Antes de serem aceitos pela indústria, passam por testes que detectam transgenia — ou seja, para certificar que não é transgênica —, umidade e outras características. Se for reprovado nos testes, o lote de grãos volta direto para o fornecedor, já que todos os produtos são feitos com soja não-transgênica — têm, inclusive, no rótulo, um selo que indica essa característica.

Foto de uma bacia recheada de sementes de soja. É possível ver uma mão alcançando algumas sementes. Ingredientes são testados desde o momento em que chegam à fábrica até saírem de lá, já transformados em produtos (Crédito: Mirian Fichtner)

Os grãos ricos em proteínas ainda passam por algumas etapas de limpeza; pelo moinho e pela prensa, que fazem a extração do leite; por um processo de separação do líquido do bagaço; e ainda de esterilização da bebida. Depois disso, a base está pronta. Basta adicionar os outros ingredientes e aromas, dependendo do sabor. Antes de ser envasado, o líquido ainda passa por mais uma esterilização, na qual o produto é levado a temperaturas de até 142ºC.

“Todas as etapas são coordenadas a partir da sala de controle, de onde os técnicos conseguem verificar as regulagens com precisão: temperatura, pressão, vazão, o momento em que o produto sai de um equipamento para o outro, tudo”, resume Mariana.

A perspectiva do observador é de quem está no meio da plantação de soja. No meio da plantação, há um homem branco, de roupas brancas, analisando um grão de soja. É possível ver que eles crescem até a altura do peito do rapaz. Em segundo plano, planícies verdes se estendem até o horizonte e é possível ver o céu, com muitas nuvens brancas. ‘Trabalhamos com a certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS)’, diz Edimir dos Santos, gerente comercial da Saag. O selo garante que a soja vem de um processo ambientalmente correto, socialmente adequado e economicamente viável (Crédito: Mirian Fichtner)

“E ainda há testes de qualidade muito criteriosos. Isso quer dizer que recolhemos amostras em vários momentos dos processos, para testarmos o pH, a quantidade de fibras, de proteínas... Há, inclusive, no final, provas sensoriais do produto, para checar aroma, aspecto e sabor, além, é claro, da análise de microbiologia, que assegura que não há contaminação por microorganismos. As caixas com as embalagens ficam armazenadas por cinco dias até que o resultado dessa análise saia. Somente quando as amostras são aprovadas o lote é liberado para o mercado”.

Há checagem até mesmo das embalagens Tetra Pak. Técnicos verificam se estão sendo montadas da forma correta, se não estão vazando, se não solta tinta, se tampa está bem colocada, se todos os itens têm o código do produto.

Uma máquina colheitadeira de grãos, que é vermelha, com um trator à frente e rodas nas laterais, recolhe os grãos de soja e os despeja em um caminhão ao lado, através de um cano. No fundo, campos verdes podem ser vistos próximos à plantação. Para que o produto final seja de boa qualidade, é preciso que o rigoroso padrão comece pela lavoura: na imagem, colheita dos grãos de soja em fazenda de Minas Gerais (Crédito: Mirian Fichtner)

O que é a soja?

AdeS nasceu em 1988 na Argentina e chegou no Brasil em 1997. Em 2017, a Coca-Cola Brasil adquiriu a marca e, em menos de um ano, além de ter dobrado a distribuição dos produtos, já criou inovações. A ideia é usar a experiência e a tecnologia adquirida para produzir bebidas vegetais variadas, a partir de diversos grãos ou insumos.

Uma dessas matérias-primas usadas nas bebidas é a soja, uma planta que pertence à família Fabaceae, da qual fazem parte também o feijão, a lentilha e a ervilha. É um grão rico em proteínas, e contém sais minerais como potássio, cálcio e magnésio, e algumas vitaminas do complexo B.

Foto de dois testes de detecção transgênica: dois filetes de plástico, pintados de vermelho na extremidade inferior e de branco na superior. Listras coloridas entre as duas extremidades mostram o resultado dos testes. Antes de serem aceitos pela indústria, grãos de soja passam por testes que detectam transgenia — ou seja, para certificar que não é transgênica (Crédito: Mirian Fichtner)

Mas para que o produto final seja de boa qualidade, é preciso que o rigoroso padrão comece pela lavoura. Um dos fornecedores de soja para AdeS, a empresa Saag, também faz o rastreamento da qualidade do grão — que vem de diversos produtores, todos do sul de Minas Gerais, onde ficam seus armazéns. “Trabalhamos com a certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS)”, diz Edimir dos Santos, gerente comercial da Saag. O selo garante que a soja vem de um processo ambientalmente correto, socialmente adequado e economicamente viável.

Quatro recipientes de vidro refletem as fases da extração do leite de suja: no primeiro, os grãos como chegam à fabrica, no segundo, já estão batidos com água, no terceiro já estão coados, e no último os sólidos. Fases do processo de extração do leite de soja: os grãos que chegam à fábrica; batidos com água; a base já coada; e os sólidos (Crédito: Mirian Fichtner)

“Isso significa que existe uma gestão responsável da produção da soja. Respeitamos todas as normas ambientais, trabalhistas e sociais. Além disso, fazemos um trabalho de conscientização dos produtores sobre boas práticas agrícolas. Há sempre rotatividade de culturas para que o solo tenha os nutrientes renovados; não é permitido desmatamento; a água tem que ser utilizada de maneira responsável, assim como os defensivos agrícolas”, assegura Edimir.

Da lavoura à embalagem, é o acompanhamento do trabalho de perto, como fazem Mariana e Edimir, que garante a qualidade do produto final.

Texto produzido por Colabora Marcas

Vídeo: Leo Dresch (filmagem e edição) e Marina Cohen (reportagem)