Canetas, papéis coloridos, tesoura sem ponta e cola em bastão. Parece brincadeira de criança, mas com esse material — e muita troca de ideias —, mais de 20 profissionais de diversos setores do Sistema Coca-Cola Brasil se reuniram para uma missão nobre: refletir e propor soluções para desafios que há anos atrapalhavam a gestão da Cáritas Diocesana de Pesqueira, uma organização social do Agreste de Pernambuco. Em uma maratona de oito horas, conhecida como hackathon, o grupo de voluntários usou suas competências — técnicas, experiências e habilidades — para traçar caminhos e projetos nas áreas de gestão administrativa, comunicação e mobilização de recursos e voluntários.

Mas essa ideia não surgiu do nada nem é um caso particular. Encontros como esse fazem parte do Kolabora, um programa de voluntariado para funcionários cujo piloto foi lançado em agosto deste ano pela Coca-Cola Brasil, Instituto Coca-Cola Brasil e Solar Coca-Cola com potencial de engajar mais de 50 mil colaboradores em prol de importantes causas. Usando elementos da metodologia de Design Thinking (conjunto de métodos e processos que ensina estratégias criativas para resolução de problemas), equipes foram divididas em grupos para prototipar, em um dia, sugestões de ações para instituições parceiras que fazem o bem, como é o caso da Cáritas. Fundada em 2000, a ONG tem atuação em mais de 80 comunidades em áreas rurais de 17 municípios espalhados pelo Brasil, já tendo beneficiado mais de 18 mil famílias e 60 mil pessoas em projetos de acesso à água, geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar. A instituição faz parte do Água+ Acesso, uma aliança inédita formada pelo Instituto Coca-Cola Brasil com algumas das principais organizações que atuam para ampliar o acesso à água potável de forma sustentável em áreas rurais no Brasil.

Quando o simples não parece óbvio

O encontro com a Cáritas aconteceu na sede da Coca-Cola Brasil, no Rio de Janeiro, com a presença de três representantes da instituição. Logo no início, uma atividade bem emblemática: dispostas em duas fileiras paralelas, as pessoas precisavam convencer quem estava à sua frente a passar para o seu lado. Duas duplas conseguiram uma solução simples, mas que não parece óbvia: apenas trocaram de lado e resolveram a questão. “Essa tarefa exemplifica bem o que passamos no dia a dia: precisamos resolver o nosso lado, mas não olhamos as questões, as dificuldades do outro. A proposta aqui é exatamente oposta: se colocar no lugar do outro para compreender seu contexto e entregar soluções de alto potencial para uma outra instituição”, explica Lorhan Caproni, sócio da Phomenta, uma aceleradora e certificadora de ONGs que mediou as atividades e vai acompanhar a implementação das propostas.

Nesse modelo de dinâmica, por exemplo, pequenos post-its são utilizados durante o processo de buscas de soluções, mesmo diante de grandes desafios. Isso porque o tamanho reduzido do papel requer ideias simples e de fácil execução, como, aliás, é um dos maiores projetos da Cáritas de Pesqueira: o de construção de cisternas de coleta de água da chuva para brasileiros que residem em áreas rurais no semiárido. O programa, que existe há dez anos, já beneficiou 7 mil famílias de 13 municípios e ganhou o prêmio “Política para o futuro”, da Organização das Nações Unidas. Hoje, em parceria com o Água+ Acesso, a Cáritas está desenvolvendo a implantação do primeiro modelo de gestão comunitária de água de Pernambuco, que beneficiará cerca de 270 famílias e 1164 pessoas no município de Buíque.


“Esses projetos vão muito além de levar água para quem precisa. Eles se tornam um instrumento de mobilização social. Buscamos fazer com que aquela ação desperte nas famílias a vontade de construir outras alternativas. Um dos contemplados com a cisterna, por exemplo, fez um tanque por conta própria”, afirma a secretária executiva da Cáritas Diocesana de Pesqueira, Neilda Pereira.

Quem colabora também aprende (e se emociona)

A voluntária Isabela Amorim, de 27 anos, especialista em desenvolvimento de mercado da Coca-Cola Brasil, saiu de São Paulo rumo ao Rio para participar do hackathon. Ao conhecer mais a fundo o trabalho da Cáritas, se emocionou ao se dar conta de uma feliz coincidência: seus avós e seu pai são de Saloá (PE), uma das cidades beneficiadas com as cisternas viabilizadas pela instituição.

“Minha avó ainda vive lá, em uma casa que tem poço. Não sei se eu estaria aqui se meu pai não tivesse acesso à água. Muitos conterrâneos dele até hoje não têm. Por isso, ajudar a comunidade dele é algo muito especial para mim. Vejo nos projetos da Cáritas um impacto em diversas gerações”.

Também voluntário no hackathon, Renato Shiratsu, diretor de Inovação da Coca-Cola Brasil, conta que se sentiu mais confiante em ajudar uma instituição usando a sua expertise do dia a dia de trabalho: “É muito bom atuar em uma causa em que eu posso colaborar e agregar mais. Via Kolabora é isso: aplicamos e apresentamos técnicas que a gente usa rotineiramente em prol do impacto de organizações”.

Aqui se faz, em outras instituições também se aplica

Gerente do programa Água+ Acesso no Instituto Coca-Cola Brasil, Rodrigo Brito explica que, para além da Cáritas, as soluções também serão compartilhadas com outras organizações que participam da Aliança. “O que é discutido aqui pode ser passado adiante, porque alguns dos desafios são comuns a outras ONGs. O trabalho e a rede da Cáritas com prefeituras, moradores, famílias e parceiros locais dão à organização uma potência de 2 mil voluntários, o que a protege, por exemplo, em momentos de crise do país. Outras ONGs, por vezes, fazem um belo trabalho, mas não conseguem criar esta rede de apoio. Isso é algo que a gente quer que as demais aprendam”.

Diretora do Instituto Coca-Cola Brasil, Daniela Redondo destaca que as atividades propostas no hackathon foram pensadas para evidenciar também uma troca simbólica, que ainda ajuda a desenvolver competências dos funcionários que são fundamentais para o crescimento do Sistema. É como uma via de mão dupla: “Conseguir reunir um grupo de executivos como esse em prol de um impacto social é algo riquíssimo, um potencial de transformação difícil de dimensionar. Por outro lado, isso nos desafia a fazer mais com menos, a testar nossa criatividade”.

Ao final do hackathon, as equipes construíram propostas com um cronograma de metas. Foram estipulados responsáveis e prazos, assim como aconteceu no primeiro evento, realizado na Solar, uma das fabricantes do Sistema Coca-Cola Brasil, em Fortaleza, numa ação em prol do Sistema de Saneamento Rural (Sisar) do Ceará, também parceiro e integrante do Água+ Acesso. Em 2019, outras instituições de diferentes estados serão convidadas e selecionadas para participar das próximas edições do hackathon, uma das ações do Kolabora.

Texto produzido por Colabora Marcas