Na Verde Campo, o cuidado com a qualidade se estende aos fornecedores de leite. Todos os produtos da empresa usam leite de alta qualidade. “Nossos iogurtes sempre foram feitos com 100% de leite de alta qualidade”, afirma Alessandro Rios, presidente da Verde Campo. “Não é bebida láctea nem leite fermentado como tantos no mercado; é iogurte mesmo”.

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No Brasil, tradicionalmente, os produtores — sejam eles familiares ou industriais — são autônomos que abastecem as fábricas de laticínios. De acordo também com uma tradição das mais antigas, não há contrato, é tudo de boca, com base na palavra penhorada. Não por acaso, as empresas costumam escalar profissionais que percorrem sazonalmente as fazendas, conhecem pessoalmente os produtores. “Eu não diria que é uma relação informal, é uma relação de confiança”, explica o gerente de matérias-primas da Verde Campo, Sávio Santiago.

Alessandro Rios, presidente da Verde Campo, na sede da fábrica
Alessandro Rios, presidente da Verde Campo, na sede da fábrica 

Mirian Fichtner

Mas a tradição centenária pode conviver bem com as novas tecnologias. Para obter a qualidade de matéria-prima que queria, a empresa decidiu ir além da relação pessoal com os produtores. Desde 2007, a Verde Campo decidiu pagar mais por leite de melhor qualidade, de acordo com critérios estabelecidos que levam em consideração a presença de bactérias, a higiene no momento da ordenha e até os percentuais de gordura e proteína do leite.

Obviamente há um limite aceitável para a presença de bactérias no leite previsto por lei. Mas a Verde Campo paga até 5 centavos a mais por litro para quem atende aos padrões de qualidade exigidos pela empresa. No caso da Verde Campo, o padrão interno é duas vezes mais exigente que a legislação brasileira. No caso da fazenda Rancho Alegre, em Lavras, uma produção familiar com 60 animais, este número é abaixo de 10 mil unidades formadoras de colônia por mililitro. Ou seja, o leite é cerca de 30 vezes melhor que a meta estabelecida pela legislação nacional.

“Pela cultura que se tinha na época, não havia como investir em qualidade sem remunerar o produtor por isso”, explica Valério Rezende, supervisor de qualidade do leite da Verde Campo. “Também não adianta ter uma bonificação se o produtor não sabe como fazer para o produto dele atingir aquela meta; só geraria frustração”.

Funcionário cuida de vacas e bezerros na Fazenda Rancho Alegre, em Lavras, uma das fornecedoras da Verde Campo para a produção de leite
Funcionário cuida de vacas e bezerros na Fazenda Rancho Alegre, em Lavras, uma das fornecedoras da Verde Campo para a produção de leite


 

Mirian Fichtner

Por isso, a empresa decidiu investir na formação dos produtores, ensinando a eles as melhores práticas para nutrição, ordenha e prevenção de infecções, além de bem-estar animal e segurança do trabalhador. A Verde Campo trabalha com cerca de 200 produtores de leite da região — de pequeno, médio e grande portes. E eles também recebem apoio financeiro para a compra de equipamentos e assistência técnica. Na Rancho Alegre, por exemplo, a Verde Campo financiou um sistema de irrigação do pasto, o que evitou problemas na alimentação do gado no período de seca e a consequente queda na produção de leite.

“Essa parceria com a indústria ajuda muito a manter a saúde do rebanho”, atesta o veterinário Paulo Athayde de Freitas, gerente da Fazenda do Sol, uma propriedade com 260 animais, na cidade vizinha de Três Corações.

Fazenda do Sol, em Três Corações, uma das fazendas certificadas pela Verde Campo para a produção de leite

Fazenda do Sol, em Três Corações, uma das fazendas certificadas pela Verde Campo para a produção de leite

Mirian Fichtner

“É uma relação de ganho para os dois lados: o leite é um produto difícil, muito perecível”, resume Santiago. Sem um leite de alta qualidade seria praticamente impossível fazer um produto de ponta. E a produção renderia bem menos ou ficaria mais cara. Quanto melhor a matéria-prima, maior o rendimento final.

“A questão social está na raiz da Verde Campo. Faz parte da nossa identidade”, sustenta Rios, presidente da Verde Campo. “Apoiamos os produtores de leite com assistência e compartilhamos nossos resultados: 200 fazendas já receberam transferência de tecnologia”.

Atualmente, origem do leite já é rastreada por um aplicativo desenvolvido em parceria com a própria Verde Campo. Ao receberem o leite vindo do produtor, os funcionários usam o programa para registrar a origem da matéria-prima.

Mas não é só. “Nossos colaboradores recebem bolsas de estudo, independentemente de a área escolhida ter relação com nosso negócio”, afirma Rios. “E a questão ambiental também é nosso foco, com a reutilização da água totalmente tratada”.

Texto produzido por Colabora Marcas